Uma coisa muito importante sobre nomes...
talvez sobre a vida também.
Sempre me perguntei como seria possível a minha memória ser tão fantástica ao ponto de conseguir decorar todos os nomes que oiço quase sem nenhum esforço com associação total desde o primeiro momento a que proponho.
Facto é, que quase sem me propôr, ela chega a ser tão fantástica que integra todos os nomes, caras, situações e acontecimentos que tenham já feito algum curso nesta ainda tão curtinha vida minha, e para cúmulo ainda se dá ao luxo de guardar pormenores que não interessam para nada nem a ninguém mas que só eu me lembro e que mesmo que tente apagar muitas vezes tudo perdura.
Ora ela agora está a tornar-se mais selectiva, ainda assim consigo observar que os nomes sempre foram uma coisa que me intrigou porque raras foram as vezes em que fui capaz de esquecer um único.
Perguntaram-me já várias vezes, como conseguia saber em apenas algumas semanas o nome do quase todos os jornalistas que trabalham ali, mais as pessoas da produção nacional, das promoções e outros departamentos. A pergunta era mais ou menos essa... como consegues decorar assim os nomes deles todos e ainda por cima os apelidos...
Ora, sempre que me fazem esta pergunta encolho os ombros e automaticamente respondo com um sorriso que quando dava aulas, dos meus 188 alunos sabia o nome e o apelido de todos, identificando imediatamente a cada um a sua respectiva carinha laroca e muitas das vezes, a pura das verdades é que sabia de cor os nomes completos de muitos deles sem ter sequer que olhar para o livro de presenças.
Talvez a memória seja uma coisa com a qual fui abençoada poderia facilmente concluir-se, mas a verdade é que não, e a verdade é que hoje aprendi realmente uma coisa muito importante sobre o sofrimento, sobre a importância que se dá a uma coisa e sobre aquilo que venho a falar desde o início deste post: os nomes.
Sou uma eterna amante das pessoas, admito. Simplesmente fascinam-me. Tanto, ao ponto de nem sequer precisar de pensar sobre isso e já estar a associar o seu nome à sua cara, à sua personalidade.
No entanto, se pensarmos bem este não é um ponto muito comum entre a maioria das pessoas, a maior parte queixa-se frenquentemente e pede desculpa por não se conseguir lembrar ou fixar o nome da pessoa a quem pede uma coisa ou com quem está a falar. Assim, admito que já pensei muitas vezes que não são assim tantas essas vezes que tenha ouvido o meu próprio nome nesta minha curta existência, apesar de me ter ouvido muitas vezes pronunciar o nome das muitas pessoas que já cruzaram a minha vida.
Eis agora que se prende aquilo que aprendi hoje. A essência de pronunciar um nome.
O nome é aquilo que me parece a mim que dá substância ao todo que constitui uma pessoa.
O nome é o que existe quando uma pessoa está presente nas nossas vidas ou que fica guardado quando ela parte, porque é isso que liga a pessoa a uma designação do que é ou do que foi.
O seu nome. Seja ele avô, João, pai, Joana, mãe, Pedro, Sara, Ricardo, Tatiana, José, tio ou qualquer outro nome que identifique essa pessoa com aquilo que ela é para nós.
Segundo parece, a razão pela qual muitas vezes "escolhemos" não saber ou não pronunciar os nomes das pessoas prende-se com o facto de sofrermos mais quando um dia elas deixam de fazer parte da nossa vida. Seja por morrerem ou sairem dela simplesmente por uma outra qualquer razão causada ou não por nós.
E daí talvez seja esse o segredo, uma coisa que não tem nome é uma coisa que nunca é porque nunca chegou a ser, não tem denominação, nunca sendo nomeada nem para si nem para ninguém. Nameless so to say.
Daí que os nomes possam muitas vezes ser omitidos para que não custe tanto um dia mais tarde, para que aquilo que não se associa a um nome possa mais facilmente ser esquecido.
Talvez também seja aí onde peco e onde por vezes também me agarre apesar de sentir não dispor de grande escolha devido a esta minha memória fantástica.
Assim, talvez com isto que aprendi sobre os nomes me dê por vezes as escolha de fazer o que tantos fazem e associar apenas o mais simples, de me permitir esquecer que um dia foram tão importantes esquecendo o seu nome, e de levar com os vierem uma pequena simplicidade de saber mas não carregar o peso, que um nome me parece agora trazer sempre consigo.
3 comments:
Umas pequenas notas:
(posso ter entendido o texto todo ao contrário, mas lê-lo fez-me lembrar que...)
1 - Nas culturas anglófonas, a um desconhecido que tenha morrido sem ser identificado é-lhe "fornecido" um nome, até que essa identicação seja possível: John (ou Jane) Doe. É, mais ou menos, o equivalente a "Zé Ninguém". O objectivo? Dar uma certa dignidade possível a alguém que teve o azar de falecer na solidão (momentânea ou permanente). Ao contrário de na nossa cultura, esse alguém é sempre "alguém" e não um "Zé Ninguém".
2 - Pela tua ordem de raciocínio, se cada nome "é" oq ue a pessoa significa para ti, neste caso, eu posso ser um "marco importante" na tua vida.
:-)
3 - Sim... eu sou muito má pessoa por me esquecer dos nomes dos outros 3 segundos depois de mo dizerem. É uma cena minha. Sendo assim, tento arranjar estratagemas para me lembrar. Nem sempre resultam (aliás, raramente resultam) mas o que conta é o esforço.
4 - Professora?!? 180 alunos?!?...
Caro Colega :)
Quanto ás notas, posso dizer com certeza que és um "Marco importante na minha vida" ;) recebeste-me mt bem no meio da selva que é o nosso trabalho ao inicio, foi um marco!
A verdade é que as pessoas esquecem-se muito dos nomes umas das outras, este foi um raciocinio que se cruzou comigo noutro dia, é capaz de não te fazer grande sentido, mas a mim fez. Porque vejo que há pessoas que não pronunciam nomes por isso se vir a tornar numa ligação ainda mais próxima. como para mim os nomes sempre tiveram outro tipo de peso e importância acho que por vezes me custa mais, é só isso.
hehehe pois e acho que nunca te contei, mas dei aulas um ano e tinha nada mais nada menos q 188 alunos ;)
os nomes cairam no desuso! houve tempos em que recebiamos o nome como quem recebe uma bençao, traçando um caminho de quem poderiamos ser... hoje em dia usamos a palavra e o nome como quem usa sinais... seria o caos se nao o fizessemos... sem perceber que somos palavra e afecto.... bem... mas confesso... eu sou um esquecido!!!!! :D
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