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Friday, February 20, 2009

Sensatez e desilusão

Ontem vinha no caminho para casa depois de um longo, longo dia, talvez o mais longo nestes 7 meses (já... 7 meses??) de trabalho e quando cheguei, mesmo sem dar conta e contra o instinto de desligar o motor e sair prontamente do carro, fiquei uns minutos sentada dentro do carro até acabar uma daquelas salsas que considero um tanto ou quanto lamechas, mas que não sei porquê aperta qualquer coisa cá dentro.
Vim o caminho todo no mais puro silêncio, com a música quase em surdina, sem tecer um único comentário relativamente à estrada e aparentemente sem que um único pensamento me cruzasse a cabeça. Não me lembro de me ter cruzado com ninguém, não me lembro de ver um único carro a passar por mim, apenas tenho a imagem vaga de alguns rasgos da estrada, pelo menos até chegar quase a caneças.
No entanto, sei que durante todo o caminho só me apeteceu gritar. Bem alto. Parar num ermo qualquer e gritar a plenos pulmões, quem sabe.
Depois cheguei, acalmei.
Mas pensei.

Seria sensato?

Será sensato?

Foi um daqueles dias em que pensei que está tudo errado, em que me apeteceu chegar a casa, fazer a mala e mandar tudo ao ar, ir onde ainda não fui ou até onde já estive e ficar por lá, fazer o que ainda não fiz ou qualquer outra coisa, daquelas que ás vezes me passam pelo pensamento.
De alguma maneira, há qualquer coisa que me está a fazer sentir como que uma perda de tempo.
Será sensato estar a fazê-lo? Seria sensato deixar de o fazer?
Uma desilusão mais para os outros ou para mim mesma?
É daquelas coisas, e hoje é ja outro dia.
Ontem foi passado, hoje é já Presente, todos os dias, como uma caixinha de surpresas.

Friday, May 26, 2006

Elogio do Amor

Outro para partilhar, para pensar e para opiniar.
Já tinha lido, mas encontrei-o agora publicado no bog do Fernando Alvim, do nosso Miguel Esteves Cardoso.
Que preciosidade... Ninguém poderia ter feito melhor apanhado.
Deu-me para publicar coisas dos outros agora... ok, caso para dizer "quem me dera ter sido eu a escrever", ou qualquer coisa assim, mas este também vale a pena!
Uma leitura obrigatória.
Espero que gostem.

Elogio do Amor
por Miguel Esteves Cardoso

"Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas.Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber.
Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo. O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão.
Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.
Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e é mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões.
O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática.
O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço.
Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, banançides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas.
Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?
O amor é uma coisa, a vida é outra.
O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental".
Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos.
Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade.
Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo.
O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. é uma questão de azar.
O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra.
A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina.
O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima.
O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente.
O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.
O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessýria. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser.
O amor é uma coisa, a vida é outra.
A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.
Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz.
Não se pode ceder. Não se pode resistir.
A vida é uma coisa, o amor é outra.
A vida dura a Vida inteira, o amor não.
Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."

Wednesday, May 24, 2006

Quase

Para partilhar, para pensar... para opinar.
E que tal viver-se sempre no verão em vez de se viver no outono?
Há de haver sempre dias de inverno, todos os temos, mas era bom daqui a muitos anos não se ter a memória apenas cheia de quases mas sim de coisas completas e significativas, quando se tiver efectivamente tempo para pensar, nos dias de inverno que forem chegando e teimarem em não passar.
Viver no verão todo o ano...
Parece-me perfeito, mesmo em dias frios de chuva andar descalço em casa e sentir sempre, nunca deixar que se sinta o nada.
Para não quase se viver, penso essencialmente que há que viver sem "quases" ou sem "meios nadas", para que se vivam e se lembrem sempre mais do que ocos e meios "coisas nenhumas".
E aqui fica.

Quase
Luiz Fernando Verissimo

Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase.
É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou.
Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono. Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados.
Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si. Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance; para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.

Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar a alma.
Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.
Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.


Que passem talvez mais depressa os dias de inverno...

Monday, May 08, 2006

Tu Nombre

Y entonces cuando ya no aguanto más de la noche que me quita el aire, le pregunto a la mañana que no me deja dormir, como he podido hacerlo todo tan errado cuando lo que sentia era tan cierto, despues de haberlo olvidado todo y aceptado todo y más aún querido todo, despues de tanto tiempo.
Que perdone dios o alguién quizás asi, porque yo a mi no puedo.


Tu Nombre

Trato de escribir en la oscuridad tu nombre. Trato de escribir que te
amo. Trato de decir a oscuras esto.
No quiero que nadie se entere, que nadie me mire a las tres de la mañana paseando de un lado a otro de la estancia, loco, lleno de ti, enamorado. Iluminado, ciego, lleno de ti, derramándote.
Digo tu nombre con todo el silencio de la noche, lo grita
mi corazón amordazado. Repito tu nombre, vuelvo a decirlo, lo digo
incansablemente, y estoy seguro que habrá de amanecer.

J.S.

Monday, April 24, 2006

Changes ;)

Palavra chata... não me sai da cabeça sei lá há quanto tempo.
Mas aqui está, finalmente uma pequena mudança. Como tudo muda, tudo evolui, porque não?
Mais verde que preto, mais branco e colorido que cinzento.
Changes, changes... Why so... Why not???
Espero que gostem :)

Thursday, April 13, 2006

I'm feeling you...

I'm riding my highs I'm digging my lows
Cause at least I feel alive
I never faced so many emotional days
But life is good
I'm feeling you


I'm feeling me, what the hell with you. Life is short, wake up and live it because nobody stays around to tell the story.
Feel youself because I'm feeling me... and life is good.
I ain't feeling you...

Saturday, April 08, 2006

A quem dou

Afinal ainda sei muito pouco do amor e da amizade mas o bom mesmo é aprender. Um dia, dois dias, todos os dias.
E desmisturando dois assuntos que não eram para ser misturados deixo umas frases duma música que não me sai da cabeça, que acho que juntamente com a desilusão, despoletou metade do post anterior:
"O que faço faço bem, não tenho montes de coisas que montes de gente tem... são as experiências são as pessoas, são as vivências que transformam as vidas simples em vidas boas...
Vive o que tens não vivas nada dos outros... O que importa não é o telemóvel mas o que está do outro lado, o que importa não é o automóvel, mas quem está lá sentado... Já que o mundo é de consumo, consome com atenção...
A vida é um livro, escreve a tua página."
Dispensando explicações, é mesmo assim que me sinto.
E a outra parte do post que foi uma misturada pretendia somente agradecer certas atitudes, atenções e certas coisas que me dizem os verdadeiros amigos que ás vezes podem parecer não significar nada mas fazem uma pessoa andar de outra maneira.
Acho que estou a começar a aprender a dar valor às coisas. Importa quem está e não quem esteve ou queria ter estado, ou não pode pseudo-estar.
Está quem quer, quem quis estar e quem não se esqueçe de estar.

"Y les doy
las palabras y los signos
El valor de haber vivido
lo debil de mi razon.

Y les dejo
la aparencia, el desencanto
las ganas de andar gritando
que no está muerto quien va
desafiando la mentira
revelando su estatura
Del brazo con los demás..."

Wednesday, April 05, 2006

Oh yeah the grass is green, but can you tell me, can you FEEL it???

Será que é efectivamente tempo de andar para frente, de largar o que está a mais... Nunca me pareceu que a bagagem fosse demasiadamente pesada para conseguir carrega-la, nem me tinha visto ficar sem força até ao dia em que me apercebi que esse peso podia ser supérfulo por não ser exactamente meu para carregar, ou simplesmente por não valer a pena agarrar-me a ele com todas as forças para nunca o deixar cair.
“Não o carregues se não fôr teu e não te agarres a ele porque um dia vais-te aperceber que já está tão pesado que vais deixar cair tudo de uma vez...”
Mas talvez seja hora de olhar para o lado e ver o que está a mais e o que está a menos.
Haverá tanto bom como mau?
Apoio, Preocupação, Carinho, Amor, Apoio, Preocupação, Fraternidade... onde parece haver tão pouco mas significa tanto...
E do outro lado...
Festas, Festas, Roupas, Tretas, Festas, Roupas, Revistas, Festas... onde há tanto e no fim não significa nada.
Aparência...
Falta de paciência!
“Ai devia ter comprado aquele casaco dourado que estava à venda na Bershka igual ao que trazia a Pimpinha Jardim na capa da Caras. Assim já me deixavam entrar no Lux...”
- Oh pá, mas o Lux na sexta estava lindo... Só social, vocês não viram?
Os amigos são a coisa mais importante do mundo, mais importantes que os namorados e os amantes porque são aqueles que sempre estiveram e sempre estarão. Há que conservá-los bem, porque dói não ser conservado e os namorados ou amantes tanto vêm como vão. E um dia se forem, pode já não se ter o bem precioso e aparentemente inesgotável da amizade ao nosso lado para nos apoiar. Tal como tantas outras coisas a amizade também se esgota e também se esvai.
- Então e como é que estás?
- Não sei... ando meia perdida nisto, não sei o que fazer. Acho que assim não vai lá... Já não sei nada... O que é que eu faço?
- Pois, tens de ver isso. Eu acho que tens de fazer o que achares melhor... Ah mas é verdade, noutro dia tava a entrar na Zara e vi lá uma mala preta, bem linda. Pá mas não sei se compre, ainda tava a ver aqueles óculos que vi da Vogue... O Vítor disse que mos dava pos anos, mas não sei...
Aparência... Falta de Paciência...
Os amigos são a coisa mais importante da vida. Com quem vou falar ou quem vou ouvir amanhã? Quem... Os que valem a pena.
- Não te preocupes... as escolhas que tiveres de fazer fazes na altura certa. E não te quero ver assim. Olha trago-te aqui o jornal da Sociedade Portuguesa de Poetas. Assim que receber vamo-nos lá inscrever, prometido! Eu tenho é de ter tempo para escrever.. Tu tens escrito?
Mais qualidade que quantidade,
Mais realidade que aparência,
Mais verdade que mentira,
Mais sentimento que utilização por conveniência.
Mais sorrisos e risos que lágrimas ou suspiros.
E então será tempo de andar para a frente?
Sentir ou não sentir? Viver ou não viver?
Open up your heart, what do you feel… World hold on…
“E trocavas isso tudo pelo fácil?”
- Agora com toda a certeza: NÃO.
I can feel it, can you feel it?

Wednesday, March 01, 2006

Todo Cambia

Apeteceu-me.. de Julio Numhauser, interpretada pela grande Mercedes Sosa, mostra que assim como eu mudo tudo muda, porque não mudamos todos, porque não muda o mundo? Eu sim quero mudar, hoje e todos os dias.
Não muda o meu amor por quem o mereçe, por quem o quer, por quem o não esqueçe. Não muda o meu amor pelo meu país, não muda o meu amor pelo meu amor, pelo que mudou hoje nem pelo que mudará amanhã. Em 30 anos, quem sabe, em trinta vidas, trinta amores. Há coisas que mudam e outras não.
E isto não muda.
Todos cambiamos... Cambia, yo tambien puedo cambiar.

Todo Cambia

Cambia lo superficialCambia también lo profundoCambia el modo de pensarCambia todo en este mundoCambia el clima con los añosCambia el pastor su rebañoY así como todo cambiaQue yo cambie no es extrañoCambia el más fino brillanteDe mano en mano su brilloCambia el nido el pajarilloCambia el sentir un amanteCambia el rumbo el caminanteAunque esto le cause dañoY así como todo cambiaQue yo cambie no es extrañoCambia, todo cambiaCambia, todo cambiaCambia el sol en su carreraCuando la noche subsisteCambia la planta y se visteDe verde en la primaveraCambia el pelaje la fieraCambia el cabello el ancianoY así como todo cambiaQue yo cambie no es extrañoPero no cambia mi amorPor mas lejos que me encuentreNi el recuerdo ni el dolorDe mi tierra y de mi genteY lo que cambió ayerTendrá que cambiar mañanaAsí como cambio yoEn esta tierra lejana.


Mercedes Sosa – 30Años

Thursday, February 16, 2006

Mulheres com Valor!

Mandado por uma grande amiga, para as amigas e também para os amigos, fica aqui um pensamento, espero que gostem.

Mulheres com Valor

Numa breve conversa, um homem perguntou a uma mulher:
"De que tipo de homem é que andas à procura?"
Ela ficou um momento calada antes de o olhar nos olhos e finalmente perguntou-lhe:
"De certeza que queres mesmo saber?"
Ao responder-lhe que sim, ela começou então a dizer-lhe:
"Sendo mulher nesta época, estou na posição de pedir a um homem o que eu sozinha não posso fazer por mim. Eu pago todas as minhas contas, encargo-me da minha casa e de grande parte da minha vida sem a ajuda de um homem. Portanto, acho que estou em posição de perguntar, o que é que tu podes trazer à minha vida?"
Ele ficou a olhar para ela, claramente pensando que o assunto tratava de dinheiro, ao que elarápidamente pensou em corrigir o que ele estava a pensar, dizendo:
"Não me estava a referir ao dinheiro. Eu preciso de algo mais. Eu preciso de um homem que lute pela perfeição em todos os aspectos da vida."
Ele recostara-se então na cadeira, cruzara os braços e pedira-lhe que lhe explicasse.
"Eu procuro alguém que lute pela perfeição mental, porque preciso de alguém com quem conversar e que me estimule mentalmente. Não preciso de alguém que não desafie as suas capacidades. Estou à procura de alguém que lute pela perfeição espiritual, com quem possa eventualmente partilhar as minhas dúvias e até a minha fé. Não preciso de um homem que lute pela perfeição financeira porque eu não preciso de alguém com altos cargos e uma reputação financeira. Preciso de alguém suficientemente sensível que me compreenda, que compreenda o que se passa na minha vida, mas que seja também suficientemente forte para não me deixar cair.
Estou à procura de alguém que eu possa respeitar. Porque eu posso ser tudo, corresponder a tudo o que me seja pedido nas mais variadas circunstâncias mas tenho de respeitar inteiramente a pessoa que quero ao meu lado. Não posso fazer nada por uma pessoa que não consiga tentar resolver os seus próprios problemas.
Ninguém pode ajudar uma pessoa que de si não se sabe ajudar a si mesma."
Quando acabou de falar tornou a olhá-lo nos olhos e reparou que ele parecia confuso e algo interrogado. De seguida, ele disse-lhe:
"Estás a pedir muito."
E ela finalmente respondeu:
"Eu valho muito."

"O essencial para o coração é invisível aos olhos..."

Tuesday, February 07, 2006

Negra Sombra

Depois de ter passado talvez mais de um ano continuo a ouvir esta música como se a estivesse a ouvir pela primeira vez e continuo a pensar o quão difícil é compreendermos plenamente a química e o sentido do que é expresso por outra pessoa e noutra língua diferente daquela em que fomos criados.
Curioso como desde a primeira vez que a ouvi me pareceu que já fazia parte de mim desde sempre e no entanto me parece também sempre tão distante como se não fosse sequer deste mundo.
Acho que não estamos assim tão longe uns dos outros, talvez bastasse apenas ouvirmo-nos melhor. Dispensar-se-iam assim as negras sombras que nos acompanham.

Negra Sombra

Cando penso que te fuches
Negra sombra que me asombras
Ó pé dos meus cabezales
Tornas facéndome mofa
Cando máximo que es ida
No mesmo sol te me amostras
I eses a estrela que brila
I eres o vento que zoa
Si cantan, es ti que cantas
Si choran, es ti que choras
I es o marmurio do río
I es a noite i es aurora
En todo estás e ti es todo
Para min i en min mesma moras
Nin me deixarás ti nunca
Sombra que sempre me asombras

Luz Casal y Carlos Nuñez
(A Irmandade das Estrelas / Mar Adentro OST)