Tuesday, June 23, 2009

Si tú estás bailando,si tú estás besando,tu te darás cuenta que estos tan gozando.Lo baila Teresa,también Josélito,quimbara quimbara quimbambím bambám

Como está quase, vai daí a perguntarem-me noutro dia o que queria para os meus anos, quando dei pelos sorrisos de cumplicidade e as gargalhdas seguidas do... "Não, isso não te posso dar... pudera".
E como ninguém pode, já sei eu finalmente o que me vou oferecer a mim própria este ano, bombásticamente, entre outras coisas, tudo, mas tudinho aquilo que tenho direito.

Começamos pelo simples, a bombástica da viagem a Cuba, regada com os meus mojitos e os meus daiquiris, all day long, seguidas da minha Salsa que não deixa ninguém dormir em Havana pela madrugada. E como em Cuba não há kizomba vai daqui a minha oportunidade de brilhar à séria na minha verdadeira arte.
Lá fica á minha espera a areia quente das praias mais belas pela tarde dentro, os mares de horizontes mais longínquos ao pôr-do-sol, as paixões mais assolapadas, as aventuras mais estranhas, os dias mais preenchidos, as alegrias mais simples.
Sigo, a tudo o que tenho direito e menos ao resto. Acho que é mesmo assim, o que não tenho não me faz falta e como já me disseram e agora sei que é verdade, se consigo ter sempre tudo aquilo que eu quero, nada que não tenha não me faz falta de certeza.
É uma boa para os 24.
So what the hell am I waiting for?
Só do barco... do meu barco para Miami, para Cuba, para isto TUDO.
Tudo, porque todos devemos ter fome e sede de viver. E é esse sim... sempre o meu único vício. De todas as maneiras possíveis e imaginárias.
Vamos emboraaaaaaaaaaa, e apanhamos já este...

Fui ;)

Wednesday, June 17, 2009

Friday, June 12, 2009

Acho que é das coisas mais tristes...

quando duas pessoas se cruzam e aparentemente já não têm nada a dizer uma à outra.
Especialmente quando um dia foi exactamente o oposto.
Isso sim... é das coisas mais tristes.

Tuesday, June 09, 2009

É isso mesmo...

Monday, June 08, 2009

Lamentavelmente vergonhoso

Pode não servir para nada, pode não ser assim tão importante ou não dar origem às mudanças que são realmente necessárias, como se ouve sair aí de muita boca, mas uma taxa de abstenção nos 60% é realmente vergonhosa. Cada vez mais neste país.
Porque as pessoas querem lá saber, porque dá muito trabalho.
Mas depois todos se sabem queixar e lamuriar por tudo e mais alguma coisa.
Um conselho: não se queixem a menos que façam alguma coisa ou tomem alguma iniciativa para pelo menos tomar nas mãos aquilo que podem e devem fazer por direito, quando têm direito.
Sim toda a campanha foi uma vergonha também... e sim ainda mais pobre deste país com esta sua classe política.
Vamos lá ver o que vão dizer as próximas. E o que vão trazer.
Para já regozijo-me com o pequeno vento de mudança da pequena grande vitória que sinceramente gostei de ver.
Por algum lado se começa.
E é para continuar porque o trabalho de alguns anos dá frutos e devagar se vai ao longe.

Thursday, June 04, 2009

Há tanta mulher linda neste país...

Não tendo nada a ver com nada, a verdade é que se uma pessoa reparar há mesmo muita mulher linda neste país.
E não deixando de ser ridículo aproveito também para dizer que há igual quantidade de homem inseguro, cobarde e ignorante aqui mesmo também. Mas isso já não tem nada a ver com isto. Ou até tem.
É que uma pessoa começa a reparar ou melhor começa a pensar no ridículo que isto é e dá com ela com as ideias todas trocadas.
Tem tudo a ver com os círculos em que uma pessoa se movimenta e é lindo de observar.
Fiquei rendida e ainda estou para saber como...
É que noutro dia dei comigo a pensar "não vale mesmo a pena". E depois dei comigo nisto...
Por mais ridículo que possa ter sido, é incrível como se podem dispersar as ideias.
E pronto é oficial: acho que me vou virar para as mulheres. LOL.
Mas mesmo...
É como digo, há cada uma neste país...e os homens, pronto, disso nem vale a pena falar.
Tremendamente espantoso como se dispersam as ideias, não?!

Friday, May 29, 2009

Nunca é demais... 29/05/09

"Nunca se deve dizer nunca".
Não existe, porque efectivamente nunca é demais dizer a uma pessoa o quanto se gosta dela, o quanto a amamos ou apenas o quanto ela é importante para nós.
Nunca.
Se gostamos, se é importante, não vale a pena ficar com ele cá dentro porque mais ninguém o vai receber e quem perde é a pessoa que precisa de o ouvir, ou bem mais, somos só nós que verdadeiramente perdemos a deixarmos tudo isso aqui bem engarrafado.
Se gostamos, se é importante diz-se a alto e bom som, sem medos nem arrependimentos, se soa bem ou mal, se faz sentido ou eventualmente custa.
Se gostamos, se é importante, dizemos porque podemos simplesmente perder a oportunidade de o poder dizer, ou podemos virar a cara para o lado e sermos privados dessa pessoa de quem gostávamos ou que considerávamos ser importante para nós.
Simplesmente deixamos sair...

- Gosto muito de ti.
- És muito importante para mim.


Hoje percebi que realmente NUNCA é demais. Porque eu não o digo muitas vezes, apesar de o sentir, porque custa talvez, porque não me soa quem sabe. Sinto-o, mas não quero que a oportunidade passe a quem precisa de o ouvir...
Não sabia o que dizer, não sabia o que fazer, estava ali em pé a olhar para ti sem querer fazer demais nem de menos, mas nisso cheguei perto do teu ouvido e disse-te, que gosto muito de ti. Gosto muito de ti, muitas vezes.
Ajoelhei-me à beira da tua cama e ali fiquei com a mão a passar no teu cabelo até não sentir mais as pernas e até muito, muito depois disso. Fiquei porque sabia que mesmo muito ausente tu sabias que eu estava ali.
Repeti-o muitas vezes a passar a mão no teu cabelo e antes de sair pedi:
- Não te esqueças que gosto muito de ti vó, eu gosto muito de ti, por favor não te esqueças. Não te esqueces pois não...
E foi aí que ouvi um sussurado não que me disseste.
- Não.
Acho que agora sei que sim, que para onde quer que vás não te vais esquecer que um dia gostei muito de ti e ainda bem que to pude dizer e me pudeste também ouvir.

Por isso nunca é demais dizer o que se deve dizer, quando se deve dizer.
Digam, porque eu ás vezes não digo...
Sem arrependimentos, digam só. É importante para quem recebe e nunca, nunca é demais.
Só de menos.

Parabéns, vó.
É mais um ano que sou abençoada com a tua presença na minha vida.
Gosto muito de ti. Sempre.

Sunday, May 24, 2009

All I want is you



Apetece-me gritar, e muito. Isso mesmo que ele diz.

Friday, May 22, 2009

Ás vezes... bate leve, levemente.

Ás vezes, quando páro e me dedico a ouvir e penso efectivamente no que aqui vai, sinto aquele nó no estômago e aquele peso na espinha de saber realmente como as coisas são, e como deveriam ser.
Parece que sempre que me deixo parar e até mesmo quando isto não pára, acabo por ouvir em repeat aquelas palavrinhas que os amigos nos dizem, sábiamente ou não, que já ouvimos tantas vezes e mesmo que façamos as coisas de maneira diferente, acabam sempre por nos perseguir...

" - Nem vale a pena ires por aí..."
" - Eu bem te avisei."


Mas na verdade, aquilo que me custa mesmo não são estas palavras dos amigos, são outras bem mais ferozes, que vêm sei lá eu de onde mas que eu conheço tão bem quase como me conheço a mim...

" - Pensava que eras mais inteligente do que isso..." -

Isto sim é o verdadeiro e derradeiro pontapé no estômago.
"Pensava que eras mais inteligente do que isso...", isso mesmo, e esta também diz o clássico, eu bem te avisei.
É isto que me deixa sem voz, sem reacção, sem emoção e que deixa o turbilhão andar por aí. É que eu também pensava. Mas ás vezes não sou, segundo parece.
Às vezes...
É nestas alturas que isto simplesmente me bate cá dentro e me cai no colo a idade que efectivamente tenho e que ás vezes me esqueço ter.

Outro pontapé no estômago.
Daqueles.
Mais que ouvir, custa saber. Porque eu não oiço. Eu sei.
Porque quando penso, foram raros os que chumbei... mas realmente há testes muito duros nesta vida.

Wednesday, May 06, 2009

A beleza da obra-prima - Always to look life in the face: happiness, it was the moment, right then


"I remember one morning getting up at dawn, there was such a sense of possibility, you know, that feeling? And I remember thinking to myself that this is the beginning of happiness, this is where it starts. And of course there will always be more. It never occurred to me that it wasn't the beginning... it was happiness. It was the moment, right then."



"Dear .......
To look life in the face. Always to look life in the face and to know it for what it is.
At last to know it. To love it for what it is, and then, to put it away.

....... always the years between us. Always the years. Always the love.
Always the hours."


You cannot find peace by avoing life.
Thank you.


Monday, May 04, 2009

O horário do Padeiro...

Ora vamos lá ver, o que tenho eu a dizer sobre esta dávida da natureza que me caíu no colo, o tão desejado trabalho pela noite dentro até ao raiar do dia...
Podia dizer muita coisa e ainda assim, depois de ter escrito sobre este tema, escolhi apagar tudo o que escrevi pelo simples facto de que escolho desta vez ver o positivo em vez do negativo.
Apesar de poder dizer muita coisa sobre esta semana que passou, de tudo o que foi mau e me custou, prefiro apenas deixar o registo daquilo que de bom ficou.
Afinal de contas, quem poderá ser assim tão privilegiado que consiga testemunhar tanto o pôr como o nascer do sol durante 7 dias seguidos?
Não sei. Mas eu fui.
E soube bem, especialmente vê-lo aparecer no céu durante todo o caminho para casa, às 7h da manhã pela Crel. A luz e o calor dourado a tomarem conta do azul pálido do céu.
Sublime não?
Hoje ainda vai saber melhor.

Thursday, April 30, 2009

Zen

E será que não era mesmo disto que eu precisava?





Pouco foi dito ou pensado. Nada meu.
Ocorreu-me, perguntei, li, confirmei e pensei... Porque não?
Uns dias para acertar pontos, sem second thoughts, nem bem nem mal ou será ques.
Quando entrei disse pouco, o essencial talvez, diriam eles no seu sentido prático.
Pouco perguntei, também não sei se queria ou sequer precisava de saber muito.
Já passando ao outro lado pelos corredores ao ar livre, a sala que encontrei parecia ser feita de luz, mas não daquela que cega a vista, daquela que preenche e acalma a beleza dos olhos.
Cheirava a incenso e em surdina ouviam-se acordes de instrumentos orientais a circular pela sala, mas sem ocupar espaço, nem incomodar como se nem estivessem ali, apenas a preencher a envolvência da luz e do ar.

Suspensos do tecto estavam longos panos brancos que esvoaçavam ao fresco a dividir o que não se via nem ouvia porque ali tudo estava na mais perfeita calma e no mais perfeito silêncio.
Parei quase ao fundo e entrei.


Mandaram-me despir, deitar e relaxar. Mas relaxada já eu estava, desde que ali tinha entrado até que saí.

Ainda me pergunto como foi possível passar mais de três horas sem pensar em absolutamente nada. Nem é que não tivesse pensado porque pensei, mas não houve nenhum pensamento que viesse e me incomodasse ou me perturbasse.
Todos vieram e voltaram como se fizessem parte da luz, do som e dos cheiros que envolviam aquela sala.
Mas foi depois da massagem que começou tudo.









Nas costas... Sim nas costas.

E quando sairam das costas............







"...tu tens é essa tua cabeça muito cheia de coisas...
vamos já tratar de a esvaziar."


E esvaziou.

Nas costas, nas mãos, nos pés, no peito, nas pernas, na cabeça, em todo o lado, por todo o lado e para todo o lado... sem eu conseguir ter qualquer tipo de controlo, ainda que tivesse desesperadamente tentado, veio tudo sem eu saber de onde.

Depois, passado um tempo e algumas agulhas mais ficou uma sensação de calma.

Nunca, mas nunca senti nada assim.

Fechei e abri os olhos tantas vezes, mas apesar de os ter abertos sentia como se os tivesse fechados, de tal que era a plenitude e a calma que rondava por ali.

Nem sei bem porquê. É daquelas coisas... Mas fez-me qualquer coisa de bem que não sentia há mesmo muito tempo aqui dentro.

Quando saí, saí mais leve e senti-me assim, tal como mo haviam descrito.

A questão é... Como raio é que não pensei nisto há mais tempo?
Também não interessa. Para a semana há mais.


Disto :)




Wednesday, April 29, 2009

Hoje é o dia... O Dia Internacional da Dança

Unesco Culture Section: International Dance Day

In 1982, the International Dance Committee founded International Dance Day to be celebrated every year on the 29th of April. The date commemorates the birthday of Jean-Georges Noverre, who was born in 1727 and was a great reformer of dance.
Every year a message from a well known dance personality is circulated throughout the world.
The intention of International Dance Day and the Message is to bring all dance together on this day, to celebrate this art from and revel in its universality, to cross all political, cultural and ethnic barriers and bring people together in peace and friendship with a common language : Dance.

Podia falar do dia em si, mas penso que é melhor é falar do que se sente.
A dança como língua comum poderia definir-se como a língua própria dos corpos que comunicam entre si silenciosamente.
O que uma dança diz de um corpo ao outro é o mesmo do que uma boca diz a outra boca, um espírito a outro espírito ou o que um par de olhos transmite a outro olhar.
Cada um pode dizer tudo ou não dizer nada, mas no entanto podem dizer tanto ou dar tanto nas suas pequenas e sublimes manifestações.
Continuo a dizer, por mim ficava assim para sempre, suspensa no abraço das línguas silenciosas entre a deslocação do ar perdido nas vibrações das notas, que passam...entre os movimentos do corpo de quem dança.

Because Dance... Dance is silent poetry.
"So let us dance to remember, let us dance to forget"





Friday, April 24, 2009

Falta aqui qualquer coisa...

Falta.
Falta.me.

Falta-me o ar.
O chão.
Tem dias.
Mas falta.
Parece que o tempo não passa, mas passou.
E agora teima em não querer passar.

Sim, falta aqui qualquer coisa.
Mas daí talvez seja e só tenha sido... just a dirty little secret.
now there's just some awkward trouble breathing.
sometimes. too many t....


Tuesday, April 21, 2009

Não é todos os dias...

...que se dança não com um, mas com DOIS mestres da Kizomba!
_A-M-E-I_

"eueeeeeeeeeeee fica comigo, ai ueeeeeeeeeeeeeeeeeeee dança comigo, quando não danças comigo meu coração reclama!"

No estrangeiro já lhe chamam "angolan tango"
ai e o que eu amo isto...
aqui foi e aqui fica, dose dupla :)





Thursday, April 16, 2009

De mi corazón... Um dia nunca mais digo um dia.

Já vi dançar melhor... já. Daí talvez não melhor, mas diferente.
Com mais ou menos graça, mais ou menos flow, classe, leveza, mais ou menos sentimento.
Não será este o melhor exemplo, talvez por isso tenha gostado tanto, é muito diferente, mas tem ali qualquer coisa.
Apesar do delay que o video tem na parte da salsa, esta coreografia acaba por ter uma cadência linda, principalmente no início e na parte do cha cha cha.
Do styling não se aprende muito de novo, mas a postura e o flow corporal são bonitos de se ver e a verdade é que ela faz 12 voltas seguidas. 12. Muito direitinha com uma das pernas suspensa numa das mãos.
Já vi fazerem umas 20...
Eu fico com as minhas 4 :)
Toda a parte inicial da acrobática, essa sim já é muito à frente
- reformulo: A salsa acrobática é muito à frente, mas a metade pelo menos, quem sabe chegarei.
E porquê só metade? É que eu cá não gosto de metades.
Já faltou mais... De mi corazón - Porque não sou feita de material que desista de nada, assim aperfeiçoando cada gesto vou lá chegando mais perto a cada dia que passa.
A ela só faltou um pormenor. E daí, talvez não... Até que gostei dos guts pra ir dar o show assim ;)
Aqui fica:
Para quem não dança que aprecie, para quem dança sabe bem do que falo.



Tuesday, April 14, 2009

Hoje cruzei-me com... Previsões para 2009


Caranguejo



Este ano marca o início de uma profunda mudança que decorrerá ao longo dos próximos anos, quer em termos das suas necessidades profundas, quer em termos dos seus relacionamentos com outros a nível íntimo, quer a nível daquilo em que acreditava sobre si mesmo.

Nos próximos tempos, dará por si em conflitos abertos entre o que acredita estar certo e o que acaba por dizer e fazer, e provavelmente o grande palco do crescimento este ano é a esfera dos relacionamentos amorosos. Você está a atrair para a sua vida pessoas poderosas e marcantes, por quem você se sente tão irresistivelmente atraída como dominada e assustada.

Neste cenário e ao longo deste processo, a sexualidade vai desempenhar um papel muito importante, e vai dar por si a questionar profundamente os seus valores - quem sabe, este é o ano em que descobre que é possível ser verdadeiro e quebrar regras com que não concorda sem trair o seu próprio senso ético.

Reconheça que há muito tempo não se sentia assim arrebatada.
Isso fará da viagem às profundezas das emoções e dos sentimentos pessoais um ritual de transição de consciência, purificador e iniciático. Daqui por uns anos, quando regressar a si mesma, descobrirá que já não é a mesma pessoa.


É sempre interessante... Mas deste gostei.
Purificar e iniciar parece-me bem. Evoluir, sempre.
Agora o resto, olha... venha de lá também!
Desde que não venham duques e manuéis vale tudo.

Saturday, April 11, 2009

He's just not that into you

The beginning of our problem:
We're all programmed to believe that if a guy acts like a total jerk that means he likes you.
- How stupid can this be? -
Because it's always about meaning what you say without saying what you mean...
- You're not the exception, you're the rule - So please don't rely on the signs because there're just not there.

Valeram as gargalhadas, da vida real para o ecrã!!
Lindo.
Gracias Tânia ;)


Thursday, April 09, 2009

Estou tipo farta até à ponta dos cabelos...

But then again I realise that I just fucking can't...
And it's so fucking pointless...
So god damn fucking pointless, that I just pray to snap out of it.
Otherwise, and so they say: "heaven's gonna burn your eyes"





Retaliation.
Retaliate.
Because I said so.
And now what?

Friday, April 03, 2009

Vou partir

Talvez Quinta-Feira seja mesmo dia de teatro. De literatura. De artes. Já não o sabia, nem me lembrava, porque talvez tenha escolhido não querer saber. É sempre mais fácil.
Mas afinal ainda sei, e é. Efectivamente, dia de cheiro a páginas de livros por abrir, das tintas envelhecidas dos quadros expostos nos museus e do pó bafiento das cortinas dos teatros. Dia de luz, treva, cores, sons e sabores do que vai preenchendo os espaços vazios sedentos de conforto, de saber e de cumplicidade.
Atirei-me de cabeça a visitar o Al Berto durante A Noite entre os lustres e mármores do velho D. Maria II. E encontrei-o bem. Vivo. Apesar de estar morto, nas vozes e nos gestos de outros corpos que não o seu e que o trazem bem vivo à minha memória.
Acabou por ser um encontro de mestres, estudantes, académicos, colegas e actores, naquele mundo que tinha deixado na prateleira há já alguns anos atrás, num qualquer dia de qualquer ano mas agora com hora marcada, no mesmo átrio do lugar que veio trazer a cultura a ser partilhada.
Com isto houve um doce segundo em que me sentei a beber café na varanda do teatro e ao observar os corredores e as pessoas que passavam viajei um segundo que fosse e reservei-me a reviver um bocadinho daquilo que deixei atrás...
Tomei umas quantas decisões, durante todo o santo dia e depois, quando acordei da minha viagem. Vou voltar a estudar e não há obstáculo que me detenha até onde quero chegar. Onde preciso de chegar. Tenho sede das salas e dos livros, fome das conversas e das dissertações.
E de ter juízo, disso lembro-me, tenho quilos de fome.
Mas as cortinas da varanda esvoaçaram e tudo naquele momento se apagou.


A varanda iluminava toda a sala com as luzes provenientes da praça do Rossio, das fontes, da cidade adormecida e abandonada que tinha vindo cair ali naquele preciso momento. Convidava-a a que ficasse, mas ao espreitar mais a luz que vinha do outro lado das portas de vidro, viu Virginia Woolf sentada num das poltronas antigas do teatro, com o seu tabuleiro de folhas brancas e a caneta torta que ia molhado apressadamente no tinteiro.
Num movimento calmo, quase em câmara lenta, passara as portas e sentara-se no chão ao seu lado enquanto a ouvia murmurar as palavras que ia entrelaçando noutras palavras, de que tirava as frases confusas em que se viajava nos seus livros. Como se um sonho se tratasse à luz da voz da consciência que ela trazia sem sequer saber bem de onde. "To the lighthouse"... Seria? Poderia ser, mas sem conseguir ouvir bem o que ela dizia, porque o murmurava como se estivesse em transe à medida que os sentidos comunicavam com a mão que deslizava as letras para a folha de papel.
Aproximara-se para conseguir ler, ela nem se dera conta da sua aproximação, nem a via. O estranho passara a inacreditável, quase sublime:
"- Mrs. Dalloway said she would buy the flowers herself... I think I'll buy the flowers myself...You cannot find peace by avoiding life, Leonard..."
- Cortei o meu longo cabelo loiro. De uma só tesourada. De uma vez só.
Não me serve de nada, já. Sendo que não é ele que me traz valor, que me dá seja o que fôr, então que o corte. Assim talvez me possa sentar à mesa daqueles homens e participar ou saber, entender que seja, podendo por segundos ser com eles eu homem também.
Não preciso de festas, de fatos e combinações. De batalhar nada com ninguém. Esgotam-se-me as aparências, os dizeres de boca em boca, os fretes, a falta de consciência. As indecisões e sinuosidades da vida mundana... -

" - Dear Leonard. To look life in the face, always, to look life in the face and to know it for what it is. At last to know it, to love it for what it is, and then, to put it away.
Leonard, always the years between us, always the years. Always the love. Always the hours.
You cannot find peace by avoiding life, Leonard.
Love, Virginia."

Não... Era Mrs. Dalloway que Virgínia Woolf escrevia.
Deixara-a. Ouvira vozes animadas no andar de cima, a varanda ainda a convidara a ficar, mas a viagem ia já demasiado avançada.
A meio das escadas encontrara Shakespeare, eufórico a descer o corrimão enquanto balbuciava trechos de canções das suas peças e uma ou outra fala de certas personagens, maravilhado com o leque de pessoas que o rodeavam sem efectivamente o verem, na esperança de conseguir material para uma nova peça.
Ao olhar para trás, vira no fundo da escadaria Tennyson que o olhava com ar de reprovação, como se de uma criança pequena se tratasse, ao vê-lo descer pelo corrimão e voltar a subir, entrelaçando-se entre os casais de mão dada em busca de traços que apontava numas folhas amarrotadas de papel que se apressava a tirar do bolso.
Ao cima das escadas, num átrio escondido atrás de um conjunto de colunas ao redor da pequena mesa de centro estavam sentados Lincoln, Thoreau, Jefferson, Washington, Emerson, Whitman e Roosevelt, que discutiam ainda as raízes e fundações da sua nação arrefecida, as escolhas, as filosofias a que tinham ido beber os seus princípios para as mentalidades que pareciam agora tão deturpadas.
Falava-se dos índios, das guerras e das opções que lhes tinham custado vidas e mortes. Das coisas que tinham vindo dar voltas ao povo que agora se contorcia na amálgama de buracos negros em que tinha caído. Ninguém sabia de quem era a culpa, os argumentos eram muitos e a discussão seguia acesa, cada um com a visão do seu próprio tempo. Falava-se de indiferença, de engano e de valores.
Emerson, no entanto, falava do mundo que deveria ver-se peça a peça, o sol, a lua, os animais, as árvores e que o todo em que todas estas partes brilhavam como um só era a alma. A alma que todos pareciam ter esquecido.
John Kenneny não tinha podido comparecer, não era seu hábito mas as costas não lhe tinham perdoado naquele dia e Jackie tinha insistido para que ficasse em casa ao invés de participar do que chamava as tertúlias filosóficas ou reuniões políticas dos amigos.
Do outro lado da sala, Lord Byron fumava calmamente uma cigarrilha de baunilha, sentado no parapeito da Janela, enquanto recitava versos para a lua que Neruda ia compilando, traduzindo-os imediatamente para espanhol. Simplesmente sublime de observar.
Cá em baixo no Jardim de Inverno Octávio Paz, Sabines, Vargas Llosa, Miguel Angél Asturias e Júlio Cortázar trocavam ideias, atiravam linhas de poemas que se dissipavam no ar como fumo, entre um ou outro bafo de cachimbo. De vez em quando gritavam bocas aos americanos. Barbaridades dizia-se que diziam, outras vezes assentiam simplesmente com a cabeça, entreolhavam-se com ar de acerto e respeito e talvez uma ponta de admiração. Era raro. Mas dessas vezes não gritavam, não diziam nada. Lá em cima eles saberiam que era um sinal de apreço.
Depressa voltavam às linhas inquietas dos seus poemas, às actualidades das suas nações hispano-americanas, sem dar muita importância aos americanos que lá bem no fundo consideravam uns brutos, exploradores de ouro, desprovidos de uma ponta sequer de humanidade. Mas isso era no antes. Agora reuniam-se todos, davam apertos de mão vigorosos e trocavam ideias sobre os trabalhos de cada qual, ao sabor do whisky e dos charutos do final da noite.
Pessoa entrava e saia inquieto. Coisas do ópio talvez. Coisas da vida. Comentava com Paz, ajoelhado ao seu lado na cadeira. Onde andará… Onde andará? Voltando novamente a sair. Ninguém sabia o que procurava mas também ninguém parecia muito preocupado em ajudá-lo a encontrar. Mas ele entrava e voltava novamente a sair da sala com o livro debaixo do braço e olhava esperançado para Paz enquanto dizia incomodado que era uma estupidez, tudo. Uma loucura. Paz olhava-o confuso e encolhia os ombros, sem saber do que falava.
- Tenho que me deixar disto Octávio. Já não tenho idade nem cabeça para estas coisas... E o Mário já chegou velho amigo? Tenho uns poemas para lhe mostrar. Hoje não tenho assunto a discutir com nenhum de vós. Ando incansável e inconsequentemente à procura de uma coisa que não encontro e hoje não estou dado a politiquices ou tão pouco versices se é que se pode dizer assim. No teu portunhol lá me entenderás... É que anda aí outro poeta, um como nós que escreve sem lhe saber de onde. Al Berto parece-me. Tenho que lhe dar uma palavrinha com o Mário que só está cá hoje. Digno de mérito o tal sujeito mas já não é do nosso tempo. Entretanto deixo-vos, o Mário não chega e tenho umas aguardentes a pagar lá em baixo no Martinho. Ainda não perdi a esperança de encontrar aquilo que perdi pelo caminho. Talvez um deles chegue enquanto vou e venho.
Deixara-os entregues cada um a seu assunto, aos seus charutos e ao seu whisky, passando apressadamente pela escadaria de onde Shakespeare tinha caído e Tennyson se ria cá em baixo com todas as forças que tinha.

Foi então que o vi, sentado atrás do cortinado que dava acesso a um dos camarotes daquele andar.
No colo tinha um livro e na mão um copo de Whisky com pouco gelo como era seu hábito.
Aproximei-me sem me querer fazer notar apenas para observar o que fazia, não podia acreditar que tinha estado ali sentado todo aquele tempo, com toda aquela comoção do lado de fora da sala.
- Sei que estás aí, já te vi - disse. Vieste ver o espectáculo foi? Eles não falam de mim, sabes. Falam de coisas que pensam ter sido a minha vida e dizem-nas entrelaçadas nos meus textos e nos meus poemas, como se de uma simples historieta se tratasse.
- Eu sei. Quer dizer não sei, ainda não vi. Mas sei que não podiam falar de si...
- De ti. Falar de ti. Trata-me por tu. Nunca gostei dessas coisas não era agora depois de morto.
- Mas como é que... eles não me vêm e você... desculpa tu.
- É daquelas coisas. Já te tinha visto por aí a olhar para eles, eles é que ainda não me viram, é conforme lhes apetece. O Pessoa até quer falar comigo, nem sei de quê, ele já viu a peça, não traz nada de novo, basta ler o que escrevi todos estes anos e nunca ninguém leu ou deu o devido valor, só agora e nem assim entendem.
- Era para se entender que escrevias?
- Era eu, só. Quem entendesse que quisesse. Que tirassem de lá o que fosse para tirar. Eu sempre escrevi livremente e vivi de igual forma também, mas eu sei que tu sabes disso.
- Sei, ainda me lembro de si.. de ti. um dia, que nos cruzámos muito rapidamente.
- Deveria dizer-te que não lesses os meus poemas. Era mais sensato.
- Devo dizer-te então que não consigo deixar de os ler. Antes deixasse de fazer tantas outras coisas e fosse mais sensata.
- E devias. Não de ler, mas de deixar. És sensata, mas ainda és muito nova para essas coisas, eu lembro-me de ti quando ainda eras nova ainda... mas há coisas que se sabem sempre. E eu sei que tu sabes. Há coisas que nunca mudam, por mais que nos digam ou nos tentem enganar.
- Eu sei e vou.
- Então anda vai, já estão a fechar as portas da sala, depois não entras.
- Mas há tantas coisas que lhe quero perguntar…
- Eu sei, mas não há tempo, nem hora.
- E eles?
- Ficam por aí…
- E tu?
- Ficamos todos, eu também. Sei o que me queres perguntar, mas posso dizer-te que hoje lhes troquei os textos. Sabia que vinhas cá. Procura a Carta da Flor do Sol, eles dizem-na para ti… "Vou partir". Sei que é o teu preferido.
- Eu também vou... partir. Obrigada. É mesmo o meu preferido.
- Até um dia.
- Até um dia...


“vou partir
como se fosses tu que me abandonasses
o último sonho que tive era estranho
via o fundo límpido duma rua estreita
que desembocava num largo iluminado
havia leões empalhados nos passeios em areia solta
já não me lembro bem
parece que uma mulher avançava com um envelope na mão
estendia-mo e gritava
mas eu não conseguia perceber
insultava-me muito provavelmente
tinha a cara escondida por um pano branco bordado
apenas via a sua boca enorme abrir-se
e furiosamente engolir a púrpura do ar
que envolvia as cabeças reclinadas dos leões
ouvia o buzinar nervoso dos carros
exactamente como se ouvem agora
mas não conseguia vê-los
depois
um rapaz apareceu a uma esquina e reconheci-te
uma voz gravada na memória acompanhava-nos
quando nos dirigimos um para o outro
em câmara lenta
ouvíamo-la sussurrar: procuro-te
no interior as penumbras no esquecido sal
das casas abandonadas à beira-mar
procuro-te no perfume excessivo do mel
armazenado pelas abelhas no entardecer das pálpebras
vem
mergulha as mãos no troco das árvores
suspende a noite da longa viagem
estás a naufragar
o espelho quebrou-se e tu já não reconheces as paisagens
o corpo estilhaçou-se...


tinhas a cara mascarada com sangue quando a voz silenciou
a mulher ria
eu corria para ti sem conseguir alcançar-te
sentei-me na cama
veio-me do fundo da idade o momento em que nos conhecemos
resolvi levantar-me a meio da noite e escrever-te esta carta

sabes
por vezes queria beijar-te
sei que consentirias
mas se nos tivéssemos dado um ao outro ter-nos-íamos separado
porque os beijos apagam o desejo quando consentidos
foi melhor sabermos quanto nos queríamos
sem ousarmos sequer tocar nossos corpos
hoje tenho pena
parto com essa ferida
tenho pena de não ter percorrido teu corpo
como percorro os mapas com os dedos teria viajado em ti
do pescoço ás mãos da boca ao sexo
tenho pena de nunca ter murmurado teu nome no escuro
acordado
perto de ti as noites teriam sido de ouro
e as mãos teriam guardado o sabor do teu corpo.

....

caminhamos em direcções opostas
ou melhor
eu caminho enquanto tu não existes.”


Al Berto (1948 – 1997)

O Medo - Antologia 1974 - 1997
23 anos de obra com 23 meus de vida


Obrigada, Al Berto.

Monday, March 30, 2009

Hoje lembrei-me...

...que escrever é confessar-se.


Estranhamente as palavras têm-me escorrido das pontas dos dedos todos os dias, parecendo que nascem das minhas unhas gravitadas para o papel, ou simplesmente desse movimento frenético que arrepia a pele da ponta dos dedos à medida que me sobe pelo braço, com o bater vertiginoso das teclas do computador.
O cérebro não acompanha, não consegue.
É aqui que se distingue perfeitamente a debilidade da cabeça, da razão se assim o quiserem, em acompanhar aquilo que os sentidos mandam sem pedir permissão.
Eu por mim confessava tudo. Desde a ponta do cabelo mais longo até ao limite da unha do pé.
Hoje, inesperada e insanamente apeteceu-me fazer uma loucura.
Uma daquelas loucuras do antigamente, a uma segunda-feira à noite, nem mais, simplesmente porque sim.
Loucamente... Apeteceu-me ir fazer corridas com o vento na auto-estrada, pinos e trapézios por trás das ruas e dos muros onde passeiam os gatos vadios, jogar ao toca e foge com duas amigas de longa data, pensar de menos e sentir demais.
Mas lembrei-me que a realidade é outra e que tenho andado a dormir acordada.
Sonhar acordada, perdão. Mas a verdade, essa é que não gosto de sonhar a dormir, por isso ando a dormir acordada, sem saber onde ando a dormir, nem sequer onde estou acordada. Tal como não se consegue acordar de um sonho ou de um pesadelo, é igualmente impossível acordar de um sonho que se tem acordado.
Experimentem querer decidir. Não acordam.
O sonho vai até onde ele próprio quer, deixando apenas que se acorde quando ele achar que deve ser.
Mas não, não fiz nenhuma loucura.
Sentei-me a deixar que as palavras escorressem para onde e como quisessem.

Já gastei a minha parte de loucura desta década, fiquei a dever-lhe uns quantos contos de reis, mas ela sabe que não lhe posso pagar e por isso não me procura. Como não gosto de ficar a dever nada a ninguém, fizémos um acordo, eu não a uso e ela não me cobra.
No entanto, não me consegue garantir ninguém que ela não me use a mim e ainda por cima me cobre.
Mas dizem que a realidade é outra.
E a loucura não cobra escrever coisas nobres, mas desprovidas de sentido. Deve-me fazer bem escrever barbaridades. E pensá-las também.
O que se tem não se deve deixar transbordar, é um desperdício. Acaba por ser uma pena.
Mas confesso-me noutro dia.

Escrevo só... já te pedi tantas vezes e tu nunca me ouves.
Não vejo para quê confessar-me...



Saturday, March 28, 2009

A alma entende e a boca cala...

"Pior do que se sentir perdido é perder-se em si mesmo.
No emaranhado do que você acredita misturado ao que você é ou era.
O que você acredita, apostando corrida com o que você mais detesta.
O que você tem, jogando palitinhos com o que você quer.
Seu amor e suas dores na linha de chegada e o coração de juiz em dia de clássico.

Eu não sei se você entende o raciocínio de quem não tem raciocinado ultimamente ou se entende o porquê de certas coisas que não se explicam.

Quando a cabeça não pensa o corpo padece. Mas quando a cabeça pensa demais será que nossa alma enriquece?

Você cheio de indagações e de tácticas que não fazem o menor sentido. (pelo menos para você ou pelo menos naquele momento).

As suas certezas mudam, as suas prioridades deixam de ser prioridades já que você nem sabe mais o que deseja. Até sabe, mas está tão longe e você está tão cansado que o mais fácil é deixar que as prioridades te encontrem e você pode fugir do que não interessa.
Seus princípios enfraquecidos te cobram uma atitude e você cobra a coragem.

Os seus olhos pesam e seu coração já bate fraco. De tanto que bateu a vida inteira. De tanto chorar amor e fracassos.
De tanto chorar pelo leite derramado você decide que se entender é complicado demais.
O quente queima e o frio é gelado demais, vai o morno mesmo que não causa sensação alguma e no momento você não tem sequer condições de sentir o que quer que seja. Sentir dá trabalho e trabalho acarreta uma série de responsabilidades. Responsabilidade é chato demais e não aquece seus pés nos dias frios.

Você enfim, opta por decidir somente pelo necessário. Pelo que realmente vai fazer alguma diferença em sua vida e desiste de tentar equilibrar-se, isso é para artistas circenses e você nem gosta assim tanto de circo. Melhor deixar assim.

Uma porta de saída e uma de entrada. O que vale fica e o que não vale que valesse. Nada de culpa ou de noites mal dormidas, nada de coração na boca ou de frio na barriga.

Certas coisas não se explicam. Não existem palavras que as descrevam ou soluções que as resolvam.
Sentimentos, gestos, sonhos e sorrisos.

A alma entende e a boca cala..."

Wednesday, March 25, 2009

Parte-me o Coração... Porque também Tu me deixas...

Custa-me vir para casa, chegar e ver-te assim. E saber.

Ainda não consigo acreditar que também tu num destes dias próximos me vais deixar.

Odeio, simplesmente odeio a impotência de não conseguir fazer nada, eu que te criei, todos estes anos.

Nada...

Não sei como vai ser... Não sei. Não sei. Não sei...

Thursday, March 19, 2009

"Balada para os nossos filhos"...






"¿En que lugar, en donde, a que deshoras me dirás que te amo?
Esto es urgente porque la eternidad se nos acaba..."


Sei que ainda rebola cá dentro um certo... rancorzinho, vá.
Mas felizmente muita coisa mudou. Em tanta coisa.
Por isso, e sendo que aqui vai mais um:
Que tenha sido Feliz.
Até que foi e talvez um dia, um dia quem sabe.
Eu espero. Ou pelo menos tento aceitar.
Mas a eternidade, nem essa... dura para sempre.

Saturday, March 14, 2009

There's something really wrong here...

Sala cheia na penumbra, calor humano, até demais. Da música a vibrar sente-se a batida forte, seca mas sentida, daquela que me passa um arrepio pelo corpo e me faz correr o pensamento.
Estão todos ali, todos. Ou quase. Caras familiares, outras estranhas, mas o ambiente é calmo e de aura amena.
Com um pouco mais de luz vêm-se vários corpos a deslizar entrelaçados, agarrados para quem quiser dizer, mas como dizia o Kwenda, a kizomba não são dois corpos, é apenas um que se funde dos dois e paira completo ao ritmo do sentimento que sai da música.
Do lados vêm-se esses vultos, com um pouco mais de luz vinda das janelas abertas. Um ou dois, conforme o sentimento, conforme a batida.
E páro. A meio duma kizomba... dançando sem dançar... os pés continuam, mas o corpo não.
Páro porque tenho... e penso... Não faz sentido...
Será que isto vai ser sempre assim?
Será?
Será que ela tinha razão?
Quantos mais meses, mais anos terão que passar?
Quantos?
Eu não sinto nada.
Absolutamente nada.
Como é que é possível?
Simplesmente - Não Sinto.
Nada.
Mas estão todos ali. Riem, entrelaçados ou afastados, dançam a deslizar pelo soalho envolto na penumbra da sala que deixa ver apenas para os mais atentos o que dois se pode tornar em um.
Muitos dois, alguns uns, sempre na penumbra. Na cumplicidade.
Há qualquer coisa que está muito errada aqui.
Sinto. Tem que estar.
Porque eu não sinto,
absolutamente,
nada.

Thursday, March 05, 2009

Sakura

Hoje nasceram jarros e lírios roxos. Pela primeira vez neste ano, neste novo ciclo no jardim que posso chamar meu há mais de 15 anos e que me faz sempre lembrar, quando me esqueço de quem sou.
Apanhei-os para os pôr numa jarra do meu quarto, mas quando subia as escadas vi-te e sorri. Estendi a mão e disse-te que as ia pôr numa jarra mas que tas queria dar a ti.
Sentei-me na sala e fiquei uma vez mais deliciada a olhar para ti enquando mexias nos teus papéis e nas tuas revistas completamente absorto da maneira como eu sempre te fito e que consegue encher-me de felicidade, pelo simples facto de estares ali, sem me exigires nada, nem a minha conversa, nem o meu silêncio, apenas que esteja, como tem sido desde sempre.
Há uns dias senti uma falta de ar estranha, falta essa que tenho sentido à já algumas semanas, porque cheguei a casa e não te encontrei e soube pelo telefone que estavas no hospital.
Descansei apenas quando chegaste e mais uma vez, pedi-te que te sentasses ao meu lado para que descansasses tu também, mas tu não quiseste. E no silêncio, esse em que partilhamos tudo e é sempre só nosso, continuaste na tua azáfama a preparar um chá ficando eu a olhar-te sentada no banco da cozinha, com aquela sensação de que tudo está em ti, passando por mim, aquela felicidade que está sempre intacta, mesmo quando por vezes não estamos de acordo.
Olhei-te com algum peso, com aquela falta de ar estranha, o foco no teu coração.
Se pudesse, pensei, se pudesse dar-te-ia o meu coração para que ficasse no lugar do teu.
Se pudesse, arrancava-o apenas, porque tenho medo. Tanto medo que o teu um dia se canse e queira parar de fazer o seu trabalho.
Sei que o meu já traz algum peso, que não tem só coisas bonitas lá dentro, que leva já marcas negras e onde vão tantas pessoas que já o carimbaram. Pesa um pouco. Mas tem tanto lá dentro ainda, tanto que transborda por vezes e se perde. Mas eu arrancá-lo-ia para to dar se pudesse, mesmo que o meu peito ficasse vazio e a falta de ar que sinto fosse para sempre, dar-to-ia porque te amo incondicionalmente. Por tudo o que és, mesmo as coisas mais feias, mesmo as que eu não consigo compreender.
Olhei-te e senti vontade de mandar as mãos ao meu peito, olhando o teu... de pelo menos estendê-las e tocar o teu lá bem no fundo para poder aconchegar o teu coração entre elas nesta coisa tão grande que sinto cá dentro, para que ele tivesse mais forças e recuperasse essa energia que já lhe vai faltando...
Nunca te disse estas coisas, talvez nunca diga nem nunca as leias, mas digo-to sempre através dos meus olhos que fitas nos dias em que estás mais feliz e me abraças tão forte quando chego ou quando eu simplesmente to peço com os braços à tua volta, que me abraçes forte, tão forte quanto possas e tu me dizes que mais forte me sufocas.
Eu não me importo. Que me abraçes só e me sufoques se fôr preciso.
Porque eu te amo incondicionalmente e só to sei dizer assim, através do meu abraço e dos meus olhos.
É nestas alturas que me lembro sempre de quando era criança e me passeavas nos teus ombros pela praia e me levavas pela mão lá no Seixo para que toda a gente visse que era eu a coisa mais preciosa que tinhas.
Não preciso que mo digam, apesar de sempre mo virem dizer que lhes contas como estou bem e como tens tanto orgulho em mim. Os teus olhos por vezes enchem-se de lágrimas quando o dizes, é raro, mas quando o dizes os meus também.
Ás vezes tenho saudades de passear contigo na praia à beira mar, de fazer castelos que levem as ondas, porque agora tudo é diferente mas há coisas que nunca mudam.
Os meus pés têm já saudades dos grãos quentes da areia da praia, os meus olhos e a minha pele saudades do áspero do sal e minhas mãos... as minhas mãos já tinham saudades do toque aveludado das flores do jardim.
Só ontem me apercebi quando nasceram os jarros e os lírios, que a Primavera deste ano chegou, porque fui à janela e vi as florzinhas brancas a nascer em todas as árvores do jardim.
Fechei os olhos e sorri, continuava a ver as flores brancas, como as vejo nos longos corredores dos jardins de cerejeiras brancas no Japão. Infindáveis... magníficos, e sempre tão perto que lhes posso tocar se apenas estender a minha mão.
Levantei-me para pôr as flores numa jarra da tua mesa-de-cabeceira para te animar o quarto e depois de um sorriso saí para o jardim com um até logo.
Agora sei que tudo é diferente, mas sei que ainda um dia havemos de passear outra vez pela praia e um dia te levarei a voltar a ver a tua terra, a tua simplicidade não me pede nada, mas o que tenho é meu para te dar.
Por agora sei que ficas bem. Não tenho flores de cerejeira para te dar, mas tenho flores.
Dar-te-ia flores de cerejeira porque foste um guerreiro, viveste com precaridade e a tua alma é pura, como deve ser a alma de um bom homem, de um guerreiro, assim como está escrito no Hagakure.
E tu viveste como um guerreiro sempre. E por isso tento homenagear-te sempre, enquanto estás aqui comigo. Um dia terei também flores de cerejeira para te dar, garanto-te.
Pelo que simbolizam, pelo que simbolizas para mim. E nem que tenha que ir até ao Japão, ao fim do mundo que seja, irei trazer um dia flores de cerejeira para te dar.
Não te vou desiludir nunca nem que vá até ao fim do mundo, porque a minha força dura até que ele chegue ao fim, para tudo. Mesmo que não possa nunca arrancar o meu coração para pôr em lugar do teu.
Um dia trago-te flores de cerejeira. Prometo. E eu nunca falho as minhas promessas.
Agora só tenho abraços e sorrisos para te dar. E flores.
Porque hoje só nasceram jarros e lírios. E sei que só isso te chega, mais o tanto que tenho sempre para te dar.

Friday, February 27, 2009

Filhos (I)legítimos

I

Eram seis da manhã.
A luz era já demasiado intensa, o corpo parecia-lhe demasiadamente pesado e no táxi sentia ainda o cheiro do fumo da noite completamente impregnado no cabelo.
Os pulmões estavam pretos do tanto que conseguia ver. Podres até. De respirar aquele ar que a sufocava, aquele ar que não se explicava como nem porque chegava mas que estagnava sempre, num qualquer ponto mais próximo do caminho.
Os ouvidos ainda zuniam surdos da música que lhe ecoava na cabeça e lhe escorria pela pele.
Os olhos, esses já mal se abriam porque a cabeça os semicerrava muito, com a intensidades do ainda premente barulho das luzes.
Atirara com as sandálias uma para cada canto, o vestido ficara no meio do chão e deixara apenas que o corpo pesado caísse em cima da cama.
O cabelo não lhe cheirava a framboesa como era habitual. Aliás nada lhe cheirava a nada.
Eram quase sete e meia da manhã quando acordou com a televisão ligada e os raios de sol a entrarem pela janela, ao sentir o desconforto das duas almofadas que tinham ficado contra a cabeceira a cama.
Depois de apagar a televisão e retirar as almofadas tentara esquecer a luz do dia e voltara novamente a adormecer. No entanto a luz acordava-a, quase de hora a hora e o cansaço era tanto que nem com as constantes tentativas de adormecer lhe parecia que efectivamente descansasse. O coração batia forte contra o colchão, ouvia-se, sentia-se ribombar entre as molas, a ameaçar querer saltar-lhe da boca, parar simplesmente ou se no entretanto não, até lá tinha a certeza que ele congeminaria com o seu cérebro para que a deixassem completamente louca, enquanto todos os demónios, aqueles que pelo menos um dia tinham sido, teimavam em lhe passear calmamente pela cama.
Pensou talvez que ele tinha que se vingar do mal que lhe fazia, para ver se a acordava para a vida, já que ela parecia não querer acordar da espécie de trajectória mórbida em que se envolvera.
Dera voltas e voltas na cama. Voltas a mais quando ouviu que a mãe lhe falava e lhe explicava, coisas que ela teimava em não perceber, em não aceitar, mas que no fundo sabia que a volta não tinha outra curva e que era impossível, impossível fazer inversão de marcha e poder voltar-se atrás.
A dor no entanto era coisa quem ninguém lhe conseguia tirar. Entendia, explicara-lhe, quase que aceitava, mas a dor, essa parecia impossível de se lhe poder arrancar.
Impossível porque nem aquelas escassas horas em que tudo se entrelaçava no nada lhe davam descanso nem paz de espírito. Não lhe davam nada mas também não lhe tiravam tudo. Parecia. Mas não se conseguia conformar, nem voltar as costas. Nem dizer que não aos amigos, nem à sua cabeça que essa sim estava cheia, sempre cheia e teimava em não a deixar em paz.
- Então e tu não lhe podes telefonar, não o podes chamar? Tens a certeza que ele sabe onde é que nós moramos?
A resposta já a tinha ouvido vezes e vezes sem conta e havia muitos anos já que se deixara de a perguntar, mas a imagem essa ainda persistia. Via-se com uns 7 ou 8 anos, ali à espera, sendenta do que não conhecia, de nada. De ninguém.
Voltara a acordar, o telefone tocava em cima da mesa-de-cabeceira.
- Diz Ariella…
- Olha o Rodrigo partiu a cabeça linda. Vê se me podes vir substituir. Desculpa não te queria dizer isto pelo telefone mas a professora Susana tem que ir tratar dos papéis e não pode cá ficar.
- Sim eu vou… mas que papéis?
- Desculpa linda, a comissão de menores veio hoje de manhã buscar o Luís.


II

- O Interesse… o interesse… - voltara a distrair-se num pensamento e parara subitamente de falar.
Do gabinete do médico conseguia sempre ouvir o som dos comboios a deslizar nos carris, conseguia ouvir as buzinas, os apitos de chegada e de partida e as vozes que as anunciavam nos microfones da estação. Ouvia sempre o som do fluir daqueles mesmos comboios como se ouvisse o som de todas as viagens que ainda fariam, como de todas as viagens que ela já tinha e por outro lado ainda não tinha feito.
No gabinete ao lado a outra ainda gritava:
- QUERO A METADONA.
Tornava a repetir a frase duas ou três vezes, gritando e soluçando entre barulhos de objectos que se partiam e minutos depois deixando novamente de se ouvir.
- E então o interesse?
Leonor pensara. Vira-lhe então claramente três lados como via sempre em qualquer outra coisa que tentasse analisar ou até compreender para aconselhar alguém. Para ela acabava por fazer o mesmo, mas era sempre mais difícil.
- Interesse é o que ele sente por ela. Um interesse que eu não entendo qual seja, mas um interesse que me dói porque não o consigo perceber.
Hesitara.
- Depois vejo o que ele sentiu por mim. Um interesse que ainda me dói mais porque é um interesse fundamentado. Um interesse que me foi demonstrado na forma de elogio, de uma valorização com profundidade. Entende?
O médico ia pedir-lhe que lhe explicasse, mas ao abrir a boca o som da pergunta tinha sido abafado pelos gritos do gabinete seguinte:
- LARGUEM-ME, Larguem-me! Quero a metadona, ouviram?! Quero a puta da metadona AGORA seus filhos da puta. Agora! Ou eu vou lá para fora e mato-os todos outra vez. LARGUEM-ME.
Os gritos e a raiva pareciam desta vez ter subido de tom, à medida que se foram também ouvindo os sons de cadeiras e mesas a partir contra as paredes e o chão. O médico olhou-a com alguma desconfiança e depois de conseguir que o seu olhar se fixasse de novo, decidiu então falar:
- Ia perguntar-lhe se achava que ele tinha sido sincero.
Ela hesitara, confusa pela indiferença.
- Doutor não o incomoda?
- O quê?
- Os gritos… Não o incomodam?
- Que gritos… Ouviu algum grito?
- Como é que pode não ouvir… está uma louca a gritar do outro lado da parede. A plenos pulmões. Sobre uma porcaria duma droga…
- Incomoda-a ser por causa disso?
- Sei lá porque é que me incomoda, incomodam-me os gritos, a angústia, o assunto.
- E quer-me explicar porquê?
- Se eu não sei como quer que lhe explique?
- E já pensou porque é que não sabe?
- Sinceramente, acho que assim não vamos a lado nenhum, você responde-me sempre a uma pergunta com outra pergunta... Sabe, é que quase que arriscaria dizer… mas eu não consigo.
- Não consegue? Quer que lhe dê uma ajuda…
- Diga…
- Pense que a mim me passa ao lado. Que quase nem a oiço. Não será bem assim, mas assim entenda-se, você percebe o que lhe estou a dizer. Se a si a incomoda, a transtorna, pense porque será. No que ela grita e porque grita, como grita. Arriscaria a dizer que pode pensar que não seria só ela, vá Leonor, corra o risco de ter a coragem de me dizer o que sabe tão bem quanto eu que quando a ouviu gritar pensou.
- Dizer as coisas é perigoso.
- Se arriscaria dizer, diga.
- Talvez…
- Talvez o quê?
- Talvez pudesse não ser ela.
- Como assim? Que não pudesse não ser ela quê?
- A gritar. Talvez que pudesse não ser ela e ser eu.
- Mas não é você pois não?
- Não.
- Então deixe isso a um lado, sim? Não estamos aqui para falar dela, estamos aqui para falar de si.

Acordara. O cabelo cheirava-lhe novamente a framboesa e não havia demónios a passearem-lhe pela cama.
Só o despertador tocava e o sol entrava-lhe já pela janela.
Eram horas de ir trabalhar.

Tuesday, February 24, 2009

Um dia...

Um dia sei que ainda hei de dançar contigo uma kizomba, numa qualquer praia deserta de Santiago ou do Mussulo...
Com os pés descalços e a alma a transbordar do inexplicável.
Num nascer do sol, entre a areia branca e o mar distante.
Contigo.
A seres tu... sejas tu quem fores.

Sunday, February 22, 2009

To dance is to live...

Ás vezes quando me perguntam se é verdade que danço e porquê, sinto quase como se me perguntassem porque respiro.
Podia dizer que é para me sentir viva, mas prefiro dizer que é porque me sinto viva.
Compreendo que para muitas pessoas seja difícil entender porque têm uma imagem que nem sabem qual é, sempre estiveram do lado de fora e nunca viram, nunca conviveram nesse meio e sobretudo nunca experimentaram o sorriso que provoca o toque de uma dança na pele, nos olhos, no corpo... na alma.
É inexplicável porque simplesmente me transcendo a mim própria.
Porque me sinto ainda mais viva e porque me exprimo sem precisar de falar, de olhar, de pedir, sem complexos, sem preocupações.
E porque vôo com os pés bem assentes no chão. Para todas as partes, para onde, com quem e como quiser.
É de facto inexplicável, só sentindo.
Simplesmente porque sou cada vez mais eu, dentro e fora, tal como sou, cada vez mais...
A cada dia que passa.

Saturday, February 21, 2009

Há coisas que não têm explicação...

Ponto.

Será?

Não sei...

Mas também nem sei se quero saber.