Outro para partilhar, para pensar e para opiniar.
Já tinha lido, mas encontrei-o agora publicado no bog do Fernando Alvim, do nosso Miguel Esteves Cardoso.
Que preciosidade... Ninguém poderia ter feito melhor apanhado.
Deu-me para publicar coisas dos outros agora... ok, caso para dizer "quem me dera ter sido eu a escrever", ou qualquer coisa assim, mas este também vale a pena!
Uma leitura obrigatória.
Espero que gostem.
Elogio do Amor
por Miguel Esteves Cardoso
"Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas.Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber.
Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo. O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão.
Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.
Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e é mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões.
O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática.
O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço.
Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, banançides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas.
Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?
O amor é uma coisa, a vida é outra.
O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental".
Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos.
Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade.
Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo.
O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. é uma questão de azar.
O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra.
A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina.
O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima.
O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente.
O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.
O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessýria. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser.
O amor é uma coisa, a vida é outra.
A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.
Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz.
Não se pode ceder. Não se pode resistir.
A vida é uma coisa, o amor é outra.
A vida dura a Vida inteira, o amor não.
Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."
Friday, May 26, 2006
Wednesday, May 24, 2006
Quase
Para partilhar, para pensar... para opinar.
E que tal viver-se sempre no verão em vez de se viver no outono?
Há de haver sempre dias de inverno, todos os temos, mas era bom daqui a muitos anos não se ter a memória apenas cheia de quases mas sim de coisas completas e significativas, quando se tiver efectivamente tempo para pensar, nos dias de inverno que forem chegando e teimarem em não passar.
Viver no verão todo o ano...
Parece-me perfeito, mesmo em dias frios de chuva andar descalço em casa e sentir sempre, nunca deixar que se sinta o nada.
Para não quase se viver, penso essencialmente que há que viver sem "quases" ou sem "meios nadas", para que se vivam e se lembrem sempre mais do que ocos e meios "coisas nenhumas".
E aqui fica.
Quase
Luiz Fernando Verissimo
Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase.
É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou.
Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono. Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados.
Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si. Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance; para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.
Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar a alma.
Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.
Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.
Que passem talvez mais depressa os dias de inverno...
E que tal viver-se sempre no verão em vez de se viver no outono?
Há de haver sempre dias de inverno, todos os temos, mas era bom daqui a muitos anos não se ter a memória apenas cheia de quases mas sim de coisas completas e significativas, quando se tiver efectivamente tempo para pensar, nos dias de inverno que forem chegando e teimarem em não passar.
Viver no verão todo o ano...
Parece-me perfeito, mesmo em dias frios de chuva andar descalço em casa e sentir sempre, nunca deixar que se sinta o nada.
Para não quase se viver, penso essencialmente que há que viver sem "quases" ou sem "meios nadas", para que se vivam e se lembrem sempre mais do que ocos e meios "coisas nenhumas".
E aqui fica.
Quase
Luiz Fernando Verissimo
Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase.
É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou.
Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono. Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados.
Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si. Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance; para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.
Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar a alma.
Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.
Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.
Que passem talvez mais depressa os dias de inverno...
Sunday, May 21, 2006
Azul memória de Sal
"Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças..." F.P.


E o melhor do mundo são mesmo as crianças.
Basta o olhar de uma delas com aqueles olhos enormes cheios de alma ainda pura que dizem tudo quando parecem dizer apenas nada, para uma alma se lavar da descrença.
Neles onde a inocência é eterna e só o amor cego tem lugar.
Para o Daniel:
O meu olhinhos de sal, sem me dar nada deu-me paz e mostrou-me a inocência.
Tanto... e sem pedir nada. Ainda me custa a creditar como nunca choraste, como nunca estiveste irrequieto e não desviavas os olhos de mim quando me afastava.
Mas ainda mais do que isso nunca me vou esquecer de como simplesmente adormeceste no meu colo.
Alma lavada.
Mas o melhor do mundo são as crianças..." F.P.


E o melhor do mundo são mesmo as crianças.
Basta o olhar de uma delas com aqueles olhos enormes cheios de alma ainda pura que dizem tudo quando parecem dizer apenas nada, para uma alma se lavar da descrença.
Neles onde a inocência é eterna e só o amor cego tem lugar.
Para o Daniel:
O meu olhinhos de sal, sem me dar nada deu-me paz e mostrou-me a inocência.
Tanto... e sem pedir nada. Ainda me custa a creditar como nunca choraste, como nunca estiveste irrequieto e não desviavas os olhos de mim quando me afastava.
Mas ainda mais do que isso nunca me vou esquecer de como simplesmente adormeceste no meu colo.
Alma lavada.
Friday, May 12, 2006
Trova do vento que passa
Nas mais impensáveis ruas podem estar as mais variadas encruzilhadas, casualidades ou fados, destinos ou lembranças. E com tantas mudanças e desmudanças, talvez precisemos mesmo de nos perder para nos tornarmos a encontrar.
"Disse-te adeus e morri, E o cais vazio de ti
Aceitou novas marés.
Gritos de búzios perdidos, O varão dos meus sentidos,
A gaivota que tu és...
Preso no ventre do mar, O meu triste respirar
Sofre a invenção das horas. Pois, na ausência que deixaste,
Meu amor, como ficaste? Meu amor, como demora!"
Perder-me para me encontrar.
Para o que me havia de dar... querer agora ouvir e sentir cantar o Fado.
Venha a marcha e o corrido e o tiro-liro-ló, mais o tiro-liro-liro que este Fado é só dó.
"Que me saiba então perder... pra me encontrar."
"Disse-te adeus e morri, E o cais vazio de ti
Aceitou novas marés.
Gritos de búzios perdidos, O varão dos meus sentidos,
A gaivota que tu és...
Preso no ventre do mar, O meu triste respirar
Sofre a invenção das horas. Pois, na ausência que deixaste,
Meu amor, como ficaste? Meu amor, como demora!"
Perder-me para me encontrar.
Para o que me havia de dar... querer agora ouvir e sentir cantar o Fado.
Venha a marcha e o corrido e o tiro-liro-ló, mais o tiro-liro-liro que este Fado é só dó.
"Que me saiba então perder... pra me encontrar."
Wednesday, May 10, 2006
Braços de Plátano
No momento em que os médicos lhe tinham espetado a agulha dos tubos de soro no braço parecera-lhe ver que as luzes da sala se apagavam. A dor não era muita mas na verdade doía-lhe mais por não saber o que se passava e se sentir cada vez mais fraca. Sentira então as lágrimas escorrerem-lhe livremente pela cara à medida que a agulha entrava mais funda e tentara então lembrar-se da voz dele ao telefone quando lhe tinha ligado há umas horas atrás para lhe dizer que alguma coisa de mal se passava. Ela não sabia o que era mas estava no hospital e sentia que precisava que a mão dele viesse segurar a sua.
Depois de desistir de ligar o telemóvel que continuava morto e de muito insistir, tinham-lhe trazido então as listas telefónicas onde ela acabara por encontrar o número que ligara para pedir, pedir, pedir, por favor que apesar de tudo ele viesse porque ela precisava mesmo dele.
E depois das desculpas, de ter implorado e chorado e voltado a pedir, lembrava-se que ele a descansara e que assim que pudesse tinha dito que ia lá.
A agulha cravava-se-lhe no braço mas agora a sua voz parecia mais forte do que a dor porque ele vinha, ele vinha, e sentira finalmente o corpo relaxar pouco a pouco até a levarem para sala de entrada onde ia ter de ficar até acabar o soro e os médicos voltarem com os exames.
E ali foi ficando deitada até que ao olhar para o lado o vira finalmente entrar pela porta da sala onde estava, deixando-se chorar baixinho até ele lhe segurar a mão com força e a acalmar. Já estava ali, dissera ao olhá-la espantado, talvez por vê-la naquele estado não tinha percebido, mas estava tudo bem, ia ficar tudo bem e ela sabia que sim porque o via no fundo dos seus olhinhos negros e o sentia na sua mão que lhe ia passando pela cara com água para a refrescar da febre.
Ela agarrara então a mão dele com mais força e sorrira, agora já não tinha mais medo com ele ali. E ao encostar a cabeça na almofada fechara os olhos, ainda não tinha dormido nada em 24 horas. Mas a mão dele continuava ali com força entrelaçada na sua. Sorrira de novo, ele sempre que lhe via os olhos abertos sorria também.
- Descansa - dissera-lhe - Eu fico aqui.
E ela confiara. De seguida, ao voltar a fechar os olhos, conseguira finalmente adormecer.
Depois de desistir de ligar o telemóvel que continuava morto e de muito insistir, tinham-lhe trazido então as listas telefónicas onde ela acabara por encontrar o número que ligara para pedir, pedir, pedir, por favor que apesar de tudo ele viesse porque ela precisava mesmo dele.
E depois das desculpas, de ter implorado e chorado e voltado a pedir, lembrava-se que ele a descansara e que assim que pudesse tinha dito que ia lá.
A agulha cravava-se-lhe no braço mas agora a sua voz parecia mais forte do que a dor porque ele vinha, ele vinha, e sentira finalmente o corpo relaxar pouco a pouco até a levarem para sala de entrada onde ia ter de ficar até acabar o soro e os médicos voltarem com os exames.
E ali foi ficando deitada até que ao olhar para o lado o vira finalmente entrar pela porta da sala onde estava, deixando-se chorar baixinho até ele lhe segurar a mão com força e a acalmar. Já estava ali, dissera ao olhá-la espantado, talvez por vê-la naquele estado não tinha percebido, mas estava tudo bem, ia ficar tudo bem e ela sabia que sim porque o via no fundo dos seus olhinhos negros e o sentia na sua mão que lhe ia passando pela cara com água para a refrescar da febre.
Ela agarrara então a mão dele com mais força e sorrira, agora já não tinha mais medo com ele ali. E ao encostar a cabeça na almofada fechara os olhos, ainda não tinha dormido nada em 24 horas. Mas a mão dele continuava ali com força entrelaçada na sua. Sorrira de novo, ele sempre que lhe via os olhos abertos sorria também.
- Descansa - dissera-lhe - Eu fico aqui.
E ela confiara. De seguida, ao voltar a fechar os olhos, conseguira finalmente adormecer.
Monday, May 08, 2006
Tu Nombre
Y entonces cuando ya no aguanto más de la noche que me quita el aire, le pregunto a la mañana que no me deja dormir, como he podido hacerlo todo tan errado cuando lo que sentia era tan cierto, despues de haberlo olvidado todo y aceptado todo y más aún querido todo, despues de tanto tiempo.
Que perdone dios o alguién quizás asi, porque yo a mi no puedo.
Tu Nombre
Trato de escribir en la oscuridad tu nombre. Trato de escribir que te
amo. Trato de decir a oscuras esto.
No quiero que nadie se entere, que nadie me mire a las tres de la mañana paseando de un lado a otro de la estancia, loco, lleno de ti, enamorado. Iluminado, ciego, lleno de ti, derramándote.
Digo tu nombre con todo el silencio de la noche, lo grita
mi corazón amordazado. Repito tu nombre, vuelvo a decirlo, lo digo
incansablemente, y estoy seguro que habrá de amanecer.
J.S.
Que perdone dios o alguién quizás asi, porque yo a mi no puedo.
Tu Nombre
Trato de escribir en la oscuridad tu nombre. Trato de escribir que te
amo. Trato de decir a oscuras esto.
No quiero que nadie se entere, que nadie me mire a las tres de la mañana paseando de un lado a otro de la estancia, loco, lleno de ti, enamorado. Iluminado, ciego, lleno de ti, derramándote.
Digo tu nombre con todo el silencio de la noche, lo grita
mi corazón amordazado. Repito tu nombre, vuelvo a decirlo, lo digo
incansablemente, y estoy seguro que habrá de amanecer.
J.S.
Wednesday, May 03, 2006
...and the answer was in me
The Miseducation of Lauryn Hill
My world it moves so fast today
The past it seems so far away
And I squeeze it so tight, I can't breathe
And every time I try to be
What someone has thought of me
So caught up, I wasn't able to acheive
But deep in my heart the answer it was in me
And I made up my mind to find my own destiny
I look at my environment
And wonder where the fire went
What happened to everything we used to be
I hear so many cry for help
Searching outside of themselves
Now I know His strength is within me
And deep in my heart the answer it was in me
And I made up my mind to find my own destiny
And deep in my heart the answer it was in me
And I made up my mind to find my own destiny
My world it moves so fast today
The past it seems so far away
And I squeeze it so tight, I can't breathe
And every time I try to be
What someone has thought of me
So caught up, I wasn't able to acheive
But deep in my heart the answer it was in me
And I made up my mind to find my own destiny
I look at my environment
And wonder where the fire went
What happened to everything we used to be
I hear so many cry for help
Searching outside of themselves
Now I know His strength is within me
And deep in my heart the answer it was in me
And I made up my mind to find my own destiny
And deep in my heart the answer it was in me
And I made up my mind to find my own destiny
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