Friday, September 30, 2011

Everything will rain


Devo admitir que tu não fazias parte do meu livro, 
mas agora, se o abrires e deres uma olhadela, 
és o começo e o fim de cada capítulo.



"If you ever leave me baby, leave some morphine at my door,
Cuz it would take a whole lot of medication.To realise what we used to have, we don't have it anymore. 
Just like the clouds pass, I would do the same,If you walk away, everything will rain." 

Thursday, September 29, 2011

nowhere, baby

Saturday, September 17, 2011

Time

Friday, September 16, 2011

Maybe I should just sit here, a little while more...

Should I?
Just sit...

here?

"To look life in the face. always. to look life in the face and to know it for what it is"

depois de uma curta passagem por entre céu, limbo e purgatório,
18 dias para ser exacta,
apeteceu-me pôr os pés na terra.
enterrá-los bem na areia e dar um mergulho no mar,
daqueles em que se nada para longe
e se vai muitas vezes ao fundo até faltar a respiração.
apetece-me beber caipirinhas e vinho tinto.
apetece-me dançar salsa e dançar kizomba.
comer bifes que se deixam a desintegrar no estômago, pão e comida chinesa. e beber café.
apetece-me escrever.
apetece-me beijar a boca de quem mais amo. e muito.

para isso ainda faltam 15 dias.
vou começando aos poucos, um apetite a cada um.
a cada dia que passa.
e para já o que me apetece mesmo é fumar um cigarro
e continuar a fazer esta coisa
que um dia chamaram escrever.

Wednesday, September 14, 2011

Diário de uma amigdalectomia

Diz que foi pior a emenda que o soneto, do diário da dor, ou ao encontro dela.
Pergunto-me ainda se terá sido, ontem, hoje e todos estes dias.
Os dias, as horas, os minutos e os segundos foram andando de mão dada dia e noite, do primeiro ao terceiro, ao sexto onde se tem as maiores dores, ao oitavo onde a dor supostamente termina ao 17º onde estou hoje.
O primeiro sem dor, sem analgésicos. O primeiro, de 17.
Falta ainda engolir normalmente qualquer líquido e empurrar como deve ser o sólido.
Falta falar como eu falava antes. Sem bolsas de saliva, nem a língua a prender-me os movimentos naturais do som a passar pela boca.
É estranho, mas ao mesmo tempo simples. A força ainda não existe para fazer as coisas passarem para baixo e simplesmente decide subir e sai pelo nariz.
Simples mais ainda. Há som na garganta mas não sai como antigamente.
Não é bonito. Não é natural. Mas dizem que volta tudo ao normal, até mesmo quando tudo muda.
E tudo muda.

Pergunto-me o que se faz, quando o corpo se vê a braços com a impossibilidade de realizar as coisas mais básicas como descansar, comer, falar, engolir e respirar.
Pergunto-me todos os dias, já que pareço ter voltado a uma espécie de infância onde tive que re-aprender todas estas coisas básicas outra vez.
E esta infância não me faz apetecer falar com ninguém, ver ninguém nem fazer nada.
Os dias e noites de dores intermináveis, agonia e fome já passaram mas deram lugar agora a dias ainda mais vazios e distantes, desprovidos de sentido e povoados de silêncio.
Ultrapassei o medo da hemorragia e o desconhecido das complicações, a cabeça a rebentar de dores reflexas nos ouvidos, as noites de olhos arregalados de dor pelo choro abafado que viram os minutos de 8 horas passar sem dormir e a compulsão de tomar comprimidos que não fazem efeito mais do que uma ou duas horas.

Sinto-me sozinha agora perante um derrame cerebral de tanta agonia, silêncio e dilemas.
Sinto-me tão sozinha.
Tanto como nunca me senti antes, faz agora tanto tempo e mais ainda.
Sozinha a curar, a persistir, a delinear e pensar decidir num silêncio vazio que não me deixa sequer vontade de falar.
Podia escrever muito mais e deveria. Ter escrito mais cedo.
Antes tinha muito mais para dizer.
Agora não lhe vejo benefício à excepção do benefício que veio para ficar.
Será melhor do que a agonia que passou e do vazio que lhe deixou.
Tudo é.
Esperemos os alegres dias 20 que se lhe seguem e esqueçamos os quase tristes 20 que passaram.
Foi um pobre diário. mas foi o que foi.
E as coisas mais importantes parecem nunca sequer chegar a um diário.
Não a um tão público pelo menos.
A minha mão e o meu cérebro já não acompanham o meu coração.
Que isso também mude, como muda tudo nesta vida.