Escrevemos porque ninguém nos ouve, parece-me perfeito.
Escrevemos porque falar chega a ser demasiado difícil, demasiado real. Demasiado doloroso.
Até um ponto.
E escrevemos quando dói demais porque quem está à nossa volta não se apercebe, nem parece querer aperceber-se de nada nem de coisa nenhuma.
Quando falta, falta muito, de muita coisa, e acaba por se tornar em tudo que esperamos desesperadamente que não se torne no nada.
Os dias passam... E escrevemos, para que não seja tarde. Escrevemos porque quando dói até as palavras parecem não fazer sentido.
Só até um ponto.
Depois nem a escrita alivia.
E é preciso alguma coisa. Alguma coisa que seja.
Para que não seja tarde demais.
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