Depois de ter passado talvez mais de um ano continuo a ouvir esta música como se a estivesse a ouvir pela primeira vez e continuo a pensar o quão difícil é compreendermos plenamente a química e o sentido do que é expresso por outra pessoa e noutra língua diferente daquela em que fomos criados.
Curioso como desde a primeira vez que a ouvi me pareceu que já fazia parte de mim desde sempre e no entanto me parece também sempre tão distante como se não fosse sequer deste mundo.
Acho que não estamos assim tão longe uns dos outros, talvez bastasse apenas ouvirmo-nos melhor. Dispensar-se-iam assim as negras sombras que nos acompanham.
Negra Sombra
Cando penso que te fuches
Negra sombra que me asombras
Ó pé dos meus cabezales
Tornas facéndome mofa
Cando máximo que es ida
No mesmo sol te me amostras
I eses a estrela que brila
I eres o vento que zoa
Si cantan, es ti que cantas
Si choran, es ti que choras
I es o marmurio do río
I es a noite i es aurora
En todo estás e ti es todo
Para min i en min mesma moras
Nin me deixarás ti nunca
Sombra que sempre me asombras
Luz Casal y Carlos Nuñez
(A Irmandade das Estrelas / Mar Adentro OST)
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