Monday, March 30, 2009

Hoje lembrei-me...

...que escrever é confessar-se.


Estranhamente as palavras têm-me escorrido das pontas dos dedos todos os dias, parecendo que nascem das minhas unhas gravitadas para o papel, ou simplesmente desse movimento frenético que arrepia a pele da ponta dos dedos à medida que me sobe pelo braço, com o bater vertiginoso das teclas do computador.
O cérebro não acompanha, não consegue.
É aqui que se distingue perfeitamente a debilidade da cabeça, da razão se assim o quiserem, em acompanhar aquilo que os sentidos mandam sem pedir permissão.
Eu por mim confessava tudo. Desde a ponta do cabelo mais longo até ao limite da unha do pé.
Hoje, inesperada e insanamente apeteceu-me fazer uma loucura.
Uma daquelas loucuras do antigamente, a uma segunda-feira à noite, nem mais, simplesmente porque sim.
Loucamente... Apeteceu-me ir fazer corridas com o vento na auto-estrada, pinos e trapézios por trás das ruas e dos muros onde passeiam os gatos vadios, jogar ao toca e foge com duas amigas de longa data, pensar de menos e sentir demais.
Mas lembrei-me que a realidade é outra e que tenho andado a dormir acordada.
Sonhar acordada, perdão. Mas a verdade, essa é que não gosto de sonhar a dormir, por isso ando a dormir acordada, sem saber onde ando a dormir, nem sequer onde estou acordada. Tal como não se consegue acordar de um sonho ou de um pesadelo, é igualmente impossível acordar de um sonho que se tem acordado.
Experimentem querer decidir. Não acordam.
O sonho vai até onde ele próprio quer, deixando apenas que se acorde quando ele achar que deve ser.
Mas não, não fiz nenhuma loucura.
Sentei-me a deixar que as palavras escorressem para onde e como quisessem.

Já gastei a minha parte de loucura desta década, fiquei a dever-lhe uns quantos contos de reis, mas ela sabe que não lhe posso pagar e por isso não me procura. Como não gosto de ficar a dever nada a ninguém, fizémos um acordo, eu não a uso e ela não me cobra.
No entanto, não me consegue garantir ninguém que ela não me use a mim e ainda por cima me cobre.
Mas dizem que a realidade é outra.
E a loucura não cobra escrever coisas nobres, mas desprovidas de sentido. Deve-me fazer bem escrever barbaridades. E pensá-las também.
O que se tem não se deve deixar transbordar, é um desperdício. Acaba por ser uma pena.
Mas confesso-me noutro dia.

Escrevo só... já te pedi tantas vezes e tu nunca me ouves.
Não vejo para quê confessar-me...



Saturday, March 28, 2009

A alma entende e a boca cala...

"Pior do que se sentir perdido é perder-se em si mesmo.
No emaranhado do que você acredita misturado ao que você é ou era.
O que você acredita, apostando corrida com o que você mais detesta.
O que você tem, jogando palitinhos com o que você quer.
Seu amor e suas dores na linha de chegada e o coração de juiz em dia de clássico.

Eu não sei se você entende o raciocínio de quem não tem raciocinado ultimamente ou se entende o porquê de certas coisas que não se explicam.

Quando a cabeça não pensa o corpo padece. Mas quando a cabeça pensa demais será que nossa alma enriquece?

Você cheio de indagações e de tácticas que não fazem o menor sentido. (pelo menos para você ou pelo menos naquele momento).

As suas certezas mudam, as suas prioridades deixam de ser prioridades já que você nem sabe mais o que deseja. Até sabe, mas está tão longe e você está tão cansado que o mais fácil é deixar que as prioridades te encontrem e você pode fugir do que não interessa.
Seus princípios enfraquecidos te cobram uma atitude e você cobra a coragem.

Os seus olhos pesam e seu coração já bate fraco. De tanto que bateu a vida inteira. De tanto chorar amor e fracassos.
De tanto chorar pelo leite derramado você decide que se entender é complicado demais.
O quente queima e o frio é gelado demais, vai o morno mesmo que não causa sensação alguma e no momento você não tem sequer condições de sentir o que quer que seja. Sentir dá trabalho e trabalho acarreta uma série de responsabilidades. Responsabilidade é chato demais e não aquece seus pés nos dias frios.

Você enfim, opta por decidir somente pelo necessário. Pelo que realmente vai fazer alguma diferença em sua vida e desiste de tentar equilibrar-se, isso é para artistas circenses e você nem gosta assim tanto de circo. Melhor deixar assim.

Uma porta de saída e uma de entrada. O que vale fica e o que não vale que valesse. Nada de culpa ou de noites mal dormidas, nada de coração na boca ou de frio na barriga.

Certas coisas não se explicam. Não existem palavras que as descrevam ou soluções que as resolvam.
Sentimentos, gestos, sonhos e sorrisos.

A alma entende e a boca cala..."

Wednesday, March 25, 2009

Parte-me o Coração... Porque também Tu me deixas...

Custa-me vir para casa, chegar e ver-te assim. E saber.

Ainda não consigo acreditar que também tu num destes dias próximos me vais deixar.

Odeio, simplesmente odeio a impotência de não conseguir fazer nada, eu que te criei, todos estes anos.

Nada...

Não sei como vai ser... Não sei. Não sei. Não sei...

Thursday, March 19, 2009

"Balada para os nossos filhos"...






"¿En que lugar, en donde, a que deshoras me dirás que te amo?
Esto es urgente porque la eternidad se nos acaba..."


Sei que ainda rebola cá dentro um certo... rancorzinho, vá.
Mas felizmente muita coisa mudou. Em tanta coisa.
Por isso, e sendo que aqui vai mais um:
Que tenha sido Feliz.
Até que foi e talvez um dia, um dia quem sabe.
Eu espero. Ou pelo menos tento aceitar.
Mas a eternidade, nem essa... dura para sempre.

Saturday, March 14, 2009

There's something really wrong here...

Sala cheia na penumbra, calor humano, até demais. Da música a vibrar sente-se a batida forte, seca mas sentida, daquela que me passa um arrepio pelo corpo e me faz correr o pensamento.
Estão todos ali, todos. Ou quase. Caras familiares, outras estranhas, mas o ambiente é calmo e de aura amena.
Com um pouco mais de luz vêm-se vários corpos a deslizar entrelaçados, agarrados para quem quiser dizer, mas como dizia o Kwenda, a kizomba não são dois corpos, é apenas um que se funde dos dois e paira completo ao ritmo do sentimento que sai da música.
Do lados vêm-se esses vultos, com um pouco mais de luz vinda das janelas abertas. Um ou dois, conforme o sentimento, conforme a batida.
E páro. A meio duma kizomba... dançando sem dançar... os pés continuam, mas o corpo não.
Páro porque tenho... e penso... Não faz sentido...
Será que isto vai ser sempre assim?
Será?
Será que ela tinha razão?
Quantos mais meses, mais anos terão que passar?
Quantos?
Eu não sinto nada.
Absolutamente nada.
Como é que é possível?
Simplesmente - Não Sinto.
Nada.
Mas estão todos ali. Riem, entrelaçados ou afastados, dançam a deslizar pelo soalho envolto na penumbra da sala que deixa ver apenas para os mais atentos o que dois se pode tornar em um.
Muitos dois, alguns uns, sempre na penumbra. Na cumplicidade.
Há qualquer coisa que está muito errada aqui.
Sinto. Tem que estar.
Porque eu não sinto,
absolutamente,
nada.

Thursday, March 05, 2009

Sakura

Hoje nasceram jarros e lírios roxos. Pela primeira vez neste ano, neste novo ciclo no jardim que posso chamar meu há mais de 15 anos e que me faz sempre lembrar, quando me esqueço de quem sou.
Apanhei-os para os pôr numa jarra do meu quarto, mas quando subia as escadas vi-te e sorri. Estendi a mão e disse-te que as ia pôr numa jarra mas que tas queria dar a ti.
Sentei-me na sala e fiquei uma vez mais deliciada a olhar para ti enquando mexias nos teus papéis e nas tuas revistas completamente absorto da maneira como eu sempre te fito e que consegue encher-me de felicidade, pelo simples facto de estares ali, sem me exigires nada, nem a minha conversa, nem o meu silêncio, apenas que esteja, como tem sido desde sempre.
Há uns dias senti uma falta de ar estranha, falta essa que tenho sentido à já algumas semanas, porque cheguei a casa e não te encontrei e soube pelo telefone que estavas no hospital.
Descansei apenas quando chegaste e mais uma vez, pedi-te que te sentasses ao meu lado para que descansasses tu também, mas tu não quiseste. E no silêncio, esse em que partilhamos tudo e é sempre só nosso, continuaste na tua azáfama a preparar um chá ficando eu a olhar-te sentada no banco da cozinha, com aquela sensação de que tudo está em ti, passando por mim, aquela felicidade que está sempre intacta, mesmo quando por vezes não estamos de acordo.
Olhei-te com algum peso, com aquela falta de ar estranha, o foco no teu coração.
Se pudesse, pensei, se pudesse dar-te-ia o meu coração para que ficasse no lugar do teu.
Se pudesse, arrancava-o apenas, porque tenho medo. Tanto medo que o teu um dia se canse e queira parar de fazer o seu trabalho.
Sei que o meu já traz algum peso, que não tem só coisas bonitas lá dentro, que leva já marcas negras e onde vão tantas pessoas que já o carimbaram. Pesa um pouco. Mas tem tanto lá dentro ainda, tanto que transborda por vezes e se perde. Mas eu arrancá-lo-ia para to dar se pudesse, mesmo que o meu peito ficasse vazio e a falta de ar que sinto fosse para sempre, dar-to-ia porque te amo incondicionalmente. Por tudo o que és, mesmo as coisas mais feias, mesmo as que eu não consigo compreender.
Olhei-te e senti vontade de mandar as mãos ao meu peito, olhando o teu... de pelo menos estendê-las e tocar o teu lá bem no fundo para poder aconchegar o teu coração entre elas nesta coisa tão grande que sinto cá dentro, para que ele tivesse mais forças e recuperasse essa energia que já lhe vai faltando...
Nunca te disse estas coisas, talvez nunca diga nem nunca as leias, mas digo-to sempre através dos meus olhos que fitas nos dias em que estás mais feliz e me abraças tão forte quando chego ou quando eu simplesmente to peço com os braços à tua volta, que me abraçes forte, tão forte quanto possas e tu me dizes que mais forte me sufocas.
Eu não me importo. Que me abraçes só e me sufoques se fôr preciso.
Porque eu te amo incondicionalmente e só to sei dizer assim, através do meu abraço e dos meus olhos.
É nestas alturas que me lembro sempre de quando era criança e me passeavas nos teus ombros pela praia e me levavas pela mão lá no Seixo para que toda a gente visse que era eu a coisa mais preciosa que tinhas.
Não preciso que mo digam, apesar de sempre mo virem dizer que lhes contas como estou bem e como tens tanto orgulho em mim. Os teus olhos por vezes enchem-se de lágrimas quando o dizes, é raro, mas quando o dizes os meus também.
Ás vezes tenho saudades de passear contigo na praia à beira mar, de fazer castelos que levem as ondas, porque agora tudo é diferente mas há coisas que nunca mudam.
Os meus pés têm já saudades dos grãos quentes da areia da praia, os meus olhos e a minha pele saudades do áspero do sal e minhas mãos... as minhas mãos já tinham saudades do toque aveludado das flores do jardim.
Só ontem me apercebi quando nasceram os jarros e os lírios, que a Primavera deste ano chegou, porque fui à janela e vi as florzinhas brancas a nascer em todas as árvores do jardim.
Fechei os olhos e sorri, continuava a ver as flores brancas, como as vejo nos longos corredores dos jardins de cerejeiras brancas no Japão. Infindáveis... magníficos, e sempre tão perto que lhes posso tocar se apenas estender a minha mão.
Levantei-me para pôr as flores numa jarra da tua mesa-de-cabeceira para te animar o quarto e depois de um sorriso saí para o jardim com um até logo.
Agora sei que tudo é diferente, mas sei que ainda um dia havemos de passear outra vez pela praia e um dia te levarei a voltar a ver a tua terra, a tua simplicidade não me pede nada, mas o que tenho é meu para te dar.
Por agora sei que ficas bem. Não tenho flores de cerejeira para te dar, mas tenho flores.
Dar-te-ia flores de cerejeira porque foste um guerreiro, viveste com precaridade e a tua alma é pura, como deve ser a alma de um bom homem, de um guerreiro, assim como está escrito no Hagakure.
E tu viveste como um guerreiro sempre. E por isso tento homenagear-te sempre, enquanto estás aqui comigo. Um dia terei também flores de cerejeira para te dar, garanto-te.
Pelo que simbolizam, pelo que simbolizas para mim. E nem que tenha que ir até ao Japão, ao fim do mundo que seja, irei trazer um dia flores de cerejeira para te dar.
Não te vou desiludir nunca nem que vá até ao fim do mundo, porque a minha força dura até que ele chegue ao fim, para tudo. Mesmo que não possa nunca arrancar o meu coração para pôr em lugar do teu.
Um dia trago-te flores de cerejeira. Prometo. E eu nunca falho as minhas promessas.
Agora só tenho abraços e sorrisos para te dar. E flores.
Porque hoje só nasceram jarros e lírios. E sei que só isso te chega, mais o tanto que tenho sempre para te dar.

Friday, February 27, 2009

Filhos (I)legítimos

I

Eram seis da manhã.
A luz era já demasiado intensa, o corpo parecia-lhe demasiadamente pesado e no táxi sentia ainda o cheiro do fumo da noite completamente impregnado no cabelo.
Os pulmões estavam pretos do tanto que conseguia ver. Podres até. De respirar aquele ar que a sufocava, aquele ar que não se explicava como nem porque chegava mas que estagnava sempre, num qualquer ponto mais próximo do caminho.
Os ouvidos ainda zuniam surdos da música que lhe ecoava na cabeça e lhe escorria pela pele.
Os olhos, esses já mal se abriam porque a cabeça os semicerrava muito, com a intensidades do ainda premente barulho das luzes.
Atirara com as sandálias uma para cada canto, o vestido ficara no meio do chão e deixara apenas que o corpo pesado caísse em cima da cama.
O cabelo não lhe cheirava a framboesa como era habitual. Aliás nada lhe cheirava a nada.
Eram quase sete e meia da manhã quando acordou com a televisão ligada e os raios de sol a entrarem pela janela, ao sentir o desconforto das duas almofadas que tinham ficado contra a cabeceira a cama.
Depois de apagar a televisão e retirar as almofadas tentara esquecer a luz do dia e voltara novamente a adormecer. No entanto a luz acordava-a, quase de hora a hora e o cansaço era tanto que nem com as constantes tentativas de adormecer lhe parecia que efectivamente descansasse. O coração batia forte contra o colchão, ouvia-se, sentia-se ribombar entre as molas, a ameaçar querer saltar-lhe da boca, parar simplesmente ou se no entretanto não, até lá tinha a certeza que ele congeminaria com o seu cérebro para que a deixassem completamente louca, enquanto todos os demónios, aqueles que pelo menos um dia tinham sido, teimavam em lhe passear calmamente pela cama.
Pensou talvez que ele tinha que se vingar do mal que lhe fazia, para ver se a acordava para a vida, já que ela parecia não querer acordar da espécie de trajectória mórbida em que se envolvera.
Dera voltas e voltas na cama. Voltas a mais quando ouviu que a mãe lhe falava e lhe explicava, coisas que ela teimava em não perceber, em não aceitar, mas que no fundo sabia que a volta não tinha outra curva e que era impossível, impossível fazer inversão de marcha e poder voltar-se atrás.
A dor no entanto era coisa quem ninguém lhe conseguia tirar. Entendia, explicara-lhe, quase que aceitava, mas a dor, essa parecia impossível de se lhe poder arrancar.
Impossível porque nem aquelas escassas horas em que tudo se entrelaçava no nada lhe davam descanso nem paz de espírito. Não lhe davam nada mas também não lhe tiravam tudo. Parecia. Mas não se conseguia conformar, nem voltar as costas. Nem dizer que não aos amigos, nem à sua cabeça que essa sim estava cheia, sempre cheia e teimava em não a deixar em paz.
- Então e tu não lhe podes telefonar, não o podes chamar? Tens a certeza que ele sabe onde é que nós moramos?
A resposta já a tinha ouvido vezes e vezes sem conta e havia muitos anos já que se deixara de a perguntar, mas a imagem essa ainda persistia. Via-se com uns 7 ou 8 anos, ali à espera, sendenta do que não conhecia, de nada. De ninguém.
Voltara a acordar, o telefone tocava em cima da mesa-de-cabeceira.
- Diz Ariella…
- Olha o Rodrigo partiu a cabeça linda. Vê se me podes vir substituir. Desculpa não te queria dizer isto pelo telefone mas a professora Susana tem que ir tratar dos papéis e não pode cá ficar.
- Sim eu vou… mas que papéis?
- Desculpa linda, a comissão de menores veio hoje de manhã buscar o Luís.


II

- O Interesse… o interesse… - voltara a distrair-se num pensamento e parara subitamente de falar.
Do gabinete do médico conseguia sempre ouvir o som dos comboios a deslizar nos carris, conseguia ouvir as buzinas, os apitos de chegada e de partida e as vozes que as anunciavam nos microfones da estação. Ouvia sempre o som do fluir daqueles mesmos comboios como se ouvisse o som de todas as viagens que ainda fariam, como de todas as viagens que ela já tinha e por outro lado ainda não tinha feito.
No gabinete ao lado a outra ainda gritava:
- QUERO A METADONA.
Tornava a repetir a frase duas ou três vezes, gritando e soluçando entre barulhos de objectos que se partiam e minutos depois deixando novamente de se ouvir.
- E então o interesse?
Leonor pensara. Vira-lhe então claramente três lados como via sempre em qualquer outra coisa que tentasse analisar ou até compreender para aconselhar alguém. Para ela acabava por fazer o mesmo, mas era sempre mais difícil.
- Interesse é o que ele sente por ela. Um interesse que eu não entendo qual seja, mas um interesse que me dói porque não o consigo perceber.
Hesitara.
- Depois vejo o que ele sentiu por mim. Um interesse que ainda me dói mais porque é um interesse fundamentado. Um interesse que me foi demonstrado na forma de elogio, de uma valorização com profundidade. Entende?
O médico ia pedir-lhe que lhe explicasse, mas ao abrir a boca o som da pergunta tinha sido abafado pelos gritos do gabinete seguinte:
- LARGUEM-ME, Larguem-me! Quero a metadona, ouviram?! Quero a puta da metadona AGORA seus filhos da puta. Agora! Ou eu vou lá para fora e mato-os todos outra vez. LARGUEM-ME.
Os gritos e a raiva pareciam desta vez ter subido de tom, à medida que se foram também ouvindo os sons de cadeiras e mesas a partir contra as paredes e o chão. O médico olhou-a com alguma desconfiança e depois de conseguir que o seu olhar se fixasse de novo, decidiu então falar:
- Ia perguntar-lhe se achava que ele tinha sido sincero.
Ela hesitara, confusa pela indiferença.
- Doutor não o incomoda?
- O quê?
- Os gritos… Não o incomodam?
- Que gritos… Ouviu algum grito?
- Como é que pode não ouvir… está uma louca a gritar do outro lado da parede. A plenos pulmões. Sobre uma porcaria duma droga…
- Incomoda-a ser por causa disso?
- Sei lá porque é que me incomoda, incomodam-me os gritos, a angústia, o assunto.
- E quer-me explicar porquê?
- Se eu não sei como quer que lhe explique?
- E já pensou porque é que não sabe?
- Sinceramente, acho que assim não vamos a lado nenhum, você responde-me sempre a uma pergunta com outra pergunta... Sabe, é que quase que arriscaria dizer… mas eu não consigo.
- Não consegue? Quer que lhe dê uma ajuda…
- Diga…
- Pense que a mim me passa ao lado. Que quase nem a oiço. Não será bem assim, mas assim entenda-se, você percebe o que lhe estou a dizer. Se a si a incomoda, a transtorna, pense porque será. No que ela grita e porque grita, como grita. Arriscaria a dizer que pode pensar que não seria só ela, vá Leonor, corra o risco de ter a coragem de me dizer o que sabe tão bem quanto eu que quando a ouviu gritar pensou.
- Dizer as coisas é perigoso.
- Se arriscaria dizer, diga.
- Talvez…
- Talvez o quê?
- Talvez pudesse não ser ela.
- Como assim? Que não pudesse não ser ela quê?
- A gritar. Talvez que pudesse não ser ela e ser eu.
- Mas não é você pois não?
- Não.
- Então deixe isso a um lado, sim? Não estamos aqui para falar dela, estamos aqui para falar de si.

Acordara. O cabelo cheirava-lhe novamente a framboesa e não havia demónios a passearem-lhe pela cama.
Só o despertador tocava e o sol entrava-lhe já pela janela.
Eram horas de ir trabalhar.

Tuesday, February 24, 2009

Um dia...

Um dia sei que ainda hei de dançar contigo uma kizomba, numa qualquer praia deserta de Santiago ou do Mussulo...
Com os pés descalços e a alma a transbordar do inexplicável.
Num nascer do sol, entre a areia branca e o mar distante.
Contigo.
A seres tu... sejas tu quem fores.

Sunday, February 22, 2009

To dance is to live...

Ás vezes quando me perguntam se é verdade que danço e porquê, sinto quase como se me perguntassem porque respiro.
Podia dizer que é para me sentir viva, mas prefiro dizer que é porque me sinto viva.
Compreendo que para muitas pessoas seja difícil entender porque têm uma imagem que nem sabem qual é, sempre estiveram do lado de fora e nunca viram, nunca conviveram nesse meio e sobretudo nunca experimentaram o sorriso que provoca o toque de uma dança na pele, nos olhos, no corpo... na alma.
É inexplicável porque simplesmente me transcendo a mim própria.
Porque me sinto ainda mais viva e porque me exprimo sem precisar de falar, de olhar, de pedir, sem complexos, sem preocupações.
E porque vôo com os pés bem assentes no chão. Para todas as partes, para onde, com quem e como quiser.
É de facto inexplicável, só sentindo.
Simplesmente porque sou cada vez mais eu, dentro e fora, tal como sou, cada vez mais...
A cada dia que passa.

Saturday, February 21, 2009

Há coisas que não têm explicação...

Ponto.

Será?

Não sei...

Mas também nem sei se quero saber.

Friday, February 20, 2009

Sensatez e desilusão

Ontem vinha no caminho para casa depois de um longo, longo dia, talvez o mais longo nestes 7 meses (já... 7 meses??) de trabalho e quando cheguei, mesmo sem dar conta e contra o instinto de desligar o motor e sair prontamente do carro, fiquei uns minutos sentada dentro do carro até acabar uma daquelas salsas que considero um tanto ou quanto lamechas, mas que não sei porquê aperta qualquer coisa cá dentro.
Vim o caminho todo no mais puro silêncio, com a música quase em surdina, sem tecer um único comentário relativamente à estrada e aparentemente sem que um único pensamento me cruzasse a cabeça. Não me lembro de me ter cruzado com ninguém, não me lembro de ver um único carro a passar por mim, apenas tenho a imagem vaga de alguns rasgos da estrada, pelo menos até chegar quase a caneças.
No entanto, sei que durante todo o caminho só me apeteceu gritar. Bem alto. Parar num ermo qualquer e gritar a plenos pulmões, quem sabe.
Depois cheguei, acalmei.
Mas pensei.

Seria sensato?

Será sensato?

Foi um daqueles dias em que pensei que está tudo errado, em que me apeteceu chegar a casa, fazer a mala e mandar tudo ao ar, ir onde ainda não fui ou até onde já estive e ficar por lá, fazer o que ainda não fiz ou qualquer outra coisa, daquelas que ás vezes me passam pelo pensamento.
De alguma maneira, há qualquer coisa que me está a fazer sentir como que uma perda de tempo.
Será sensato estar a fazê-lo? Seria sensato deixar de o fazer?
Uma desilusão mais para os outros ou para mim mesma?
É daquelas coisas, e hoje é ja outro dia.
Ontem foi passado, hoje é já Presente, todos os dias, como uma caixinha de surpresas.

Monday, February 16, 2009

Renovações ;)

Ora bem este post vai com alguma calma, que ele ainda não está totalmente pronto...
Ainda está digamos que a sair do forno, mas está quaseeeee.

Como inspiração usei-me a mim, as brisas que passam por mim, as viagens, os sonhos, os sentimentos, as miragens, as experiências, os infinitos...
E aproveitando a disponibilidade de um colega/amigo, aceitei que se fizesse um "xuunning" aqui ao blog da je e deu nisto...
Acho que está um máximo, não acham??
Entretanto, posso dizer desde já que não foi só o blog. Foi uma série de coisas que têm acontecido nos últimos tempos que me têm levado a despertar para grandes mudanças internas e que se traduzem igualmente do outro lado, aquele que todos vêm mas que eu efectivamente sinto para transmitir.
Estou a aprender a relativizar, bom não??!
A ver as coisas com outros olhos, mais atentos talvez, mais maduros, de fora pra dentro, de dentro pra fora, simplesmente como fôr ou como tiver que ser.
Renovações são sempre precisas, e a mudança seja ela qual fôr pode vir quando quiser, será sempre bem-vinda!

Mas não podia deixar de acabar este post com um agradecimento ao K@.
Um Grande Bem-Haja!!! ........... 16 MAN BR BR, ou devo dizer... BR RS ou até HD hehehe :)

Sunday, February 08, 2009

VIVE

Quem morre?

Morre lentamente
Quem não viaja,
Quem não lê,
Quem não ouve música,
Quem não encontra graça em si mesmo

Morre lentamente
Quem destrói seu amor próprio,
Quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente
Quem se transforma em escravo do hábito
Repetindo todos os dias os mesmos trajetos,
Quem não muda de marca,
Não se arrisca a vestir uma nova cor ou
Não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente
Quem evita uma paixão e seu redemoinho de emoções,
Justamente as que resgatam o brilho dos
Olhos e os corações aos tropeços.

Morre lentamente
Quem não vira a mesa quando está infeliz
Com o seu trabalho, ou amor,
Quem não arrisca o certo pelo incerto
Para ir atrás de um sonho,
Quem não se permite, pelo menos uma vez na vida,
Fugir dos conselhos sensatos...

Vive hoje !
Arrisca hoje !
Faz hoje !
Não te deixes morrer lentamente !

NÃO TE ESQUEÇAS DE SER FELIZ...

Tuesday, January 20, 2009

Fear. Fear of failure, Fear of Rejection, No Fear.

That knowing is better than wondering,
that waking is better than sleeping,
and even the biggest failure,
even the worst,
beat the hell out of never trying.

Sunday, January 18, 2009

Hoje aprendi...

Uma coisa muito importante sobre nomes...
talvez sobre a vida também.

Sempre me perguntei como seria possível a minha memória ser tão fantástica ao ponto de conseguir decorar todos os nomes que oiço quase sem nenhum esforço com associação total desde o primeiro momento a que proponho.
Facto é, que quase sem me propôr, ela chega a ser tão fantástica que integra todos os nomes, caras, situações e acontecimentos que tenham já feito algum curso nesta ainda tão curtinha vida minha, e para cúmulo ainda se dá ao luxo de guardar pormenores que não interessam para nada nem a ninguém mas que só eu me lembro e que mesmo que tente apagar muitas vezes tudo perdura.
Ora ela agora está a tornar-se mais selectiva, ainda assim consigo observar que os nomes sempre foram uma coisa que me intrigou porque raras foram as vezes em que fui capaz de esquecer um único.
Perguntaram-me já várias vezes, como conseguia saber em apenas algumas semanas o nome do quase todos os jornalistas que trabalham ali, mais as pessoas da produção nacional, das promoções e outros departamentos. A pergunta era mais ou menos essa... como consegues decorar assim os nomes deles todos e ainda por cima os apelidos...
Ora, sempre que me fazem esta pergunta encolho os ombros e automaticamente respondo com um sorriso que quando dava aulas, dos meus 188 alunos sabia o nome e o apelido de todos, identificando imediatamente a cada um a sua respectiva carinha laroca e muitas das vezes, a pura das verdades é que sabia de cor os nomes completos de muitos deles sem ter sequer que olhar para o livro de presenças.
Talvez a memória seja uma coisa com a qual fui abençoada poderia facilmente concluir-se, mas a verdade é que não, e a verdade é que hoje aprendi realmente uma coisa muito importante sobre o sofrimento, sobre a importância que se dá a uma coisa e sobre aquilo que venho a falar desde o início deste post: os nomes.
Sou uma eterna amante das pessoas, admito. Simplesmente fascinam-me. Tanto, ao ponto de nem sequer precisar de pensar sobre isso e já estar a associar o seu nome à sua cara, à sua personalidade.
No entanto, se pensarmos bem este não é um ponto muito comum entre a maioria das pessoas, a maior parte queixa-se frenquentemente e pede desculpa por não se conseguir lembrar ou fixar o nome da pessoa a quem pede uma coisa ou com quem está a falar. Assim, admito que já pensei muitas vezes que não são assim tantas essas vezes que tenha ouvido o meu próprio nome nesta minha curta existência, apesar de me ter ouvido muitas vezes pronunciar o nome das muitas pessoas que já cruzaram a minha vida.
Eis agora que se prende aquilo que aprendi hoje. A essência de pronunciar um nome.
O nome é aquilo que me parece a mim que dá substância ao todo que constitui uma pessoa.
O nome é o que existe quando uma pessoa está presente nas nossas vidas ou que fica guardado quando ela parte, porque é isso que liga a pessoa a uma designação do que é ou do que foi.
O seu nome. Seja ele avô, João, pai, Joana, mãe, Pedro, Sara, Ricardo, Tatiana, José, tio ou qualquer outro nome que identifique essa pessoa com aquilo que ela é para nós.
Segundo parece, a razão pela qual muitas vezes "escolhemos" não saber ou não pronunciar os nomes das pessoas prende-se com o facto de sofrermos mais quando um dia elas deixam de fazer parte da nossa vida. Seja por morrerem ou sairem dela simplesmente por uma outra qualquer razão causada ou não por nós.
E daí talvez seja esse o segredo, uma coisa que não tem nome é uma coisa que nunca é porque nunca chegou a ser, não tem denominação, nunca sendo nomeada nem para si nem para ninguém. Nameless so to say.
Daí que os nomes possam muitas vezes ser omitidos para que não custe tanto um dia mais tarde, para que aquilo que não se associa a um nome possa mais facilmente ser esquecido.
Talvez também seja aí onde peco e onde por vezes também me agarre apesar de sentir não dispor de grande escolha devido a esta minha memória fantástica.
Assim, talvez com isto que aprendi sobre os nomes me dê por vezes as escolha de fazer o que tantos fazem e associar apenas o mais simples, de me permitir esquecer que um dia foram tão importantes esquecendo o seu nome, e de levar com os vierem uma pequena simplicidade de saber mas não carregar o peso, que um nome me parece agora trazer sempre consigo.

Sunday, January 04, 2009

Só me ocorre dizer...

BEM VINDO 2009!!!

Tuesday, December 23, 2008

Merry Christmas...

I think I secretly hate Christmas since a great deal of years now.
And I simply don't know why or how to admit it, or even how it happened but I guess I just do.
However, I do like to wish nice things to other people by this time of year, so...
Mas Merry Christmas também me faz lembrar aquele tempo bonito... lá longe.
E se penso nele e nos votos que gosto de deixar, sendo assim...


Feliz Natal!!!

Espero que todos recebam de presente uma caixa de lápis de cor para que na passagem de ano possam pintar de todas as cores do arco-íris tudo o que em 2008 foi negro ou cinzento.
Que deste ano guardem o que é digno de ser guardado e que vivam o próximo com a certeza que tudo pode ser sempre melhor!

Sei que vem aí um espectacular 2009, porque 2008 foi em grande :)

Sunday, December 14, 2008

Lutas, derrotas e vitórias...

Incógnitas, sorrisos, parvoices, cumplicidades...

Noutro dia li: Acho que afinal é bom sinal sentir o coração despedaçado, significa ao menos que um dia lutámos por alguma coisa...

Acho que sabe a saber dar valor ao que se segue porque o passado é passado mas ensinou-nos a aprender com ele para podermos apreciar o futuro.

Well, and I think I do like that lovely smile of yours too...

Thursday, December 04, 2008

Out of Space :)



Hahahaha agora que o "Ingest" já não mete medo a ninguém, quase me consigo rir na cara dele com os mil painéis, as 300 luzinhas e as dezenas de menus... Isto claro, sem esquecer os "chatinhos".
E alguns dos jornalistas podem gritar à vontade. Aprendi, como os outros.
Calma, muita calma, e boa disposição. O meu sorriso, sempre.
Depois de uns longos meses de formação e alguma chatissezinha, muita luta, alguma privação mas sempre grande empenho e afirmação, acho que posso começar a respirar de alívio!!
Acho que vem aí um bom ano. Este custou, confesso, teve bastantes coisas boas, outras mais sofridas porque não as imaginava na minha direcção. Isto porque apesar de inesperadas, desiludiram-me tanto que me fizeram tropeçar e cair assim tipo da beira da falésia completamente aos trambolhões cá para baixo.
Ora o segredo, esse é cravar bem as unhas nas encostas e continuar a subir, mesmo que a todo o custo até cá acima, independentemente do vento, do cansaço, da altura da coisa e de todos os obstáculos que podem aparecer no caminho.
Quem diria... e não é que até tenho boas unhas??
Ora pois então a cada um o seu, e a verdade é que: cada um tem aquilo que merece. E eu fico contente com o que me calhou.
E se houver próxima e outra e mais outra, arranjo unhas até onde não as há.
Pode demorar, mas que subo, subo.
Sempre :)

Wednesday, November 05, 2008

E viva a Democracia !!!


Hoje acordei para uma das maiores mudanças da minha vida.
Foi o primeiro dia de todos os dias que se lhe vão seguir, e ainda estava eu para descobrir que seria um dia tão em grande, tão especial que me soube literalmente a vitória, precisamente no dia em que acordei para saber que Barack Obama se tornou efectivamente no 44º Presidente dos Estados Unidos da América.

Depois uns quantos dias de envios, reportagens, gravações, notícias e muita expectativa, o mundo hoje acordou mais leve porque Barack Obama ganhou as eleições presidenciais americanas, tornando-se assim no 44º Presidente desta nação.
O primeiro Afro-Americano, o primeiro. O que esperamos que venha trazer uma ordem ao que foi desordenado e que eu pessoalmente penso que é uma daquelas vitórias que depois de ter estudado e analisado a cultura, língua e história desta nação me dá um especial sabor. Ficam presentes nesta vitória alguns dos príncipios mais puros, da luta, da perseverança pela mudança e agora que "lhe" demos o lugar, resta confiar no que ele tem para oferecer ao seu país e ao mundo também.

Porque as vitórias são sempre assim. Especiais, únicas. Esta soube-me a liberdade, a responsabilidade, a beleza, a grandiosidade, a cultura, a esperança, a JFK, a inovação, a companheirismo, a orgulho, a alegria, a mudança, a democracia, a generosidade, a persistência, a... a... a tanta coisa...
Soube-me ao mundo e soube-me a mim.
Parabéns.
Orgulhei-me um pouco mais dos americanos e do mundo hoje, mas orgulhei-me sobretudo de mim. Sigamos em frente. All the way!

And after all, I did step on the moon today ;)

Monday, October 20, 2008

Sunday, October 19, 2008

K-I-Z-O-M-B-A

Inacreditávelmente esta dança mágica vive sem dúvida dentro de mim...
Graças á bolinha amarela que se mexe cá dentro ;) a água essa já eu a tenho toda, assim é só ir fazendo a bolinha amarela girar ou melhor gingar lá dentro.
E com mais ginga ou menos ginga vai mesmo rolando tudo cá dentro e à flôr da pele, comigo ao ritmo da Kizomba.
Quem havia de dizer...
Não dispenso mesmo, acho que já não consigo :D
Por mim podiam baixar as luzes e deixar a kizomba a tocar. Pista vazia ou cheia, eu ficava assim para sempre ;)
E era mau não?!...

"I LIKE IT..." :)

Saturday, October 11, 2008

Toronto 1985 - E lá vão 23 anos de intemporalidade... and I am coming home!

Só me apetece gritar ao som daquele primeiro acorde:

"And you know it's time to go...

Through the sleet and driving snow
Across the fields of mourning
Lights in the distance
And you hunger for the time
Time to heal, desire time
And you earth moves beneath
Your own dream landscape

Oh, oh, oh, On borderland we run

I'll be there
I'll be there
Tonight
A high road
A high road out from here

The city walls are all torn down
The dust a smoke screen all around
See faces ploughed like fields that once
Gave no resistance

And we live
By the side of the road
On the side of a hill
As the valley explode
Dislocated, suffocated
The land grows weary of its own

Oh coma way o coma wa o coma o coma way say I
Oh coma way o coma wa o coma o coma way say I

Oh, oh, oh
On borderland we run
And still we run
We run and don't look back
I'll be there
I'll be there
Tonight
Tonight

I'll be there tonight
I believe
I'll be there, somehow
I'll be there, tonight
Tonight

Oh coma way o say say o coma
O coma way o say I

The wind will crack in winter time
This bomb-blast lightning waltz
No spoken words, just a scream...
Ooooooooooohhhhhhhhhhhhhh...

Tonight we'll build a bridge
Across the sea and land
See the sky, the burning rain
She will die and live again
Tonight

And your heart beats so slow
Through the rain and fallen snow
Across the fields of mourning
Lights in the distance

Oh don't sorrow, no don't weep
For tonight, at last
I am coming home


As saudades que eu tinha disto :)

http://br.youtube.com/watch?v=NzQDzfka7XM

Thursday, October 09, 2008

Não interrompo... para os erros há perdão

"Nunca interrompas o teu inimigo enquanto estiver a cometer um erro"

E porquê... Porque hoje simplesmente apeteceu-me não interromper mais.
"Porque, embora quem quase morre esteja vivo,
quem quase vive já morreu."


E como tens tu razão, meu querido Fernando Pessoa...

Sunday, September 28, 2008

Tenho todo o tempo do Mundo...


Podes vir a qualquer hora
Cá estarei para te ouvir
O que tenho para fazer
Posso fazer a seguir...

Tenho todo o tempo do mundo.

Monday, September 22, 2008

Encontro com o Fado...



















"Pega-se em metade do oceano
E juntam-se-lhe terras desconhecidas
Deixa-se marinar alguns anos
E tapa-se com um manto de neblina
Lavam-se as saudades em lágrimas
E põe-se a glória em banho maria
Para voltar a usar um dia
À parte coloca-se o Fado bem apurado
O futebol bem jogado
E um ou outro pregão
Das entranhas gritado.
Desfaz-se a língua em poemas, odes e cantigas
Ou então canta-se à desgarrada, rima improvisada

Numa grande forma de barro escalda-se o Algarve e o Alentejo
Salgam-se as Beiras
E desfaz-se em àgua o Douro e o Ribatejo
Para terminar abanam-se as oliveiras
Com sabedoria ancestral
Rega-se tudo com um fio dourado
E serve-se assim Portugal
Como prato principal..."



















Senti saudades de dizer, que te Amo Portugal...
E porque penso que aquilo que se sente deve dizer-se, hoje simplesmente senti que to devia dizer, Portugal.
Sei que não to digo tanto porque ás vezes sinto que tanto te amo como te odeio. E apesar de por vezes me esquecer, sei que tu o sabes e que te agradeço por todas as vezes que te deixo, por ao voltar conseguir amar-te ainda mais.
O que te amo e me amo devolve-me todos estes encontros, contigo no meio de todos e no meio de ninguém. Com o fado e com a vida. Com todos os lugares que levo dentro, com todas as pessoas que me deste a conhecer, todo o léxico que me ensinaste, as canções que me cantaste, e a comida que me cozinhaste.
Foi na cidade que me criaste, mas foi na serra e nas praias que te conheci e sei que é entre as nascentes do norte e nos caminhos, sobre as pedras cobertas de musgo, nas vielas das sete colinas, no mar, no fado e nos pratos que deixas sobre a mesa, que te escondes Portugal.
Hás de realizar tantos sonhos comigo... Hás de ver todas as coisas que me prometi porque se já cumpri tantas, todas as outras que já te contei em segredo não ficarão seguramente por cumprir. Amo-te porque me amo mais a mim. Porque não me deixas ir embora mesmo que queira e se levo em mim já tanto do mundo e tanta vontade, tu trazes-me sempre de volta e mostras-me ainda mais de mim do que consigo imaginar.
Amo-te e outra vez mais digo que te e que me amo, e confesso ainda que te odeio por ás vezes saber que te quero tanto.
Porque mesmo sabendo que não te hei de amar sempre sozinha, ás vezes este meu coração enche-se de amor por ti e por tudo o que me deste e que me trazes.
Se se enche de tanto e consegue ainda amar-te outro tanto, um dia não há de amar-te sozinho.
Como te prometi, em prato principal.
Amo-te tanto.

Amo-te... Portugal.

Saturday, September 13, 2008

Speeding cars... Speeding everything...


"I am feeling the need to do some drinking. Actually, I'm feeling the need to do some crying, but my tear ducts seem to be too proud, so I am going to do some drinking instead..."



Acho que é demais... Para uma pessoa só.

Sunday, September 07, 2008

...Qué nos pasó...??

"¿A donde fue el amor?
Que desapareció...

¿Qué nos pasó?
Que ya olvidamos los abrazos,
que no confiamos en la gente,
que la inocencia es la palabra más ausente

Dime qué nos pasó
Cuando juraste amor eterno,
cuando vinieron dias buenos.
Pero en la obscuridad dijiste adiós..."

Saturday, September 06, 2008

Acho que te estamos a perder...

Olho para ti e percebo o que queres. Porque gemes e porque ás vezes também gritas e choras. De raiva, e tristeza. Do tempo que sabes que já te escasseia.

Por vezes quase não te consigo reconhecer dos dias em que ainda era menina, mas quando te olho mesmo do fundo, sem que estejas a ver que te observo sei que és tal e qual a pessoa que sempre foste, embora te vejas agora tão diferente.

Acho que não é ser egoísta mas ás vezes só desejo que te vás aguentando mais um bocadinho.

Porque tenho medo.
E mais medo ainda que por te perder a ti, perca os dois quase de uma vez...

Nem sei... só sei que me custa nunca saber o que fazer, o que dizer e por vezes nem saber o que sentir..

Mas hoje soube ao ouvir-te e ao olhar para ti... E foi aí que percebi e senti finalmente, que aos pouquinhos te estamos mesmo a perder.

Thursday, September 04, 2008

Simples

















Está tudo à distância do esticar de uma mão.
So há que a esticar e viver.