Daí respondem-me que sim, na Cidade do México há todo um espólio de coisas suas, os quadros até a casa onde viveu com Diego Rivera.
Bem, na Cidade do México, pensei, de onde tinha acabado de sair há um dia e meio e onde nada mais tinha estado que um dia e meio. Talvez na volta quando já regresse para ir para o aeroporto consiga chegar até ela...

Nisto, ao estacionarmos o carro en San Miguel de Allende, aparece um rapaz que nos dá pequenos panfletos a anunciar uma exposição e diz: "Oigan, disculpenme, si les gusta Frida Khalo? Pues acá tenemos una exposicíon de sus cartas y de los dibujos que hizo en hojas de loteria, toda una colleción de sus sentimientos, de su enfermed y de la política Mexicana. Ahí está, como a 10 cuadras derecho, por la calle Jesús.
E eu só pensei... Calle Jesús... Me persigue o qué?
Bem de qualquer forma não podia ser mais perfeito. Nada mais de que chegar e pensar e logo me encontro com ela.
Aí mesmo na Calle Jesús estava então uma colecção enorme da maior parte das cartas e dos pensamentos que deixou sobre o seu marido Diego Rivera, bem como os seus pensamentos, visões políticas do México da altura e as suas preocupações com a doença que a consumia.
Pois aí encontrei palavras escritas com ordem e se ordem, numa ordem que realmente não é para que tenha ordem. Palavras bonitas bonitas e feitas, palavras duras e desesperadas.
Nada mais do que palavras escritas para se tirasse qualquer coisa de dentro que pesasse, e desenhos onde vi que captavam a sua confusão na ordem que tentava encontrar no meio do seu desespero. "Olhos de mariposa", diziam que tinha. Porque através deles podia ver tudo e mesmo que não tivesse as suas asas, podia realmente chegar a todo o lado, embora estivesse emocionalmente presa a Diego e fisicamente presa a uma cadeira de rodas.

Gostei muito. Gostei da ordem que me deu a mim e aos meus pensamentos, sentidos através dos seus.
É sempre bom ter oportunidade de ler o que vai na alma de quem pinta, já recebemos emoções através das imagens que nos deixaram, assim que as recebamos igualmente por ler o que lhes vai na alma.
Gostei como sei agora que gostaria de poder ver alguma vez desenhos e pinturas de Virgínia Woolf. Apesar de nos seus livros quase se conseguir ver as imagens que descreve, seria maravilhoso poder ver essas imagens saídas da sua alma, desenhadas pela sua própria mão.
Um dia, quem sabe...
Acho que vamos ter mais bons encontros as duas.
Afinal não foi assim tão díficil encontrá-la.
E assim vos deixo com ela: Ojos de Mariposa...

2 comments:
pois é minha querida, nada acontece por acaso ;) espero que estejas a acompanhar a profecia celestina :) um beijo grande e cheiras bem ;)
Well said.
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