Ontem vinha no caminho para casa depois de um longo, longo dia, talvez o mais longo nestes 7 meses (já... 7 meses??) de trabalho e quando cheguei, mesmo sem dar conta e contra o instinto de desligar o motor e sair prontamente do carro, fiquei uns minutos sentada dentro do carro até acabar uma daquelas salsas que considero um tanto ou quanto lamechas, mas que não sei porquê aperta qualquer coisa cá dentro.
Vim o caminho todo no mais puro silêncio, com a música quase em surdina, sem tecer um único comentário relativamente à estrada e aparentemente sem que um único pensamento me cruzasse a cabeça. Não me lembro de me ter cruzado com ninguém, não me lembro de ver um único carro a passar por mim, apenas tenho a imagem vaga de alguns rasgos da estrada, pelo menos até chegar quase a caneças.
No entanto, sei que durante todo o caminho só me apeteceu gritar. Bem alto. Parar num ermo qualquer e gritar a plenos pulmões, quem sabe.
Depois cheguei, acalmei.
Mas pensei.
Seria sensato?
Será sensato?
Foi um daqueles dias em que pensei que está tudo errado, em que me apeteceu chegar a casa, fazer a mala e mandar tudo ao ar, ir onde ainda não fui ou até onde já estive e ficar por lá, fazer o que ainda não fiz ou qualquer outra coisa, daquelas que ás vezes me passam pelo pensamento.
De alguma maneira, há qualquer coisa que me está a fazer sentir como que uma perda de tempo.
Será sensato estar a fazê-lo? Seria sensato deixar de o fazer?
Uma desilusão mais para os outros ou para mim mesma?
É daquelas coisas, e hoje é ja outro dia.
Ontem foi passado, hoje é já Presente, todos os dias, como uma caixinha de surpresas.
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