Sunday, October 18, 2009

E depois?

O amor... os sentimentos, são incêndios descontrolados com que as pessoas gostam de brincar, reduzidos á dimensão de fósforos... *
E depois? ... Depois apagam-se.
Ponto final.
Parágrafo.

http://www.mranger.blogs.sapo.pt/

Saturday, October 03, 2009

Havia mais quem mos desse... E já sonhei demasiado tempo contigo.

Fui a Fátima deixar umas velas, pedir uma coisa e falar Contigo.
Não preciso de lá ir, porque falo Contigo onde quer que esteja, sob que forma estejas, quando acho que tenho e preciso de falar.
Mas fui lá deixar umas velas, tinha prometido.
Surpreendentemente, quando o faço acabo sempre por pedir por alguém especial, por alguém que no momento que calha lá ir me está a pesar demasiado no coração e por quem sinto que tenho que pedir.
Por essa pessoa a quem quero tanto, e por mim... para aliviar o peso.
Desta vez deixei uma vela por ti pai. Sim por ti. Deixei uma vela e pedi por ti, pela tua saúde, felicidade e outras coisas que tais, ao mesmo tempo que assumi que te perdoava por tudo, hoje e todos os restantes dias da minha vida.
Sim, perdoei-te. Acabou.
Esperei que isso me desse alguma sensação de alívio, pedi por outras pessoas, por outras coisas mais, acho que tentei deixar ali parte do peso que levava.
Mas não, não me pareceu ter sentido absolutamente nada diferente do que sentia antes.
Curioso é que agora quando parei e me sentei em casa, depois de mais de 400kms e desta viagem a sabe-se lá onde... percebi finalmente o que mudou.
É que só agora vi que não pedi por Ti... Não pedi por ti porque simplesmente nem me lembrei de pedir. E isso sim era o que me pesava no coração. Tu.
Ao contrário do que seria de esperar de mim, que tenho por norma seguir sempre o mesmo padrão de acções, verifico que desta vez foi diferente. Completamente diferente.
Porque eras tu que me pesavas, e eu não me lembrei de pedir por ti.
Parece então que pedi pela pessoa que menos merecia, mas por aquela que precisava perdoar. Perdoà-lo a ele e perdoar-me a mim. Não vale a pena andar a remoer no que não tem solução, porque solucionado está.
E ja que estamos nisto, estás tu perdoado também, e eu, uma vez mais.
Para a próxima vou-me lembrar de pedir por ti, noutros moldes, naqueles que devem ser pedidos como têm que ser.
Nem me lembrei... E tantos anjos ali à volta...
Desculpa.
Mas acho que isso é bom, a partir de agora não me lembrar...
Acho que é assim... como deve de ser.

So live it like you'll never live it twice... cause you can't rewind a moment in you life




My best friend gave me the best advice
He said each day's a gift and not a given right
Leave no stone unturned, leave your fears behind
And try to take the path less traveled by
That first step you take is the longest stride

If today was your last day
And tomorrow was too late
Could you say goodbye to yesterday?
Would you live each moment like your last?
Leave old pictures in the past
Donate every dime you have?
If today was your last day

Against the grain should be a way of life
What's worth the prize is always worth the fight
Every second counts 'cause there's no second try
So live like you'll never live it twice
Don't take the free ride in your own life

If today was your last day
And tomorrow was too late
Could you say goodbye to yesterday?
Would you live each moment like your last?
Leave old pictures in the past
Donate every dime you have?
Would you call old friends you never see?
Reminisce old memories
Would you forgive your enemies?
Would you find that one you're dreamin' of?
Swear up and down to God above
That you finally fall in love
If today was your last day

If today was your last day
Would you make your mark by mending a broken heart?
You know it's never too late to shoot for the stars
Regardless of who you are
So do whatever it takes
'Cause you can't rewind a moment in this life
Let nothin' stand in your way
Cause the hands of time are never on your side

If today was your last day
And tomorrow was too late
Could you say goodbye to yesterday?

Would you live each moment like your last?
Leave old pictures in the past
Donate every dime you have?
Would you call old friends you never see?
Reminisce old memories
Would you forgive your enemies?
Would you find that one you're dreamin' of?
Swear up and down to God above
That you finally fall in love
If today was your last day


Nunca é demais recordar...
Aqui não há ensaios do que podia ser, é isto and that's it.
No chance to live it twice.

Monday, September 21, 2009

Gone... let it sink in.

See what we can be if we press fast foward
Just one more round...
keep staring me right in my eyes,
and blame it on whatever you want,
just not on my a a a a a a a a alcohol.

Monday, August 24, 2009

Há dias em que acontecem coisas...

que me tiram todas as dúvidas e me deixam com as certezas.
Agora sim não acho, mas tenho tenho a certeza, que ainda conseguiria reconhecer a tua voz... a hundren years after and million miles away.
Shame on me.

Monday, August 17, 2009

Dj's playing the same song... I have so much to do, I have to carry on



I suppose I could just walk away
But I'll disappoint my future if I stay
It's just a day that brings it all about
Just another day and nothing's any good

The DJ's playing the same song
I have so much to do, I have to carry on
I wonder will this grief ever be gone
Will it ever go?


I'm crying everyone's tears
I have already paid for all my future sins
There's nothing anyone can say to take this away
It's just another day and nothing's any good...

Saturday, August 01, 2009

As mulheres... Por MST

08.03.2009, Miguel Esteves Cardoso

Só quando os homens chegam a uma certa idade é que podem dizer com certeza que as mulheres são melhores do que eles em tudo - mesmo na bola, a carregar pianos, a lutar com jacarés ou nas outras coisas em que ganhávamos quando éramos mais novos e brutos e fortes.
Quando se é adolescente, desconfia-se que elas são melhores. Nos vintes, fica-se com a certeza. Nos trintas, aprende-se a disfarçar.
Nos quarentas, ganha-se juízo e desiste-se.
Nos cinquentas, começa-se a dar graças a Deus que seja assim.
Os homens que discordam são os que não foram capazes de aprender com as mulheres (por exemplo, a serem homenzinhos), por medo ou vaidade ou estupidez. Geralmente as três coisas.
Desde pequenino, habituei-me que havia sempre pelo menos uma mulher melhor do que eu. Começou logo com a minha linda e maravilhosa mãe, cuja superioridade - que condescendia, por amor, em esconder de vez em quando - tem vindo a revelar-se cada vez mais.
As mulheres são melhores e estão fartas de sabê-lo. Mas, como os gatos, sabem que ganham em esconder a superioridade. Os desgraçados dos cães, tal como os homens, são tão inseguros e sedentos de aprovação que se deixam treinar. Resultado: fartam-se de trabalhar e de fazer figuras tristes, nas casas e nas caças e nos circos. Os gatos, sendo muito mais inteligentes, acrobatas e jeitosos, sabem muito bem que o exibicionismo vão levar à escravatura vil.
Isto não é conversa de engate. É até um tira-tesões. Mas é a verdade. E é bonita.


Subscrevo...
É incrivel o tamanho respeito que se pode sentir por uma mulher.
É ser-se, desfazer-se, dar-se e refazer-se durante uma vida inteira.
Não é bonito... É lindo.

Friday, July 31, 2009

Uma já está...

E outra também...
Depois vem outra, e outra...
Vamos?

Wednesday, July 22, 2009

Filhos (I)legítimos

III

Dizia-se que o casamento era uma tragédia em dois actos, ao contrário da clássica que se desenrolava em três, o casamento parecia ter um fim mais trágico e rápido, vulgarizando-se numa tragédia com lugar para apenas um acto civil e um religioso.
O que não se contava nas tragédias eram as pequenas variâncias que a maior parte descurava e que uma outra grande parte tendia por esquecer.
Ficava então sempre por contabilizar a tragédia sentimental, a tragédia pessoal, a de descendentes e por fim a tragédia do desconhecido.
O antigo melhor amigo dos homens passava agora gradualmente a ser também o melhor amigo das mulheres, embora sob outra forma o cão engarrafado podia tomar a forma de gato, de livro, de revista, de compras ou de qualquer outra coisa que cada vez mais e mais mulheres iam substituindo pela bebida, e embora a predilecção dos homens fosse o whisky, já as mulheres tanto bebiam desse novo melhor amigo, como de qualquer outra bebida, desde que contivesse a percentagem de esquecimento ilusório correcta.
No Alfa vermelho estacionado à beira da praia, de vidros completamente embaciados ainda cheirava horrivelmente a whisky apesar de já passarem das nove da manhã, mas no banco do lugar do morto estava ainda muito viva uma garrafa de rolha mal apertada que ia vertendo algumas gotas para o chão, divididas entre a passagem do tempo, numa tentativa inútil de contrariarem a lei da gravidade.
Debruçado sobre o volante dormia um homem ainda jovem de cabelo claro com as mãos estendidas ao longo do corpo, tortas no sentido do banco, uma retraída no estofo e a outra suspensa para o chão.
Parecia exausto, completamente descontextualizado e perdido naquele cenário quase idílico, não fosse a cinza espalhada pelos bancos, a dita garrafa que vertia no chão e os maços de tabaco vazios espalhados no tablier, com toda aquela sensação de cenário de tranquilidade desfeita, mesmo ali na orla da praia.
- ACORDA!
O vidro quase estalara com o soco que tinha levado.
- Acorda ainda não ouviste? Já passa das nove da manhã... Lá porque não dormes em casa não é para mandriar.
O barulho das maõs no vidro da janela do lado do condutor ainda continuaram alguns segundos, seguidos pelos gritos imperceptíveis de um homem bastante mais velho de feições completamente iradas. Tinha também cabelos claros, já mais brancos pela passagem do tempo e uns olhos igualmente muito claros.
- Já ouvi, já ouvi… Estou a caminho…
Dentro do carro, Ricardo tinha acordado atordoado, ainda cego pela bebedeira e também surdo do sono e dos gritos.
- Acho bem que sim porque os clientes não esperam. Se fizesses as coisas como te digo não andavas nestas vidas. Vamos embora, atrás de mim e é já.
Dera mais um soco no vidro e gritara-lhe que se despachasse antes de se voltar e entrar apressadamente no carro que tinha deixado estacionado do outro lado da estrada.
Ao olhar o pai atravessar a estrada e sentar-se no carro, sentiu que dentro dele pareciam ecoar murmúrios de lamento, sons imperceptíveis de cansaço e tristeza que nem ele próprio sabia distinguir por terem já sido tantas as vezes, por não ver sequer como poderia ele mudar toda aquela situação.
Já dentro do carro o Pai ainda gesticulava, soltando uns quantos gritos mudos que pela distância ele não conseguia ouvir, a não ser dentro da sua própria cabeça.
- Já sigo pai, pare lá de gritar. Estava só à procura da chave.
Custara-lhe ainda a encontrar a chave que tinha caído entre a porta e o banco, e ainda mais a fazê-la entrar na ignição. Mas lá arrancara finalmente, ainda com a cabeça meia tonta e num frenético pestanejar de olhos, na tentativa desesperada de conseguir focar a estrada que se abria à sua frente.

- Sabes ler?
- Acho que sim…
- Achas… Então será que me consegues dizer o que está escrito na folha à tua frente?
- Tu não…
- Sim, é isso mesmo.
- Onde é que pensas que vais? E que tal explicares-me o que isso quer dizer?
- É exactamente isso que está aí escrito, e é agora. Não é daqui por dois meses nem é para pensares. É só isso que quer dizer.

A estrada quase desapareceu. À sua frente já quase não havia faixas e o carro aproximava-se a um monte de pedras. Virou o volante de repente e por sorte entrou de novo na estrada sem bater em nenhum outro carro. Àquela hora a maioria das estradas naquela zona ainda estavam vazias.
Foi então que decidiu abrandar na berma da estrada. Abriu o vidro e deitou fora a garrafa de whisky pela janela. Esperou o tempo necessário para ouvir o líquido estilhaçar-se no meio dos vidros. Logo compro outra, pensou, ou não… pouco importa, arrancando depois a toda a velocidade.
Já era a segunda vez e tinha sido pior do que a primeira. Sabia ler… Se sabia ler… Era talvez a última que deixava que ela gozasse com a sua cara e fizesse dele o que queria. Casos perdidos dissimulados de importância a abusarem da sua bondade e da sua paciência. Talvez nisso o pai tivesse razão e fosse melhor não se meter com putas que vinham dissimuladas de mulheres. Mas o pai não era nenhum exemplo e a referência tinha sido escassa, daí a maior parte do tempo lhe ter parecido ter andado a viver enganado.
Daí não ter visto, nem ter acreditado. Não tinha nada para dizer, não fazia questão que nada fosse dito. Tinha sido um vazio só, uma fraqueza… Mas não pelo dinheiro. O dinheiro… era sempre e só o dinheiro que lhes interessava. Quanto mais melhor e algumas já sabiam que ele tinha muito. Ela sabia, mas ele não, e só agora se tinha capacitado que ela sempre o soubera. Talvez tivesse sido por isso. Tinha sido, mas ainda lhe custava muito a conseguir aceitar.
No entanto começava agora a pensar que talvez fosse o contrário, que talvez ele tivesse andado cego e não tivesse conseguido distinguir o interesse dissimulado das que não faziam parte do estrato do interesse puro, das que no fundo tinham muito mais a perder.
Não conseguia, não sabia ainda ver nada disso com clareza. A mãe sempre lhe dissera, filho, casa-te com alguém com quem gostes de conversar, assim um dia mais tarde vão sempre ter alguma coisa para dizer um ao outro.
E tentara fazer o que a mãe lhe pedira, se tentara. Porém, agora sabia que tudo isso não passava de uma daquelas ilusões que se mantêm. Agora sabia ele que as coisas não eram bem assim, porque os homens e as mulheres casados efectivamente não conversavam.
E os anos iam passando. Iam passando sem que houvesse muito já para dizer um ao outro, mas aqui não se prendia o não haver mas sim o facto de que nunca houvera.
A questão não era no entanto o que se dizia, mas talvez o que não se dizia, aquilo que simplesmente ficava, suspenso em tudo o que muitas e boas novas palavras não conseguiam apagar.
De tão requintado o gosto e o toque, o sublime da velocidade de raciocínio e a cadência da conversa, mais se cravava o espinho no coração.
Era fácil, todos diziam. Mas só quem dele bebia é que sabia que não.
E agora já não fazia sentido, era ele quem exigira, quem tivera necessidade de por um ponto final.

- Sabes ler?
- Desculpa… o que é que?
- Humilho-te agora como me humilhaste há tempos, como me tens humilhado até aqui… E pergunto, sabes ler?
- Sei.
- Se sabes… acho que me consegues dizer o que está escrito nessa folha.
- Tu não…
- É isso mesmo. E não tem volta atrás.
- Sabes bem que isto não é para ficar assim.
- É exactamente assim mesmo que é para ficar. E agora. Sem ameaças, sem subterfúgios. Levas o que tens direito, que nem sei ao certo o que é. Devia ter pensado nisso quando casámos mas não pensei, portanto é só isso que quer dizer.
Quero o divórcio. Agora.

Quando atendeu o telefone, a única frase que não lhe saía da cabeça era o típico “I told you so…”, mas depois de o ouvir e lhe custar a fazer sair as palavras, desligou.
"Um dia, dissera-lhe. Um dia talvez tenhamos tempo e espaço para conversar."
- Não penses mal de mim, acho que compreendes.
- Não penso, não tenho porquê. Mas um dia talvez. Agora não.



Como tinha lido uma vez, fazia agora perfeito sentido…

"Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber...
(…)Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo. O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão.
Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria…
(…)O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática.
O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.
(…)Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço…
…Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?
(…)O amor é uma coisa, a vida é outra….
…Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo.
O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. È uma questão de azar.
O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra.
A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina.
O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima.
O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente.
O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.
O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser.
O amor é uma coisa, a vida é outra.
A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre.
Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente.
O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.
Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz.
Não se pode ceder. Não se pode resistir.
A vida é uma coisa, o amor é outra.
A vida dura a Vida inteira, o amor não.
Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."

Miguel Esteves Cardoso


Não percebo, não sei se consigo perceber. Ou se quero.
Mas é assim que vivemos, a emendar os erros que cometemos instantaneamente ou há vários anos atrás.
Fiquei contente de saber que estás a emendar o teu.
Sempre soube, mas custou, ainda custa.
É triste saber que só aprendemos a bater com a cabeça com tanta força...
E dói tanto.
Mas só sei que acerto sempre, no fundo tudo faz sentido…e com esta treta toda só me ocorre e apetece dizer que realmente só não me sai o euromilhões...

Sunday, July 12, 2009

Se a saudade...

pudesse falar, diria o teu nome
se tivesse cor, teria a cor dos teus olhos...

mas se a saudade tivesse cheiro, ele seria o cheiro do teu perfume.

Sunday, July 05, 2009

Queres lutar com quem? Pra doer aonde? Pra ser o quê?

Achas que ninguém vê...

Thursday, July 02, 2009

Achas que ninguém vê...

Perguntas, e eu respondo:

"Não tenho medo de nada"

Mas tenho... de poder encontrar de facto aquilo que procuro e por medo não o agarrar...
E que me deixe encontrar por aquilo que não procurei, e me deixe destruir... por querê-lo tanto, mas tanto e com tanta força e nem sequer saber porquê.

Saturday, June 27, 2009

Más Amor :)

A primeira Kizomba dos 24 dancei com o Exmo. Professor e Dançarino Cabo Verdeano, Zé Barbosa. Confesso que foi uma honra e ainda teve um sabor mais doce pela primeira Kizomba da noite ser a minha preferida... Há óptimas coincidências!
E é assim, Nos dá más Amor... Que venham sempre todos com tamanha ou mais quantidade!

Friday, June 26, 2009

Assim é a efemeridade da coisa...

Do you remember the time?

Pois que cantava umas coisas muito loucas este senhor.
Cresci com muitas músicas dele no repeat enquanto fazia palhaçadas no tapete da sala. Já nessa altura tentava obrigar toda a gente a dançar comigo.
E lembro-me que ainda falava mal inglês como o caraças mas já cantava sem vergonha nenhuma que a Billie Jean...

"Is Not My Lover
She's Just A Girl Who Claims That I Am The One
But The Kid Is Not My Son...
She Says I Am The One, But The Kid Is Not My Son"




E esta... Esta é que eu gostava de dançar...
Do you remember? I remember the time.



We are the World...
Esta escolhi eu faz agora um ano para ensinar aos meus alunos o que significava noutra língua dizer que nos preocupamos com alguma coisa, através da música, desta música que eles aprenderam, ensaiaram e cantaram até me fazerem chorar na festa do fim de ano para os pais e professores. Valeu o esforço, porque eu sim lembro-me que foi com esta letra que comecei a aprender a falar inglês à séria.
Passado quase um ano quando os visitei ainda vieram muitos a correr cantar-me esta música. Queriam frisar que se lembram, mas eu não esqueço...



Last but not least...
Uma das minhas favoritas, esta sim já eu mais velhinha.




E deixo as palavras do que acho que muitas vezes ele devia sentir, fosse ele quem fosse durante a sua estranha vida.
Sei o que ele foi para mim, e espero que tenha ido em paz.
Fica o poder da dança, da música, da genialidade. Ninguém, mas ninguém se mexia ou cantava como este homem.
Assim é... e como no fim todos somos iguais, take his name and just let him be.


Stranger in Moscow

I was wandering in the rain
Mask of life, feelin' insane
Swift and sudden fall from grace
Sunny days seem far away
Kremlin's shadow belittlin' me
Stalin's tomb won't let me be
On and on and on it came
Wish the rain would just let me

How does it feel (How does it feel)
How does it feel
How does it feel
When you're alone
And you're cold inside

Here abandoned in my fame
Armageddon of the brain
KGB was doggin' me
Take my name and just let me be
Then a begger boy called my name
Happy days will drown the pain
On and on and on it came
And again, and again, and again...
Take my name and just let me be

How does it feel (How does it feel)
How does it feel
How does it feel
How does it feel
How does it feel (How does it feel now)
How does it feel
How does it feel
When you're alone
And you're cold inside

How does it feel (How does it feel)
How does it feel
How does it feel
How does it feel
How does it feel (How does it feel now)
How does it feel
How does it feel
When you're alone
And you're cold inside

Like stranger in Moscow
Like stranger in Moscow
We're talkin' danger
We're talkin' danger, baby
Like stranger in Moscow
We're talkin' danger
We're talkin' danger, baby
Like stranger in Moscow

I'm living lonely
I'm living lonely, baby
Stranger in Moscow


Rest In Peace :)

Tuesday, June 23, 2009

Si tú estás bailando,si tú estás besando,tu te darás cuenta que estos tan gozando.Lo baila Teresa,también Josélito,quimbara quimbara quimbambím bambám

Como está quase, vai daí a perguntarem-me noutro dia o que queria para os meus anos, quando dei pelos sorrisos de cumplicidade e as gargalhdas seguidas do... "Não, isso não te posso dar... pudera".
E como ninguém pode, já sei eu finalmente o que me vou oferecer a mim própria este ano, bombásticamente, entre outras coisas, tudo, mas tudinho aquilo que tenho direito.

Começamos pelo simples, a bombástica da viagem a Cuba, regada com os meus mojitos e os meus daiquiris, all day long, seguidas da minha Salsa que não deixa ninguém dormir em Havana pela madrugada. E como em Cuba não há kizomba vai daqui a minha oportunidade de brilhar à séria na minha verdadeira arte.
Lá fica á minha espera a areia quente das praias mais belas pela tarde dentro, os mares de horizontes mais longínquos ao pôr-do-sol, as paixões mais assolapadas, as aventuras mais estranhas, os dias mais preenchidos, as alegrias mais simples.
Sigo, a tudo o que tenho direito e menos ao resto. Acho que é mesmo assim, o que não tenho não me faz falta e como já me disseram e agora sei que é verdade, se consigo ter sempre tudo aquilo que eu quero, nada que não tenha não me faz falta de certeza.
É uma boa para os 24.
So what the hell am I waiting for?
Só do barco... do meu barco para Miami, para Cuba, para isto TUDO.
Tudo, porque todos devemos ter fome e sede de viver. E é esse sim... sempre o meu único vício. De todas as maneiras possíveis e imaginárias.
Vamos emboraaaaaaaaaaa, e apanhamos já este...

Fui ;)

Wednesday, June 17, 2009

Friday, June 12, 2009

Acho que é das coisas mais tristes...

quando duas pessoas se cruzam e aparentemente já não têm nada a dizer uma à outra.
Especialmente quando um dia foi exactamente o oposto.
Isso sim... é das coisas mais tristes.

Tuesday, June 09, 2009

É isso mesmo...

Monday, June 08, 2009

Lamentavelmente vergonhoso

Pode não servir para nada, pode não ser assim tão importante ou não dar origem às mudanças que são realmente necessárias, como se ouve sair aí de muita boca, mas uma taxa de abstenção nos 60% é realmente vergonhosa. Cada vez mais neste país.
Porque as pessoas querem lá saber, porque dá muito trabalho.
Mas depois todos se sabem queixar e lamuriar por tudo e mais alguma coisa.
Um conselho: não se queixem a menos que façam alguma coisa ou tomem alguma iniciativa para pelo menos tomar nas mãos aquilo que podem e devem fazer por direito, quando têm direito.
Sim toda a campanha foi uma vergonha também... e sim ainda mais pobre deste país com esta sua classe política.
Vamos lá ver o que vão dizer as próximas. E o que vão trazer.
Para já regozijo-me com o pequeno vento de mudança da pequena grande vitória que sinceramente gostei de ver.
Por algum lado se começa.
E é para continuar porque o trabalho de alguns anos dá frutos e devagar se vai ao longe.

Thursday, June 04, 2009

Há tanta mulher linda neste país...

Não tendo nada a ver com nada, a verdade é que se uma pessoa reparar há mesmo muita mulher linda neste país.
E não deixando de ser ridículo aproveito também para dizer que há igual quantidade de homem inseguro, cobarde e ignorante aqui mesmo também. Mas isso já não tem nada a ver com isto. Ou até tem.
É que uma pessoa começa a reparar ou melhor começa a pensar no ridículo que isto é e dá com ela com as ideias todas trocadas.
Tem tudo a ver com os círculos em que uma pessoa se movimenta e é lindo de observar.
Fiquei rendida e ainda estou para saber como...
É que noutro dia dei comigo a pensar "não vale mesmo a pena". E depois dei comigo nisto...
Por mais ridículo que possa ter sido, é incrível como se podem dispersar as ideias.
E pronto é oficial: acho que me vou virar para as mulheres. LOL.
Mas mesmo...
É como digo, há cada uma neste país...e os homens, pronto, disso nem vale a pena falar.
Tremendamente espantoso como se dispersam as ideias, não?!

Friday, May 29, 2009

Nunca é demais... 29/05/09

"Nunca se deve dizer nunca".
Não existe, porque efectivamente nunca é demais dizer a uma pessoa o quanto se gosta dela, o quanto a amamos ou apenas o quanto ela é importante para nós.
Nunca.
Se gostamos, se é importante, não vale a pena ficar com ele cá dentro porque mais ninguém o vai receber e quem perde é a pessoa que precisa de o ouvir, ou bem mais, somos só nós que verdadeiramente perdemos a deixarmos tudo isso aqui bem engarrafado.
Se gostamos, se é importante diz-se a alto e bom som, sem medos nem arrependimentos, se soa bem ou mal, se faz sentido ou eventualmente custa.
Se gostamos, se é importante, dizemos porque podemos simplesmente perder a oportunidade de o poder dizer, ou podemos virar a cara para o lado e sermos privados dessa pessoa de quem gostávamos ou que considerávamos ser importante para nós.
Simplesmente deixamos sair...

- Gosto muito de ti.
- És muito importante para mim.


Hoje percebi que realmente NUNCA é demais. Porque eu não o digo muitas vezes, apesar de o sentir, porque custa talvez, porque não me soa quem sabe. Sinto-o, mas não quero que a oportunidade passe a quem precisa de o ouvir...
Não sabia o que dizer, não sabia o que fazer, estava ali em pé a olhar para ti sem querer fazer demais nem de menos, mas nisso cheguei perto do teu ouvido e disse-te, que gosto muito de ti. Gosto muito de ti, muitas vezes.
Ajoelhei-me à beira da tua cama e ali fiquei com a mão a passar no teu cabelo até não sentir mais as pernas e até muito, muito depois disso. Fiquei porque sabia que mesmo muito ausente tu sabias que eu estava ali.
Repeti-o muitas vezes a passar a mão no teu cabelo e antes de sair pedi:
- Não te esqueças que gosto muito de ti vó, eu gosto muito de ti, por favor não te esqueças. Não te esqueces pois não...
E foi aí que ouvi um sussurado não que me disseste.
- Não.
Acho que agora sei que sim, que para onde quer que vás não te vais esquecer que um dia gostei muito de ti e ainda bem que to pude dizer e me pudeste também ouvir.

Por isso nunca é demais dizer o que se deve dizer, quando se deve dizer.
Digam, porque eu ás vezes não digo...
Sem arrependimentos, digam só. É importante para quem recebe e nunca, nunca é demais.
Só de menos.

Parabéns, vó.
É mais um ano que sou abençoada com a tua presença na minha vida.
Gosto muito de ti. Sempre.

Sunday, May 24, 2009

All I want is you



Apetece-me gritar, e muito. Isso mesmo que ele diz.

Friday, May 22, 2009

Ás vezes... bate leve, levemente.

Ás vezes, quando páro e me dedico a ouvir e penso efectivamente no que aqui vai, sinto aquele nó no estômago e aquele peso na espinha de saber realmente como as coisas são, e como deveriam ser.
Parece que sempre que me deixo parar e até mesmo quando isto não pára, acabo por ouvir em repeat aquelas palavrinhas que os amigos nos dizem, sábiamente ou não, que já ouvimos tantas vezes e mesmo que façamos as coisas de maneira diferente, acabam sempre por nos perseguir...

" - Nem vale a pena ires por aí..."
" - Eu bem te avisei."


Mas na verdade, aquilo que me custa mesmo não são estas palavras dos amigos, são outras bem mais ferozes, que vêm sei lá eu de onde mas que eu conheço tão bem quase como me conheço a mim...

" - Pensava que eras mais inteligente do que isso..." -

Isto sim é o verdadeiro e derradeiro pontapé no estômago.
"Pensava que eras mais inteligente do que isso...", isso mesmo, e esta também diz o clássico, eu bem te avisei.
É isto que me deixa sem voz, sem reacção, sem emoção e que deixa o turbilhão andar por aí. É que eu também pensava. Mas ás vezes não sou, segundo parece.
Às vezes...
É nestas alturas que isto simplesmente me bate cá dentro e me cai no colo a idade que efectivamente tenho e que ás vezes me esqueço ter.

Outro pontapé no estômago.
Daqueles.
Mais que ouvir, custa saber. Porque eu não oiço. Eu sei.
Porque quando penso, foram raros os que chumbei... mas realmente há testes muito duros nesta vida.

Wednesday, May 06, 2009

A beleza da obra-prima - Always to look life in the face: happiness, it was the moment, right then


"I remember one morning getting up at dawn, there was such a sense of possibility, you know, that feeling? And I remember thinking to myself that this is the beginning of happiness, this is where it starts. And of course there will always be more. It never occurred to me that it wasn't the beginning... it was happiness. It was the moment, right then."



"Dear .......
To look life in the face. Always to look life in the face and to know it for what it is.
At last to know it. To love it for what it is, and then, to put it away.

....... always the years between us. Always the years. Always the love.
Always the hours."


You cannot find peace by avoing life.
Thank you.


Monday, May 04, 2009

O horário do Padeiro...

Ora vamos lá ver, o que tenho eu a dizer sobre esta dávida da natureza que me caíu no colo, o tão desejado trabalho pela noite dentro até ao raiar do dia...
Podia dizer muita coisa e ainda assim, depois de ter escrito sobre este tema, escolhi apagar tudo o que escrevi pelo simples facto de que escolho desta vez ver o positivo em vez do negativo.
Apesar de poder dizer muita coisa sobre esta semana que passou, de tudo o que foi mau e me custou, prefiro apenas deixar o registo daquilo que de bom ficou.
Afinal de contas, quem poderá ser assim tão privilegiado que consiga testemunhar tanto o pôr como o nascer do sol durante 7 dias seguidos?
Não sei. Mas eu fui.
E soube bem, especialmente vê-lo aparecer no céu durante todo o caminho para casa, às 7h da manhã pela Crel. A luz e o calor dourado a tomarem conta do azul pálido do céu.
Sublime não?
Hoje ainda vai saber melhor.

Thursday, April 30, 2009

Zen

E será que não era mesmo disto que eu precisava?





Pouco foi dito ou pensado. Nada meu.
Ocorreu-me, perguntei, li, confirmei e pensei... Porque não?
Uns dias para acertar pontos, sem second thoughts, nem bem nem mal ou será ques.
Quando entrei disse pouco, o essencial talvez, diriam eles no seu sentido prático.
Pouco perguntei, também não sei se queria ou sequer precisava de saber muito.
Já passando ao outro lado pelos corredores ao ar livre, a sala que encontrei parecia ser feita de luz, mas não daquela que cega a vista, daquela que preenche e acalma a beleza dos olhos.
Cheirava a incenso e em surdina ouviam-se acordes de instrumentos orientais a circular pela sala, mas sem ocupar espaço, nem incomodar como se nem estivessem ali, apenas a preencher a envolvência da luz e do ar.

Suspensos do tecto estavam longos panos brancos que esvoaçavam ao fresco a dividir o que não se via nem ouvia porque ali tudo estava na mais perfeita calma e no mais perfeito silêncio.
Parei quase ao fundo e entrei.


Mandaram-me despir, deitar e relaxar. Mas relaxada já eu estava, desde que ali tinha entrado até que saí.

Ainda me pergunto como foi possível passar mais de três horas sem pensar em absolutamente nada. Nem é que não tivesse pensado porque pensei, mas não houve nenhum pensamento que viesse e me incomodasse ou me perturbasse.
Todos vieram e voltaram como se fizessem parte da luz, do som e dos cheiros que envolviam aquela sala.
Mas foi depois da massagem que começou tudo.









Nas costas... Sim nas costas.

E quando sairam das costas............







"...tu tens é essa tua cabeça muito cheia de coisas...
vamos já tratar de a esvaziar."


E esvaziou.

Nas costas, nas mãos, nos pés, no peito, nas pernas, na cabeça, em todo o lado, por todo o lado e para todo o lado... sem eu conseguir ter qualquer tipo de controlo, ainda que tivesse desesperadamente tentado, veio tudo sem eu saber de onde.

Depois, passado um tempo e algumas agulhas mais ficou uma sensação de calma.

Nunca, mas nunca senti nada assim.

Fechei e abri os olhos tantas vezes, mas apesar de os ter abertos sentia como se os tivesse fechados, de tal que era a plenitude e a calma que rondava por ali.

Nem sei bem porquê. É daquelas coisas... Mas fez-me qualquer coisa de bem que não sentia há mesmo muito tempo aqui dentro.

Quando saí, saí mais leve e senti-me assim, tal como mo haviam descrito.

A questão é... Como raio é que não pensei nisto há mais tempo?
Também não interessa. Para a semana há mais.


Disto :)




Wednesday, April 29, 2009

Hoje é o dia... O Dia Internacional da Dança

Unesco Culture Section: International Dance Day

In 1982, the International Dance Committee founded International Dance Day to be celebrated every year on the 29th of April. The date commemorates the birthday of Jean-Georges Noverre, who was born in 1727 and was a great reformer of dance.
Every year a message from a well known dance personality is circulated throughout the world.
The intention of International Dance Day and the Message is to bring all dance together on this day, to celebrate this art from and revel in its universality, to cross all political, cultural and ethnic barriers and bring people together in peace and friendship with a common language : Dance.

Podia falar do dia em si, mas penso que é melhor é falar do que se sente.
A dança como língua comum poderia definir-se como a língua própria dos corpos que comunicam entre si silenciosamente.
O que uma dança diz de um corpo ao outro é o mesmo do que uma boca diz a outra boca, um espírito a outro espírito ou o que um par de olhos transmite a outro olhar.
Cada um pode dizer tudo ou não dizer nada, mas no entanto podem dizer tanto ou dar tanto nas suas pequenas e sublimes manifestações.
Continuo a dizer, por mim ficava assim para sempre, suspensa no abraço das línguas silenciosas entre a deslocação do ar perdido nas vibrações das notas, que passam...entre os movimentos do corpo de quem dança.

Because Dance... Dance is silent poetry.
"So let us dance to remember, let us dance to forget"





Friday, April 24, 2009

Falta aqui qualquer coisa...

Falta.
Falta.me.

Falta-me o ar.
O chão.
Tem dias.
Mas falta.
Parece que o tempo não passa, mas passou.
E agora teima em não querer passar.

Sim, falta aqui qualquer coisa.
Mas daí talvez seja e só tenha sido... just a dirty little secret.
now there's just some awkward trouble breathing.
sometimes. too many t....


Tuesday, April 21, 2009

Não é todos os dias...

...que se dança não com um, mas com DOIS mestres da Kizomba!
_A-M-E-I_

"eueeeeeeeeeeee fica comigo, ai ueeeeeeeeeeeeeeeeeeee dança comigo, quando não danças comigo meu coração reclama!"

No estrangeiro já lhe chamam "angolan tango"
ai e o que eu amo isto...
aqui foi e aqui fica, dose dupla :)





Thursday, April 16, 2009

De mi corazón... Um dia nunca mais digo um dia.

Já vi dançar melhor... já. Daí talvez não melhor, mas diferente.
Com mais ou menos graça, mais ou menos flow, classe, leveza, mais ou menos sentimento.
Não será este o melhor exemplo, talvez por isso tenha gostado tanto, é muito diferente, mas tem ali qualquer coisa.
Apesar do delay que o video tem na parte da salsa, esta coreografia acaba por ter uma cadência linda, principalmente no início e na parte do cha cha cha.
Do styling não se aprende muito de novo, mas a postura e o flow corporal são bonitos de se ver e a verdade é que ela faz 12 voltas seguidas. 12. Muito direitinha com uma das pernas suspensa numa das mãos.
Já vi fazerem umas 20...
Eu fico com as minhas 4 :)
Toda a parte inicial da acrobática, essa sim já é muito à frente
- reformulo: A salsa acrobática é muito à frente, mas a metade pelo menos, quem sabe chegarei.
E porquê só metade? É que eu cá não gosto de metades.
Já faltou mais... De mi corazón - Porque não sou feita de material que desista de nada, assim aperfeiçoando cada gesto vou lá chegando mais perto a cada dia que passa.
A ela só faltou um pormenor. E daí, talvez não... Até que gostei dos guts pra ir dar o show assim ;)
Aqui fica:
Para quem não dança que aprecie, para quem dança sabe bem do que falo.



Tuesday, April 14, 2009

Hoje cruzei-me com... Previsões para 2009


Caranguejo



Este ano marca o início de uma profunda mudança que decorrerá ao longo dos próximos anos, quer em termos das suas necessidades profundas, quer em termos dos seus relacionamentos com outros a nível íntimo, quer a nível daquilo em que acreditava sobre si mesmo.

Nos próximos tempos, dará por si em conflitos abertos entre o que acredita estar certo e o que acaba por dizer e fazer, e provavelmente o grande palco do crescimento este ano é a esfera dos relacionamentos amorosos. Você está a atrair para a sua vida pessoas poderosas e marcantes, por quem você se sente tão irresistivelmente atraída como dominada e assustada.

Neste cenário e ao longo deste processo, a sexualidade vai desempenhar um papel muito importante, e vai dar por si a questionar profundamente os seus valores - quem sabe, este é o ano em que descobre que é possível ser verdadeiro e quebrar regras com que não concorda sem trair o seu próprio senso ético.

Reconheça que há muito tempo não se sentia assim arrebatada.
Isso fará da viagem às profundezas das emoções e dos sentimentos pessoais um ritual de transição de consciência, purificador e iniciático. Daqui por uns anos, quando regressar a si mesma, descobrirá que já não é a mesma pessoa.


É sempre interessante... Mas deste gostei.
Purificar e iniciar parece-me bem. Evoluir, sempre.
Agora o resto, olha... venha de lá também!
Desde que não venham duques e manuéis vale tudo.

Saturday, April 11, 2009

He's just not that into you

The beginning of our problem:
We're all programmed to believe that if a guy acts like a total jerk that means he likes you.
- How stupid can this be? -
Because it's always about meaning what you say without saying what you mean...
- You're not the exception, you're the rule - So please don't rely on the signs because there're just not there.

Valeram as gargalhadas, da vida real para o ecrã!!
Lindo.
Gracias Tânia ;)


Thursday, April 09, 2009

Estou tipo farta até à ponta dos cabelos...

But then again I realise that I just fucking can't...
And it's so fucking pointless...
So god damn fucking pointless, that I just pray to snap out of it.
Otherwise, and so they say: "heaven's gonna burn your eyes"





Retaliation.
Retaliate.
Because I said so.
And now what?

Friday, April 03, 2009

Vou partir

Talvez Quinta-Feira seja mesmo dia de teatro. De literatura. De artes. Já não o sabia, nem me lembrava, porque talvez tenha escolhido não querer saber. É sempre mais fácil.
Mas afinal ainda sei, e é. Efectivamente, dia de cheiro a páginas de livros por abrir, das tintas envelhecidas dos quadros expostos nos museus e do pó bafiento das cortinas dos teatros. Dia de luz, treva, cores, sons e sabores do que vai preenchendo os espaços vazios sedentos de conforto, de saber e de cumplicidade.
Atirei-me de cabeça a visitar o Al Berto durante A Noite entre os lustres e mármores do velho D. Maria II. E encontrei-o bem. Vivo. Apesar de estar morto, nas vozes e nos gestos de outros corpos que não o seu e que o trazem bem vivo à minha memória.
Acabou por ser um encontro de mestres, estudantes, académicos, colegas e actores, naquele mundo que tinha deixado na prateleira há já alguns anos atrás, num qualquer dia de qualquer ano mas agora com hora marcada, no mesmo átrio do lugar que veio trazer a cultura a ser partilhada.
Com isto houve um doce segundo em que me sentei a beber café na varanda do teatro e ao observar os corredores e as pessoas que passavam viajei um segundo que fosse e reservei-me a reviver um bocadinho daquilo que deixei atrás...
Tomei umas quantas decisões, durante todo o santo dia e depois, quando acordei da minha viagem. Vou voltar a estudar e não há obstáculo que me detenha até onde quero chegar. Onde preciso de chegar. Tenho sede das salas e dos livros, fome das conversas e das dissertações.
E de ter juízo, disso lembro-me, tenho quilos de fome.
Mas as cortinas da varanda esvoaçaram e tudo naquele momento se apagou.


A varanda iluminava toda a sala com as luzes provenientes da praça do Rossio, das fontes, da cidade adormecida e abandonada que tinha vindo cair ali naquele preciso momento. Convidava-a a que ficasse, mas ao espreitar mais a luz que vinha do outro lado das portas de vidro, viu Virginia Woolf sentada num das poltronas antigas do teatro, com o seu tabuleiro de folhas brancas e a caneta torta que ia molhado apressadamente no tinteiro.
Num movimento calmo, quase em câmara lenta, passara as portas e sentara-se no chão ao seu lado enquanto a ouvia murmurar as palavras que ia entrelaçando noutras palavras, de que tirava as frases confusas em que se viajava nos seus livros. Como se um sonho se tratasse à luz da voz da consciência que ela trazia sem sequer saber bem de onde. "To the lighthouse"... Seria? Poderia ser, mas sem conseguir ouvir bem o que ela dizia, porque o murmurava como se estivesse em transe à medida que os sentidos comunicavam com a mão que deslizava as letras para a folha de papel.
Aproximara-se para conseguir ler, ela nem se dera conta da sua aproximação, nem a via. O estranho passara a inacreditável, quase sublime:
"- Mrs. Dalloway said she would buy the flowers herself... I think I'll buy the flowers myself...You cannot find peace by avoiding life, Leonard..."
- Cortei o meu longo cabelo loiro. De uma só tesourada. De uma vez só.
Não me serve de nada, já. Sendo que não é ele que me traz valor, que me dá seja o que fôr, então que o corte. Assim talvez me possa sentar à mesa daqueles homens e participar ou saber, entender que seja, podendo por segundos ser com eles eu homem também.
Não preciso de festas, de fatos e combinações. De batalhar nada com ninguém. Esgotam-se-me as aparências, os dizeres de boca em boca, os fretes, a falta de consciência. As indecisões e sinuosidades da vida mundana... -

" - Dear Leonard. To look life in the face, always, to look life in the face and to know it for what it is. At last to know it, to love it for what it is, and then, to put it away.
Leonard, always the years between us, always the years. Always the love. Always the hours.
You cannot find peace by avoiding life, Leonard.
Love, Virginia."

Não... Era Mrs. Dalloway que Virgínia Woolf escrevia.
Deixara-a. Ouvira vozes animadas no andar de cima, a varanda ainda a convidara a ficar, mas a viagem ia já demasiado avançada.
A meio das escadas encontrara Shakespeare, eufórico a descer o corrimão enquanto balbuciava trechos de canções das suas peças e uma ou outra fala de certas personagens, maravilhado com o leque de pessoas que o rodeavam sem efectivamente o verem, na esperança de conseguir material para uma nova peça.
Ao olhar para trás, vira no fundo da escadaria Tennyson que o olhava com ar de reprovação, como se de uma criança pequena se tratasse, ao vê-lo descer pelo corrimão e voltar a subir, entrelaçando-se entre os casais de mão dada em busca de traços que apontava numas folhas amarrotadas de papel que se apressava a tirar do bolso.
Ao cima das escadas, num átrio escondido atrás de um conjunto de colunas ao redor da pequena mesa de centro estavam sentados Lincoln, Thoreau, Jefferson, Washington, Emerson, Whitman e Roosevelt, que discutiam ainda as raízes e fundações da sua nação arrefecida, as escolhas, as filosofias a que tinham ido beber os seus princípios para as mentalidades que pareciam agora tão deturpadas.
Falava-se dos índios, das guerras e das opções que lhes tinham custado vidas e mortes. Das coisas que tinham vindo dar voltas ao povo que agora se contorcia na amálgama de buracos negros em que tinha caído. Ninguém sabia de quem era a culpa, os argumentos eram muitos e a discussão seguia acesa, cada um com a visão do seu próprio tempo. Falava-se de indiferença, de engano e de valores.
Emerson, no entanto, falava do mundo que deveria ver-se peça a peça, o sol, a lua, os animais, as árvores e que o todo em que todas estas partes brilhavam como um só era a alma. A alma que todos pareciam ter esquecido.
John Kenneny não tinha podido comparecer, não era seu hábito mas as costas não lhe tinham perdoado naquele dia e Jackie tinha insistido para que ficasse em casa ao invés de participar do que chamava as tertúlias filosóficas ou reuniões políticas dos amigos.
Do outro lado da sala, Lord Byron fumava calmamente uma cigarrilha de baunilha, sentado no parapeito da Janela, enquanto recitava versos para a lua que Neruda ia compilando, traduzindo-os imediatamente para espanhol. Simplesmente sublime de observar.
Cá em baixo no Jardim de Inverno Octávio Paz, Sabines, Vargas Llosa, Miguel Angél Asturias e Júlio Cortázar trocavam ideias, atiravam linhas de poemas que se dissipavam no ar como fumo, entre um ou outro bafo de cachimbo. De vez em quando gritavam bocas aos americanos. Barbaridades dizia-se que diziam, outras vezes assentiam simplesmente com a cabeça, entreolhavam-se com ar de acerto e respeito e talvez uma ponta de admiração. Era raro. Mas dessas vezes não gritavam, não diziam nada. Lá em cima eles saberiam que era um sinal de apreço.
Depressa voltavam às linhas inquietas dos seus poemas, às actualidades das suas nações hispano-americanas, sem dar muita importância aos americanos que lá bem no fundo consideravam uns brutos, exploradores de ouro, desprovidos de uma ponta sequer de humanidade. Mas isso era no antes. Agora reuniam-se todos, davam apertos de mão vigorosos e trocavam ideias sobre os trabalhos de cada qual, ao sabor do whisky e dos charutos do final da noite.
Pessoa entrava e saia inquieto. Coisas do ópio talvez. Coisas da vida. Comentava com Paz, ajoelhado ao seu lado na cadeira. Onde andará… Onde andará? Voltando novamente a sair. Ninguém sabia o que procurava mas também ninguém parecia muito preocupado em ajudá-lo a encontrar. Mas ele entrava e voltava novamente a sair da sala com o livro debaixo do braço e olhava esperançado para Paz enquanto dizia incomodado que era uma estupidez, tudo. Uma loucura. Paz olhava-o confuso e encolhia os ombros, sem saber do que falava.
- Tenho que me deixar disto Octávio. Já não tenho idade nem cabeça para estas coisas... E o Mário já chegou velho amigo? Tenho uns poemas para lhe mostrar. Hoje não tenho assunto a discutir com nenhum de vós. Ando incansável e inconsequentemente à procura de uma coisa que não encontro e hoje não estou dado a politiquices ou tão pouco versices se é que se pode dizer assim. No teu portunhol lá me entenderás... É que anda aí outro poeta, um como nós que escreve sem lhe saber de onde. Al Berto parece-me. Tenho que lhe dar uma palavrinha com o Mário que só está cá hoje. Digno de mérito o tal sujeito mas já não é do nosso tempo. Entretanto deixo-vos, o Mário não chega e tenho umas aguardentes a pagar lá em baixo no Martinho. Ainda não perdi a esperança de encontrar aquilo que perdi pelo caminho. Talvez um deles chegue enquanto vou e venho.
Deixara-os entregues cada um a seu assunto, aos seus charutos e ao seu whisky, passando apressadamente pela escadaria de onde Shakespeare tinha caído e Tennyson se ria cá em baixo com todas as forças que tinha.

Foi então que o vi, sentado atrás do cortinado que dava acesso a um dos camarotes daquele andar.
No colo tinha um livro e na mão um copo de Whisky com pouco gelo como era seu hábito.
Aproximei-me sem me querer fazer notar apenas para observar o que fazia, não podia acreditar que tinha estado ali sentado todo aquele tempo, com toda aquela comoção do lado de fora da sala.
- Sei que estás aí, já te vi - disse. Vieste ver o espectáculo foi? Eles não falam de mim, sabes. Falam de coisas que pensam ter sido a minha vida e dizem-nas entrelaçadas nos meus textos e nos meus poemas, como se de uma simples historieta se tratasse.
- Eu sei. Quer dizer não sei, ainda não vi. Mas sei que não podiam falar de si...
- De ti. Falar de ti. Trata-me por tu. Nunca gostei dessas coisas não era agora depois de morto.
- Mas como é que... eles não me vêm e você... desculpa tu.
- É daquelas coisas. Já te tinha visto por aí a olhar para eles, eles é que ainda não me viram, é conforme lhes apetece. O Pessoa até quer falar comigo, nem sei de quê, ele já viu a peça, não traz nada de novo, basta ler o que escrevi todos estes anos e nunca ninguém leu ou deu o devido valor, só agora e nem assim entendem.
- Era para se entender que escrevias?
- Era eu, só. Quem entendesse que quisesse. Que tirassem de lá o que fosse para tirar. Eu sempre escrevi livremente e vivi de igual forma também, mas eu sei que tu sabes disso.
- Sei, ainda me lembro de si.. de ti. um dia, que nos cruzámos muito rapidamente.
- Deveria dizer-te que não lesses os meus poemas. Era mais sensato.
- Devo dizer-te então que não consigo deixar de os ler. Antes deixasse de fazer tantas outras coisas e fosse mais sensata.
- E devias. Não de ler, mas de deixar. És sensata, mas ainda és muito nova para essas coisas, eu lembro-me de ti quando ainda eras nova ainda... mas há coisas que se sabem sempre. E eu sei que tu sabes. Há coisas que nunca mudam, por mais que nos digam ou nos tentem enganar.
- Eu sei e vou.
- Então anda vai, já estão a fechar as portas da sala, depois não entras.
- Mas há tantas coisas que lhe quero perguntar…
- Eu sei, mas não há tempo, nem hora.
- E eles?
- Ficam por aí…
- E tu?
- Ficamos todos, eu também. Sei o que me queres perguntar, mas posso dizer-te que hoje lhes troquei os textos. Sabia que vinhas cá. Procura a Carta da Flor do Sol, eles dizem-na para ti… "Vou partir". Sei que é o teu preferido.
- Eu também vou... partir. Obrigada. É mesmo o meu preferido.
- Até um dia.
- Até um dia...


“vou partir
como se fosses tu que me abandonasses
o último sonho que tive era estranho
via o fundo límpido duma rua estreita
que desembocava num largo iluminado
havia leões empalhados nos passeios em areia solta
já não me lembro bem
parece que uma mulher avançava com um envelope na mão
estendia-mo e gritava
mas eu não conseguia perceber
insultava-me muito provavelmente
tinha a cara escondida por um pano branco bordado
apenas via a sua boca enorme abrir-se
e furiosamente engolir a púrpura do ar
que envolvia as cabeças reclinadas dos leões
ouvia o buzinar nervoso dos carros
exactamente como se ouvem agora
mas não conseguia vê-los
depois
um rapaz apareceu a uma esquina e reconheci-te
uma voz gravada na memória acompanhava-nos
quando nos dirigimos um para o outro
em câmara lenta
ouvíamo-la sussurrar: procuro-te
no interior as penumbras no esquecido sal
das casas abandonadas à beira-mar
procuro-te no perfume excessivo do mel
armazenado pelas abelhas no entardecer das pálpebras
vem
mergulha as mãos no troco das árvores
suspende a noite da longa viagem
estás a naufragar
o espelho quebrou-se e tu já não reconheces as paisagens
o corpo estilhaçou-se...


tinhas a cara mascarada com sangue quando a voz silenciou
a mulher ria
eu corria para ti sem conseguir alcançar-te
sentei-me na cama
veio-me do fundo da idade o momento em que nos conhecemos
resolvi levantar-me a meio da noite e escrever-te esta carta

sabes
por vezes queria beijar-te
sei que consentirias
mas se nos tivéssemos dado um ao outro ter-nos-íamos separado
porque os beijos apagam o desejo quando consentidos
foi melhor sabermos quanto nos queríamos
sem ousarmos sequer tocar nossos corpos
hoje tenho pena
parto com essa ferida
tenho pena de não ter percorrido teu corpo
como percorro os mapas com os dedos teria viajado em ti
do pescoço ás mãos da boca ao sexo
tenho pena de nunca ter murmurado teu nome no escuro
acordado
perto de ti as noites teriam sido de ouro
e as mãos teriam guardado o sabor do teu corpo.

....

caminhamos em direcções opostas
ou melhor
eu caminho enquanto tu não existes.”


Al Berto (1948 – 1997)

O Medo - Antologia 1974 - 1997
23 anos de obra com 23 meus de vida


Obrigada, Al Berto.

Monday, March 30, 2009

Hoje lembrei-me...

...que escrever é confessar-se.


Estranhamente as palavras têm-me escorrido das pontas dos dedos todos os dias, parecendo que nascem das minhas unhas gravitadas para o papel, ou simplesmente desse movimento frenético que arrepia a pele da ponta dos dedos à medida que me sobe pelo braço, com o bater vertiginoso das teclas do computador.
O cérebro não acompanha, não consegue.
É aqui que se distingue perfeitamente a debilidade da cabeça, da razão se assim o quiserem, em acompanhar aquilo que os sentidos mandam sem pedir permissão.
Eu por mim confessava tudo. Desde a ponta do cabelo mais longo até ao limite da unha do pé.
Hoje, inesperada e insanamente apeteceu-me fazer uma loucura.
Uma daquelas loucuras do antigamente, a uma segunda-feira à noite, nem mais, simplesmente porque sim.
Loucamente... Apeteceu-me ir fazer corridas com o vento na auto-estrada, pinos e trapézios por trás das ruas e dos muros onde passeiam os gatos vadios, jogar ao toca e foge com duas amigas de longa data, pensar de menos e sentir demais.
Mas lembrei-me que a realidade é outra e que tenho andado a dormir acordada.
Sonhar acordada, perdão. Mas a verdade, essa é que não gosto de sonhar a dormir, por isso ando a dormir acordada, sem saber onde ando a dormir, nem sequer onde estou acordada. Tal como não se consegue acordar de um sonho ou de um pesadelo, é igualmente impossível acordar de um sonho que se tem acordado.
Experimentem querer decidir. Não acordam.
O sonho vai até onde ele próprio quer, deixando apenas que se acorde quando ele achar que deve ser.
Mas não, não fiz nenhuma loucura.
Sentei-me a deixar que as palavras escorressem para onde e como quisessem.

Já gastei a minha parte de loucura desta década, fiquei a dever-lhe uns quantos contos de reis, mas ela sabe que não lhe posso pagar e por isso não me procura. Como não gosto de ficar a dever nada a ninguém, fizémos um acordo, eu não a uso e ela não me cobra.
No entanto, não me consegue garantir ninguém que ela não me use a mim e ainda por cima me cobre.
Mas dizem que a realidade é outra.
E a loucura não cobra escrever coisas nobres, mas desprovidas de sentido. Deve-me fazer bem escrever barbaridades. E pensá-las também.
O que se tem não se deve deixar transbordar, é um desperdício. Acaba por ser uma pena.
Mas confesso-me noutro dia.

Escrevo só... já te pedi tantas vezes e tu nunca me ouves.
Não vejo para quê confessar-me...



Saturday, March 28, 2009

A alma entende e a boca cala...

"Pior do que se sentir perdido é perder-se em si mesmo.
No emaranhado do que você acredita misturado ao que você é ou era.
O que você acredita, apostando corrida com o que você mais detesta.
O que você tem, jogando palitinhos com o que você quer.
Seu amor e suas dores na linha de chegada e o coração de juiz em dia de clássico.

Eu não sei se você entende o raciocínio de quem não tem raciocinado ultimamente ou se entende o porquê de certas coisas que não se explicam.

Quando a cabeça não pensa o corpo padece. Mas quando a cabeça pensa demais será que nossa alma enriquece?

Você cheio de indagações e de tácticas que não fazem o menor sentido. (pelo menos para você ou pelo menos naquele momento).

As suas certezas mudam, as suas prioridades deixam de ser prioridades já que você nem sabe mais o que deseja. Até sabe, mas está tão longe e você está tão cansado que o mais fácil é deixar que as prioridades te encontrem e você pode fugir do que não interessa.
Seus princípios enfraquecidos te cobram uma atitude e você cobra a coragem.

Os seus olhos pesam e seu coração já bate fraco. De tanto que bateu a vida inteira. De tanto chorar amor e fracassos.
De tanto chorar pelo leite derramado você decide que se entender é complicado demais.
O quente queima e o frio é gelado demais, vai o morno mesmo que não causa sensação alguma e no momento você não tem sequer condições de sentir o que quer que seja. Sentir dá trabalho e trabalho acarreta uma série de responsabilidades. Responsabilidade é chato demais e não aquece seus pés nos dias frios.

Você enfim, opta por decidir somente pelo necessário. Pelo que realmente vai fazer alguma diferença em sua vida e desiste de tentar equilibrar-se, isso é para artistas circenses e você nem gosta assim tanto de circo. Melhor deixar assim.

Uma porta de saída e uma de entrada. O que vale fica e o que não vale que valesse. Nada de culpa ou de noites mal dormidas, nada de coração na boca ou de frio na barriga.

Certas coisas não se explicam. Não existem palavras que as descrevam ou soluções que as resolvam.
Sentimentos, gestos, sonhos e sorrisos.

A alma entende e a boca cala..."

Wednesday, March 25, 2009

Parte-me o Coração... Porque também Tu me deixas...

Custa-me vir para casa, chegar e ver-te assim. E saber.

Ainda não consigo acreditar que também tu num destes dias próximos me vais deixar.

Odeio, simplesmente odeio a impotência de não conseguir fazer nada, eu que te criei, todos estes anos.

Nada...

Não sei como vai ser... Não sei. Não sei. Não sei...

Thursday, March 19, 2009

"Balada para os nossos filhos"...






"¿En que lugar, en donde, a que deshoras me dirás que te amo?
Esto es urgente porque la eternidad se nos acaba..."


Sei que ainda rebola cá dentro um certo... rancorzinho, vá.
Mas felizmente muita coisa mudou. Em tanta coisa.
Por isso, e sendo que aqui vai mais um:
Que tenha sido Feliz.
Até que foi e talvez um dia, um dia quem sabe.
Eu espero. Ou pelo menos tento aceitar.
Mas a eternidade, nem essa... dura para sempre.

Saturday, March 14, 2009

There's something really wrong here...

Sala cheia na penumbra, calor humano, até demais. Da música a vibrar sente-se a batida forte, seca mas sentida, daquela que me passa um arrepio pelo corpo e me faz correr o pensamento.
Estão todos ali, todos. Ou quase. Caras familiares, outras estranhas, mas o ambiente é calmo e de aura amena.
Com um pouco mais de luz vêm-se vários corpos a deslizar entrelaçados, agarrados para quem quiser dizer, mas como dizia o Kwenda, a kizomba não são dois corpos, é apenas um que se funde dos dois e paira completo ao ritmo do sentimento que sai da música.
Do lados vêm-se esses vultos, com um pouco mais de luz vinda das janelas abertas. Um ou dois, conforme o sentimento, conforme a batida.
E páro. A meio duma kizomba... dançando sem dançar... os pés continuam, mas o corpo não.
Páro porque tenho... e penso... Não faz sentido...
Será que isto vai ser sempre assim?
Será?
Será que ela tinha razão?
Quantos mais meses, mais anos terão que passar?
Quantos?
Eu não sinto nada.
Absolutamente nada.
Como é que é possível?
Simplesmente - Não Sinto.
Nada.
Mas estão todos ali. Riem, entrelaçados ou afastados, dançam a deslizar pelo soalho envolto na penumbra da sala que deixa ver apenas para os mais atentos o que dois se pode tornar em um.
Muitos dois, alguns uns, sempre na penumbra. Na cumplicidade.
Há qualquer coisa que está muito errada aqui.
Sinto. Tem que estar.
Porque eu não sinto,
absolutamente,
nada.

Thursday, March 05, 2009

Sakura

Hoje nasceram jarros e lírios roxos. Pela primeira vez neste ano, neste novo ciclo no jardim que posso chamar meu há mais de 15 anos e que me faz sempre lembrar, quando me esqueço de quem sou.
Apanhei-os para os pôr numa jarra do meu quarto, mas quando subia as escadas vi-te e sorri. Estendi a mão e disse-te que as ia pôr numa jarra mas que tas queria dar a ti.
Sentei-me na sala e fiquei uma vez mais deliciada a olhar para ti enquando mexias nos teus papéis e nas tuas revistas completamente absorto da maneira como eu sempre te fito e que consegue encher-me de felicidade, pelo simples facto de estares ali, sem me exigires nada, nem a minha conversa, nem o meu silêncio, apenas que esteja, como tem sido desde sempre.
Há uns dias senti uma falta de ar estranha, falta essa que tenho sentido à já algumas semanas, porque cheguei a casa e não te encontrei e soube pelo telefone que estavas no hospital.
Descansei apenas quando chegaste e mais uma vez, pedi-te que te sentasses ao meu lado para que descansasses tu também, mas tu não quiseste. E no silêncio, esse em que partilhamos tudo e é sempre só nosso, continuaste na tua azáfama a preparar um chá ficando eu a olhar-te sentada no banco da cozinha, com aquela sensação de que tudo está em ti, passando por mim, aquela felicidade que está sempre intacta, mesmo quando por vezes não estamos de acordo.
Olhei-te com algum peso, com aquela falta de ar estranha, o foco no teu coração.
Se pudesse, pensei, se pudesse dar-te-ia o meu coração para que ficasse no lugar do teu.
Se pudesse, arrancava-o apenas, porque tenho medo. Tanto medo que o teu um dia se canse e queira parar de fazer o seu trabalho.
Sei que o meu já traz algum peso, que não tem só coisas bonitas lá dentro, que leva já marcas negras e onde vão tantas pessoas que já o carimbaram. Pesa um pouco. Mas tem tanto lá dentro ainda, tanto que transborda por vezes e se perde. Mas eu arrancá-lo-ia para to dar se pudesse, mesmo que o meu peito ficasse vazio e a falta de ar que sinto fosse para sempre, dar-to-ia porque te amo incondicionalmente. Por tudo o que és, mesmo as coisas mais feias, mesmo as que eu não consigo compreender.
Olhei-te e senti vontade de mandar as mãos ao meu peito, olhando o teu... de pelo menos estendê-las e tocar o teu lá bem no fundo para poder aconchegar o teu coração entre elas nesta coisa tão grande que sinto cá dentro, para que ele tivesse mais forças e recuperasse essa energia que já lhe vai faltando...
Nunca te disse estas coisas, talvez nunca diga nem nunca as leias, mas digo-to sempre através dos meus olhos que fitas nos dias em que estás mais feliz e me abraças tão forte quando chego ou quando eu simplesmente to peço com os braços à tua volta, que me abraçes forte, tão forte quanto possas e tu me dizes que mais forte me sufocas.
Eu não me importo. Que me abraçes só e me sufoques se fôr preciso.
Porque eu te amo incondicionalmente e só to sei dizer assim, através do meu abraço e dos meus olhos.
É nestas alturas que me lembro sempre de quando era criança e me passeavas nos teus ombros pela praia e me levavas pela mão lá no Seixo para que toda a gente visse que era eu a coisa mais preciosa que tinhas.
Não preciso que mo digam, apesar de sempre mo virem dizer que lhes contas como estou bem e como tens tanto orgulho em mim. Os teus olhos por vezes enchem-se de lágrimas quando o dizes, é raro, mas quando o dizes os meus também.
Ás vezes tenho saudades de passear contigo na praia à beira mar, de fazer castelos que levem as ondas, porque agora tudo é diferente mas há coisas que nunca mudam.
Os meus pés têm já saudades dos grãos quentes da areia da praia, os meus olhos e a minha pele saudades do áspero do sal e minhas mãos... as minhas mãos já tinham saudades do toque aveludado das flores do jardim.
Só ontem me apercebi quando nasceram os jarros e os lírios, que a Primavera deste ano chegou, porque fui à janela e vi as florzinhas brancas a nascer em todas as árvores do jardim.
Fechei os olhos e sorri, continuava a ver as flores brancas, como as vejo nos longos corredores dos jardins de cerejeiras brancas no Japão. Infindáveis... magníficos, e sempre tão perto que lhes posso tocar se apenas estender a minha mão.
Levantei-me para pôr as flores numa jarra da tua mesa-de-cabeceira para te animar o quarto e depois de um sorriso saí para o jardim com um até logo.
Agora sei que tudo é diferente, mas sei que ainda um dia havemos de passear outra vez pela praia e um dia te levarei a voltar a ver a tua terra, a tua simplicidade não me pede nada, mas o que tenho é meu para te dar.
Por agora sei que ficas bem. Não tenho flores de cerejeira para te dar, mas tenho flores.
Dar-te-ia flores de cerejeira porque foste um guerreiro, viveste com precaridade e a tua alma é pura, como deve ser a alma de um bom homem, de um guerreiro, assim como está escrito no Hagakure.
E tu viveste como um guerreiro sempre. E por isso tento homenagear-te sempre, enquanto estás aqui comigo. Um dia terei também flores de cerejeira para te dar, garanto-te.
Pelo que simbolizam, pelo que simbolizas para mim. E nem que tenha que ir até ao Japão, ao fim do mundo que seja, irei trazer um dia flores de cerejeira para te dar.
Não te vou desiludir nunca nem que vá até ao fim do mundo, porque a minha força dura até que ele chegue ao fim, para tudo. Mesmo que não possa nunca arrancar o meu coração para pôr em lugar do teu.
Um dia trago-te flores de cerejeira. Prometo. E eu nunca falho as minhas promessas.
Agora só tenho abraços e sorrisos para te dar. E flores.
Porque hoje só nasceram jarros e lírios. E sei que só isso te chega, mais o tanto que tenho sempre para te dar.

Friday, February 27, 2009

Filhos (I)legítimos

I

Eram seis da manhã.
A luz era já demasiado intensa, o corpo parecia-lhe demasiadamente pesado e no táxi sentia ainda o cheiro do fumo da noite completamente impregnado no cabelo.
Os pulmões estavam pretos do tanto que conseguia ver. Podres até. De respirar aquele ar que a sufocava, aquele ar que não se explicava como nem porque chegava mas que estagnava sempre, num qualquer ponto mais próximo do caminho.
Os ouvidos ainda zuniam surdos da música que lhe ecoava na cabeça e lhe escorria pela pele.
Os olhos, esses já mal se abriam porque a cabeça os semicerrava muito, com a intensidades do ainda premente barulho das luzes.
Atirara com as sandálias uma para cada canto, o vestido ficara no meio do chão e deixara apenas que o corpo pesado caísse em cima da cama.
O cabelo não lhe cheirava a framboesa como era habitual. Aliás nada lhe cheirava a nada.
Eram quase sete e meia da manhã quando acordou com a televisão ligada e os raios de sol a entrarem pela janela, ao sentir o desconforto das duas almofadas que tinham ficado contra a cabeceira a cama.
Depois de apagar a televisão e retirar as almofadas tentara esquecer a luz do dia e voltara novamente a adormecer. No entanto a luz acordava-a, quase de hora a hora e o cansaço era tanto que nem com as constantes tentativas de adormecer lhe parecia que efectivamente descansasse. O coração batia forte contra o colchão, ouvia-se, sentia-se ribombar entre as molas, a ameaçar querer saltar-lhe da boca, parar simplesmente ou se no entretanto não, até lá tinha a certeza que ele congeminaria com o seu cérebro para que a deixassem completamente louca, enquanto todos os demónios, aqueles que pelo menos um dia tinham sido, teimavam em lhe passear calmamente pela cama.
Pensou talvez que ele tinha que se vingar do mal que lhe fazia, para ver se a acordava para a vida, já que ela parecia não querer acordar da espécie de trajectória mórbida em que se envolvera.
Dera voltas e voltas na cama. Voltas a mais quando ouviu que a mãe lhe falava e lhe explicava, coisas que ela teimava em não perceber, em não aceitar, mas que no fundo sabia que a volta não tinha outra curva e que era impossível, impossível fazer inversão de marcha e poder voltar-se atrás.
A dor no entanto era coisa quem ninguém lhe conseguia tirar. Entendia, explicara-lhe, quase que aceitava, mas a dor, essa parecia impossível de se lhe poder arrancar.
Impossível porque nem aquelas escassas horas em que tudo se entrelaçava no nada lhe davam descanso nem paz de espírito. Não lhe davam nada mas também não lhe tiravam tudo. Parecia. Mas não se conseguia conformar, nem voltar as costas. Nem dizer que não aos amigos, nem à sua cabeça que essa sim estava cheia, sempre cheia e teimava em não a deixar em paz.
- Então e tu não lhe podes telefonar, não o podes chamar? Tens a certeza que ele sabe onde é que nós moramos?
A resposta já a tinha ouvido vezes e vezes sem conta e havia muitos anos já que se deixara de a perguntar, mas a imagem essa ainda persistia. Via-se com uns 7 ou 8 anos, ali à espera, sendenta do que não conhecia, de nada. De ninguém.
Voltara a acordar, o telefone tocava em cima da mesa-de-cabeceira.
- Diz Ariella…
- Olha o Rodrigo partiu a cabeça linda. Vê se me podes vir substituir. Desculpa não te queria dizer isto pelo telefone mas a professora Susana tem que ir tratar dos papéis e não pode cá ficar.
- Sim eu vou… mas que papéis?
- Desculpa linda, a comissão de menores veio hoje de manhã buscar o Luís.


II

- O Interesse… o interesse… - voltara a distrair-se num pensamento e parara subitamente de falar.
Do gabinete do médico conseguia sempre ouvir o som dos comboios a deslizar nos carris, conseguia ouvir as buzinas, os apitos de chegada e de partida e as vozes que as anunciavam nos microfones da estação. Ouvia sempre o som do fluir daqueles mesmos comboios como se ouvisse o som de todas as viagens que ainda fariam, como de todas as viagens que ela já tinha e por outro lado ainda não tinha feito.
No gabinete ao lado a outra ainda gritava:
- QUERO A METADONA.
Tornava a repetir a frase duas ou três vezes, gritando e soluçando entre barulhos de objectos que se partiam e minutos depois deixando novamente de se ouvir.
- E então o interesse?
Leonor pensara. Vira-lhe então claramente três lados como via sempre em qualquer outra coisa que tentasse analisar ou até compreender para aconselhar alguém. Para ela acabava por fazer o mesmo, mas era sempre mais difícil.
- Interesse é o que ele sente por ela. Um interesse que eu não entendo qual seja, mas um interesse que me dói porque não o consigo perceber.
Hesitara.
- Depois vejo o que ele sentiu por mim. Um interesse que ainda me dói mais porque é um interesse fundamentado. Um interesse que me foi demonstrado na forma de elogio, de uma valorização com profundidade. Entende?
O médico ia pedir-lhe que lhe explicasse, mas ao abrir a boca o som da pergunta tinha sido abafado pelos gritos do gabinete seguinte:
- LARGUEM-ME, Larguem-me! Quero a metadona, ouviram?! Quero a puta da metadona AGORA seus filhos da puta. Agora! Ou eu vou lá para fora e mato-os todos outra vez. LARGUEM-ME.
Os gritos e a raiva pareciam desta vez ter subido de tom, à medida que se foram também ouvindo os sons de cadeiras e mesas a partir contra as paredes e o chão. O médico olhou-a com alguma desconfiança e depois de conseguir que o seu olhar se fixasse de novo, decidiu então falar:
- Ia perguntar-lhe se achava que ele tinha sido sincero.
Ela hesitara, confusa pela indiferença.
- Doutor não o incomoda?
- O quê?
- Os gritos… Não o incomodam?
- Que gritos… Ouviu algum grito?
- Como é que pode não ouvir… está uma louca a gritar do outro lado da parede. A plenos pulmões. Sobre uma porcaria duma droga…
- Incomoda-a ser por causa disso?
- Sei lá porque é que me incomoda, incomodam-me os gritos, a angústia, o assunto.
- E quer-me explicar porquê?
- Se eu não sei como quer que lhe explique?
- E já pensou porque é que não sabe?
- Sinceramente, acho que assim não vamos a lado nenhum, você responde-me sempre a uma pergunta com outra pergunta... Sabe, é que quase que arriscaria dizer… mas eu não consigo.
- Não consegue? Quer que lhe dê uma ajuda…
- Diga…
- Pense que a mim me passa ao lado. Que quase nem a oiço. Não será bem assim, mas assim entenda-se, você percebe o que lhe estou a dizer. Se a si a incomoda, a transtorna, pense porque será. No que ela grita e porque grita, como grita. Arriscaria a dizer que pode pensar que não seria só ela, vá Leonor, corra o risco de ter a coragem de me dizer o que sabe tão bem quanto eu que quando a ouviu gritar pensou.
- Dizer as coisas é perigoso.
- Se arriscaria dizer, diga.
- Talvez…
- Talvez o quê?
- Talvez pudesse não ser ela.
- Como assim? Que não pudesse não ser ela quê?
- A gritar. Talvez que pudesse não ser ela e ser eu.
- Mas não é você pois não?
- Não.
- Então deixe isso a um lado, sim? Não estamos aqui para falar dela, estamos aqui para falar de si.

Acordara. O cabelo cheirava-lhe novamente a framboesa e não havia demónios a passearem-lhe pela cama.
Só o despertador tocava e o sol entrava-lhe já pela janela.
Eram horas de ir trabalhar.

Tuesday, February 24, 2009

Um dia...

Um dia sei que ainda hei de dançar contigo uma kizomba, numa qualquer praia deserta de Santiago ou do Mussulo...
Com os pés descalços e a alma a transbordar do inexplicável.
Num nascer do sol, entre a areia branca e o mar distante.
Contigo.
A seres tu... sejas tu quem fores.

Sunday, February 22, 2009

To dance is to live...

Ás vezes quando me perguntam se é verdade que danço e porquê, sinto quase como se me perguntassem porque respiro.
Podia dizer que é para me sentir viva, mas prefiro dizer que é porque me sinto viva.
Compreendo que para muitas pessoas seja difícil entender porque têm uma imagem que nem sabem qual é, sempre estiveram do lado de fora e nunca viram, nunca conviveram nesse meio e sobretudo nunca experimentaram o sorriso que provoca o toque de uma dança na pele, nos olhos, no corpo... na alma.
É inexplicável porque simplesmente me transcendo a mim própria.
Porque me sinto ainda mais viva e porque me exprimo sem precisar de falar, de olhar, de pedir, sem complexos, sem preocupações.
E porque vôo com os pés bem assentes no chão. Para todas as partes, para onde, com quem e como quiser.
É de facto inexplicável, só sentindo.
Simplesmente porque sou cada vez mais eu, dentro e fora, tal como sou, cada vez mais...
A cada dia que passa.

Saturday, February 21, 2009

Há coisas que não têm explicação...

Ponto.

Será?

Não sei...

Mas também nem sei se quero saber.

Friday, February 20, 2009

Sensatez e desilusão

Ontem vinha no caminho para casa depois de um longo, longo dia, talvez o mais longo nestes 7 meses (já... 7 meses??) de trabalho e quando cheguei, mesmo sem dar conta e contra o instinto de desligar o motor e sair prontamente do carro, fiquei uns minutos sentada dentro do carro até acabar uma daquelas salsas que considero um tanto ou quanto lamechas, mas que não sei porquê aperta qualquer coisa cá dentro.
Vim o caminho todo no mais puro silêncio, com a música quase em surdina, sem tecer um único comentário relativamente à estrada e aparentemente sem que um único pensamento me cruzasse a cabeça. Não me lembro de me ter cruzado com ninguém, não me lembro de ver um único carro a passar por mim, apenas tenho a imagem vaga de alguns rasgos da estrada, pelo menos até chegar quase a caneças.
No entanto, sei que durante todo o caminho só me apeteceu gritar. Bem alto. Parar num ermo qualquer e gritar a plenos pulmões, quem sabe.
Depois cheguei, acalmei.
Mas pensei.

Seria sensato?

Será sensato?

Foi um daqueles dias em que pensei que está tudo errado, em que me apeteceu chegar a casa, fazer a mala e mandar tudo ao ar, ir onde ainda não fui ou até onde já estive e ficar por lá, fazer o que ainda não fiz ou qualquer outra coisa, daquelas que ás vezes me passam pelo pensamento.
De alguma maneira, há qualquer coisa que me está a fazer sentir como que uma perda de tempo.
Será sensato estar a fazê-lo? Seria sensato deixar de o fazer?
Uma desilusão mais para os outros ou para mim mesma?
É daquelas coisas, e hoje é ja outro dia.
Ontem foi passado, hoje é já Presente, todos os dias, como uma caixinha de surpresas.

Monday, February 16, 2009

Renovações ;)

Ora bem este post vai com alguma calma, que ele ainda não está totalmente pronto...
Ainda está digamos que a sair do forno, mas está quaseeeee.

Como inspiração usei-me a mim, as brisas que passam por mim, as viagens, os sonhos, os sentimentos, as miragens, as experiências, os infinitos...
E aproveitando a disponibilidade de um colega/amigo, aceitei que se fizesse um "xuunning" aqui ao blog da je e deu nisto...
Acho que está um máximo, não acham??
Entretanto, posso dizer desde já que não foi só o blog. Foi uma série de coisas que têm acontecido nos últimos tempos que me têm levado a despertar para grandes mudanças internas e que se traduzem igualmente do outro lado, aquele que todos vêm mas que eu efectivamente sinto para transmitir.
Estou a aprender a relativizar, bom não??!
A ver as coisas com outros olhos, mais atentos talvez, mais maduros, de fora pra dentro, de dentro pra fora, simplesmente como fôr ou como tiver que ser.
Renovações são sempre precisas, e a mudança seja ela qual fôr pode vir quando quiser, será sempre bem-vinda!

Mas não podia deixar de acabar este post com um agradecimento ao K@.
Um Grande Bem-Haja!!! ........... 16 MAN BR BR, ou devo dizer... BR RS ou até HD hehehe :)

Sunday, February 08, 2009

VIVE

Quem morre?

Morre lentamente
Quem não viaja,
Quem não lê,
Quem não ouve música,
Quem não encontra graça em si mesmo

Morre lentamente
Quem destrói seu amor próprio,
Quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente
Quem se transforma em escravo do hábito
Repetindo todos os dias os mesmos trajetos,
Quem não muda de marca,
Não se arrisca a vestir uma nova cor ou
Não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente
Quem evita uma paixão e seu redemoinho de emoções,
Justamente as que resgatam o brilho dos
Olhos e os corações aos tropeços.

Morre lentamente
Quem não vira a mesa quando está infeliz
Com o seu trabalho, ou amor,
Quem não arrisca o certo pelo incerto
Para ir atrás de um sonho,
Quem não se permite, pelo menos uma vez na vida,
Fugir dos conselhos sensatos...

Vive hoje !
Arrisca hoje !
Faz hoje !
Não te deixes morrer lentamente !

NÃO TE ESQUEÇAS DE SER FELIZ...

Tuesday, January 20, 2009

Fear. Fear of failure, Fear of Rejection, No Fear.

That knowing is better than wondering,
that waking is better than sleeping,
and even the biggest failure,
even the worst,
beat the hell out of never trying.

Sunday, January 18, 2009

Hoje aprendi...

Uma coisa muito importante sobre nomes...
talvez sobre a vida também.

Sempre me perguntei como seria possível a minha memória ser tão fantástica ao ponto de conseguir decorar todos os nomes que oiço quase sem nenhum esforço com associação total desde o primeiro momento a que proponho.
Facto é, que quase sem me propôr, ela chega a ser tão fantástica que integra todos os nomes, caras, situações e acontecimentos que tenham já feito algum curso nesta ainda tão curtinha vida minha, e para cúmulo ainda se dá ao luxo de guardar pormenores que não interessam para nada nem a ninguém mas que só eu me lembro e que mesmo que tente apagar muitas vezes tudo perdura.
Ora ela agora está a tornar-se mais selectiva, ainda assim consigo observar que os nomes sempre foram uma coisa que me intrigou porque raras foram as vezes em que fui capaz de esquecer um único.
Perguntaram-me já várias vezes, como conseguia saber em apenas algumas semanas o nome do quase todos os jornalistas que trabalham ali, mais as pessoas da produção nacional, das promoções e outros departamentos. A pergunta era mais ou menos essa... como consegues decorar assim os nomes deles todos e ainda por cima os apelidos...
Ora, sempre que me fazem esta pergunta encolho os ombros e automaticamente respondo com um sorriso que quando dava aulas, dos meus 188 alunos sabia o nome e o apelido de todos, identificando imediatamente a cada um a sua respectiva carinha laroca e muitas das vezes, a pura das verdades é que sabia de cor os nomes completos de muitos deles sem ter sequer que olhar para o livro de presenças.
Talvez a memória seja uma coisa com a qual fui abençoada poderia facilmente concluir-se, mas a verdade é que não, e a verdade é que hoje aprendi realmente uma coisa muito importante sobre o sofrimento, sobre a importância que se dá a uma coisa e sobre aquilo que venho a falar desde o início deste post: os nomes.
Sou uma eterna amante das pessoas, admito. Simplesmente fascinam-me. Tanto, ao ponto de nem sequer precisar de pensar sobre isso e já estar a associar o seu nome à sua cara, à sua personalidade.
No entanto, se pensarmos bem este não é um ponto muito comum entre a maioria das pessoas, a maior parte queixa-se frenquentemente e pede desculpa por não se conseguir lembrar ou fixar o nome da pessoa a quem pede uma coisa ou com quem está a falar. Assim, admito que já pensei muitas vezes que não são assim tantas essas vezes que tenha ouvido o meu próprio nome nesta minha curta existência, apesar de me ter ouvido muitas vezes pronunciar o nome das muitas pessoas que já cruzaram a minha vida.
Eis agora que se prende aquilo que aprendi hoje. A essência de pronunciar um nome.
O nome é aquilo que me parece a mim que dá substância ao todo que constitui uma pessoa.
O nome é o que existe quando uma pessoa está presente nas nossas vidas ou que fica guardado quando ela parte, porque é isso que liga a pessoa a uma designação do que é ou do que foi.
O seu nome. Seja ele avô, João, pai, Joana, mãe, Pedro, Sara, Ricardo, Tatiana, José, tio ou qualquer outro nome que identifique essa pessoa com aquilo que ela é para nós.
Segundo parece, a razão pela qual muitas vezes "escolhemos" não saber ou não pronunciar os nomes das pessoas prende-se com o facto de sofrermos mais quando um dia elas deixam de fazer parte da nossa vida. Seja por morrerem ou sairem dela simplesmente por uma outra qualquer razão causada ou não por nós.
E daí talvez seja esse o segredo, uma coisa que não tem nome é uma coisa que nunca é porque nunca chegou a ser, não tem denominação, nunca sendo nomeada nem para si nem para ninguém. Nameless so to say.
Daí que os nomes possam muitas vezes ser omitidos para que não custe tanto um dia mais tarde, para que aquilo que não se associa a um nome possa mais facilmente ser esquecido.
Talvez também seja aí onde peco e onde por vezes também me agarre apesar de sentir não dispor de grande escolha devido a esta minha memória fantástica.
Assim, talvez com isto que aprendi sobre os nomes me dê por vezes as escolha de fazer o que tantos fazem e associar apenas o mais simples, de me permitir esquecer que um dia foram tão importantes esquecendo o seu nome, e de levar com os vierem uma pequena simplicidade de saber mas não carregar o peso, que um nome me parece agora trazer sempre consigo.