Thursday, July 24, 2008

Ojos de Mariposa - Encuentro con Frida Kahlo

E assim simpesmente acabada de chegar ao México, tive um encontro imediato com Frida Kahlo. No carro lembrei-me de perguntar: "Bem e deve haver por aqui muitas coisas relativas a Frida Kahlo, não? Ela nasceu na Cidade do México, gostava muito de poder ver alguma coisa que se relacionasse com ela."
Daí respondem-me que sim, na Cidade do México há todo um espólio de coisas suas, os quadros até a casa onde viveu com Diego Rivera.
Bem, na Cidade do México, pensei, de onde tinha acabado de sair há um dia e meio e onde nada mais tinha estado que um dia e meio. Talvez na volta quando já regresse para ir para o aeroporto consiga chegar até ela...



















Nisto, ao estacionarmos o carro en San Miguel de Allende, aparece um rapaz que nos dá pequenos panfletos a anunciar uma exposição e diz: "Oigan, disculpenme, si les gusta Frida Khalo? Pues acá tenemos una exposicíon de sus cartas y de los dibujos que hizo en hojas de loteria, toda una colleción de sus sentimientos, de su enfermed y de la política Mexicana. Ahí está, como a 10 cuadras derecho, por la calle Jesús.
E eu só pensei... Calle Jesús... Me persigue o qué?
Bem de qualquer forma não podia ser mais perfeito. Nada mais de que chegar e pensar e logo me encontro com ela.
Aí mesmo na Calle Jesús estava então uma colecção enorme da maior parte das cartas e dos pensamentos que deixou sobre o seu marido Diego Rivera, bem como os seus pensamentos, visões políticas do México da altura e as suas preocupações com a doença que a consumia.
Pois aí encontrei palavras escritas com ordem e se ordem, numa ordem que realmente não é para que tenha ordem. Palavras bonitas bonitas e feitas, palavras duras e desesperadas.
Nada mais do que palavras escritas para se tirasse qualquer coisa de dentro que pesasse, e desenhos onde vi que captavam a sua confusão na ordem que tentava encontrar no meio do seu desespero. "Olhos de mariposa", diziam que tinha. Porque através deles podia ver tudo e mesmo que não tivesse as suas asas, podia realmente chegar a todo o lado, embora estivesse emocionalmente presa a Diego e fisicamente presa a uma cadeira de rodas.


Gostei muito. Gostei da ordem que me deu a mim e aos meus pensamentos, sentidos através dos seus.
É sempre bom ter oportunidade de ler o que vai na alma de quem pinta, já recebemos emoções através das imagens que nos deixaram, assim que as recebamos igualmente por ler o que lhes vai na alma.
Gostei como sei agora que gostaria de poder ver alguma vez desenhos e pinturas de Virgínia Woolf. Apesar de nos seus livros quase se conseguir ver as imagens que descreve, seria maravilhoso poder ver essas imagens saídas da sua alma, desenhadas pela sua própria mão.
Um dia, quem sabe...
Acho que vamos ter mais bons encontros as duas.
Afinal não foi assim tão díficil encontrá-la.

E assim vos deixo com ela: Ojos de Mariposa...


Tuesday, July 22, 2008

Lo impressionante es que todo es impressionante - Mi Mexico lindo y Querido finalmente ya ;)

Pues pasa que despues que llegué me dijéron... "Todo pasa por algo".
Todo pasa porque tiene que pasar, asi deja que pase.
Hay un dicho Mexicano que dice:

"Si no te toca, aunque te pongas, si te toca, aunque te quites"

Así que, a ver si deveras me encuentro con este señor Benjamin Lara, con lo que me cruzé en una calle de San Miguel de Allende.




Dicen que es "El Quita Penas" y bueno, a ver si voy para que le pida que me quite la mia. Auque despues que me pase dos meses acá, si creo que la pena se me vá quitar sola...
Y como no?!












De ahí en verdad estuve tan cerca, pero aún asi realmente tan lejos. Casi se te ven los ojos pero no, la verdad no se te ve nada...


Bueno y la tierra sigue girando :)
Mientras eso yo voy disfrutando México!!!

Thursday, July 17, 2008

A million miles away...


Secret Garden*

She'll let you in her house
If you come knockin' late at night
She'll let you in her mouth
If the words you say are right
If you pay the price
She'll let you deep inside

But there's a secret garden she hides

She'll let you in her car
To go drivin' round
She'll let you into the parts of herself
That'll bring you down
She'll let you in her heart
If you got a hammer and a vise

But into her secret garden, don't think twice

You've gone a million miles
How far'd you get
To that place where you can't remember
And you can't forget

She'll lead you down a path
There'll be tenderness in the air
She'll let you come just far enough
So you know she's really there

She'll look at you and smile
And her eyes will say
She's got a secret garden

Where everything you want

Where everything you need

Will always stay.



*Secret Garden,
B. Springsteen

Wednesday, July 16, 2008

Packing

Malas feitas.
É verdade, nem parece meu que ando sempre a correr em alto stress com tudo para fazer à última hora.
Escolhi uma mala pequena. Ao contrário das malas enormes que levei a primeira vez para o Canadá. Pequena porque quero ir leve e voltar ainda mais leve. Para não ter a tentação de levar muita tralha que me deixe acomodar, quase como que a querer que fique.
Consegui deixar gavetas cheias e o guarda-vestidos bem compostinho. Deixei ainda tudo tratado e igualmente bem resolvido.
Assim tenho tempo para me despedir de todos e aproveitar bem o tempo que me resta por aqui. Para uns últimos convívios, umas últimas salsas e especialmente umas últimas kizombas. No México não se dança kizomba e isso é do que mais devo sentir falta.. hahahaha e não só está claro!!! A familía, os amigos...

Deixo para trás o que não faz falta e levo comigo o que vale a pena. Apesar do rebuliço de emoções, levo calma interior e levo ainda um orgulhozinho assim pequenino, dos poucos anos que tenho em cima e do tanto de bom que eles já levam dentro para contar. Do que ainda vem e que eu vou buscar nem que seja ao fim do mundo.
Para trás das costas deixo o que não tem remédio, as lições aparecem quando o universo sabe que ainda não apendemos tudo. Pensava que tinha aprendido, mas parece que alguma coisa me fez esquecer disso pelo caminho.
No entanto acho que desta vez é de vez. Deitei fora os papéis, as notas e as recordações. Os pensamentos velhos, os dramas e as mágoas antigas. Já que este é definitivamente um daqueles novos ciclos, sei que não me fazem falta, nem agora nem nunca mais. Porque preciso de espaço para novas. Sem espaço nada chega e sei que ainda há muito por chegar!

"Let the old go to make new come."

É já amanhã, 10.25 AM!
Até à volta, e um beijo a todos :)

Tuesday, July 15, 2008

Sarau EDSAE 2008

Foi assim...



















Depois de semanas de treinos, preocupações, ensaios, stress. Muuuuuitoooo stress... finalmente sábado depois das seis da tarde já podia respirar de alívio.
Chegámos em cima da hora e com uma data de contratempos pelo caminho, mas lá estávamos todos juntos apesar da confusão, como se fossemos realmente para uma peça em plena Broadway :)

Mas depois... Depois é que foi a hora da verdade...
Os nervos misturados na excitação. Sabia a coreografia de trás para a frente e dessa vez os sapatos não iam escorregar.
Apesar do ensaio ter sido simplesmente horrível, pisei o palco e esqueci-me de onde estava. Ouvi o pessoal lá de trás gritar por mim no começo. Tinham dito que iam ser piores que a claque da Elsa no Salsito. Hehe.. Nervos... Depois da parte inicial, rodei o braço e esbocei um daqueles sorrisos, enquanto pensei "vou curtir molho disto"... Simplesmente acreditei, sei que não foi perfeito mas foi o meu melhor, e isso é que sabe à vida! Daí em frente foi só sugar o momento...
E que momento :)

Pelos que estiveram, pelo ambiente e a dedicação de todos!
Pela festa, pela cor, pelo apoio e pela animação. Foi um misto de tudo.
O jantar foi a loucura e a festa demais. Foi dançar até os pés já não caberem nos sapatos, e atenção que eles alargaram. No dia seguinte andar era mentira, mas valeu a pena cada momento.
E aos colegas...
Muito obrigado, e até Setembro!


Sunday, July 13, 2008

Descompressão














E depois... é uma tampa que se abre quando outra finalmente se fecha.
E que deixa sair tudo, quando descobrimos que dentro havia demais.

Friday, July 11, 2008

Quem diria...

Faço o balanço da primeira metade do ano e vejo já que tem sido um daqueles anos com muita glória. De descobertas e conquistas e sobretudo de crescimento pessoal; de muitos melhoramentos. É para isso que acordo e luto todos os dias.
Não sei porém quem havia de dizer que seria uma quase centena de meninos pequeninos que havia de me dar tanto Norte, que havia de me ensinar tanta coisa sobre mim própria. Coisas que eu não pensava exsitirem, quanto mais serem possíveis.
Sei que estou mais que grata por esta oportunidade que me foi dada e grata pela determinação e pela força de não a ter desperdiçado.
Assim depois de tudo o que vi, de realidades que nada tinham a ver com a minha, sei que nada disso é o essencial mas sim a forma como olhamos e lidamos com o que nos rodeia. E quem melhor para nos ensinar sobre os sentimentos do que as crianças?
Agora levo comigo as suas histórias, os seus carinhos, as suas palhaçadas, os castigos, as faltas de educação, mas sobretudo levo os seus sorrisos que apareceram para reforçar o meu, seja para onde fôr.
Depois disto e de tudo o que vem de trás sei que todas as conquistas são possíveis e que ainda há muito para conquistar.

Obrigado, por tudo o que me ensinaram.









Thursday, July 10, 2008

Saudade

Hoje quando assinei a entrada do correio e me pediram que escrevesse a data parei um momento.
Só percebi quando repeti o dia.
Faz agora um mês.

Saturday, July 05, 2008

Só me apetece...



Arrepia-me... Sempre.
Parece que dilacera qualquer coisa cá dentro de tão bonito, mas tão triste que é.
Era só isso que queria, que dos olhos pudesse absorver a beleza, a nobreza do que por vezes se sente e não sabemos simplesmente nem porquê, nem de onde vem.

Mas torna-se triste, faz querer ...

Friday, July 04, 2008

Estranha forma de vida

Escrevemos porque ninguém nos ouve, parece-me perfeito.
Escrevemos porque falar chega a ser demasiado difícil, demasiado real. Demasiado doloroso.
Até um ponto.
E escrevemos quando dói demais porque quem está à nossa volta não se apercebe, nem parece querer aperceber-se de nada nem de coisa nenhuma.
Quando falta, falta muito, de muita coisa, e acaba por se tornar em tudo que esperamos desesperadamente que não se torne no nada.
Os dias passam... E escrevemos, para que não seja tarde. Escrevemos porque quando dói até as palavras parecem não fazer sentido.
Só até um ponto.
Depois nem a escrita alivia.
E é preciso alguma coisa. Alguma coisa que seja.
Para que não seja tarde demais.

Thursday, July 03, 2008

Hasta el más allá del todo, por la sangre y por los huesos...

Deixara-se cair pesadamente sobre a cama. Era tarde. Passava pouco da uma da manhã mas sentia como se tivesse acabado de chegar a casa de madrugada.
O cabelo ainda lhe cheirava a um qualquer fruto que não conseguia identificar mas não a framboesa como lhe era habitual. Gostava do habitual, mas a mudança era sempre boa, quando para melhor. Porém, nem sempre era perceptível de quando a mudança era realmente para melhor, como naquele caso.
Parecia-lhe inacreditável, inconcebível. Entre o cansaço e a amálgama de pensamentos que lhe corriam como um filme de takes desordenados no tecto do quarto, entranhava-se-lhe o cheiro do cabelo e o perfume que levava na roupa. Lembranças. Tudo ao mesmo tempo, tudo sem tempo, no tempo, sem querer tempo, desculpas de tempo, e tempos, desfazados.
E perguntava-se, para quê? Só se conseguia perguntar, mas afinal para quê?
Sentia vontade de dar pontapés a todas as pedras do caminho, a todas as ditas pedras que lhe haviam dito que guardasse. Parecia que o castelo ruía um bocadinho todos os dias, assim a frase não fazia sentido. Era demasiado difícil continuar a construir uma coisa que parecia desmoronar-se tão facilmente.
Mas não podia ter fraquezas, não lhe tinham dado esse luxo, olhava à volta e ninguém as tinha, o que era mentira e todos sabiam, mas todos se davam ao direito de julgar e só o facto de as ter era em si um gravíssimo sinal de fraqueza.
Vira-o no outro dia, sentado numa cadeira à beira de uma varanda de grades velhas a fumar um cigarro de enrolar na calma das noites das entranhas dos bairros de Lisboa.
Já ninguém fumava tabaco de enrolar. Já ninguém se sentava à noite à beira de varandas velhas a fumar um cigarro de enrolar. Também já ninguém fazia muita coisa que devia ser feita.
Mas entretanto a varanda afundara-se, num lago fundo onde muitas pessoas dançavam coisas estranhas e se empurravam e rodopiavam entre corredores de espelhos e vidraças.
Não era possível compreender. Só de manhã quando se acordava e tudo continuava a não fazer sentido.
Quando tudo continuava absolutamente na mesma.
Talvez se se virasse para o lado o quadro lhe parecesse diferente. Mas não. Continuava...

Vazio.