Monday, November 15, 2010

Welcome to the diamond life

"She...
Sits alone in a smoke filled cafe, watching the world go by.
She's all of 18, but she's got looks that tell the truth when she lies.
She says she's all your dreams are made of, and everything you'll never understand.
And since you're lost you can step inside and stay a while.

She...
Sits alone in a smoke filled cafe, watching her past lovers cry.
She's all as make believe, and as real as the September sky.
She says I come in the name of love! And everyhitng you'll never understand.

And as she walks alone in the cold *NewYork* morning she thinks out loud and says:
- Welcome to the diamond life."

Wednesday, October 27, 2010

Ilhas desertas

Deitei hoje o que restava de ti no caixote do lixo juntamente com restos de pedaços de peixe podre, papéis, e cascas velhas de melancia.
No que fomos sempre como ilhas desertas de onde passava um barco para as ligar de tempos a tempos.
Agora já não passam barcos, nem boia lixo.
Escoou tudo para onde vão efectivamente os detritos.
E tu foste com eles, hoje finalmente, para onde vai o lixo e os esgotos quem sabe...
De onde nunca deverias ter saído.

Sunday, October 24, 2010

Mais que óbvio, obviamente.

"Um dia, vais perceber que eu não sou aquilo que tu mereces.
Pois tu não mereces assim tanto."

Me gustó

"- se me hace que eres como la combinacion de los buenos vinos y los mejores perfumes, los vinos se ponen mejor con el tiempo y los perfumes mas finos vienen en envases pequeños..."


" - se me hace que siempre dices las cosas mas preciosas en los momentos más perfectos.
Gracias. Creo que era necesário que escuchara algo por el estilo hoy."

Saturday, October 23, 2010

Entre as várias frases do dia

"mais um cromo. cola na caderneta e vira a página."

E os repetidos? ...

Wednesday, October 13, 2010

Há coisas que na vida não são para ter explicação.

As pessoas não se querem. Usam-se.

E vão caindo assim desamparadas nos braços umas das outras não porque querem mas porque precisam. Do toque, do cheiro, do abraço e da presença.
Pouco ligam aos nomes, às advertências, aos meandros e às realidades do passado e presente de cada um.
Pessoas.
Histórias.
Pessoas sem histórias e histórias de pessoas...
E ela tinha uma história para escrever há mais de cinco anos.

Tuesday, October 05, 2010

O descompromisso e outras coisas de relógios

No limiar de se passarem dois anos, um dos quais não escrevi aqui nem lado nenhum absolutamente nada, a pedido de várias vozes decidi voltar a publicar. E melhor ainda decidi voltar a escrever.
Por enquanto hoje fica só aqui um texto que li num outro blog, há cerca do mesmo tempo que não escrevo aqui e que vem assentar no regresso que nem uma luva.
Portanto aqui fica, uma coisa que para grande tristeza minha tenho visto generalizar-se em vários sectores desta vida...


O descompromisso.

"Ser comprometido é contar com alguém sempre. Incondicionalmente. È uma certeza absoluta. É um aconteça o que acontecer estarei lá contigo. Nada nem ninguém no mundo pode impedir isso.
Ser comprometido é passar tempo juntos. Muito tempo, muito juntos. É olhar dentro da alma um do outro e gostar cada vez mais de tudo o que se descobre. Ser comprometido é descodificar o outro numa cumplicidade sublime.
Ser comprometido é rir juntos. Partilhar. É uma telepatia. É uma sintonia que parece indestrutível. È ler, viajar, passear na praia, recordar, prometer, planear, sobretudo planear. È acreditar que por mais contratempos que a vida ofereça, juntos somos inquebráveis.
Nada descreve tão bem o compromisso como os votos nupciais (Deus sabe bem o que faz :) )
Eu X recebo-te a ti N e prometo ser-te fiel, amar-te e respeitar-te, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias da nossa vida.
Isto é um compromisso! Pode não vir acontecer como planeado. Pode falhar! Mil coisas podem atravessar-se no caminho desta empresa a que duas pessoas que se amam se propoem: O compromisso!
Os compromissos não são para toda a vida. Não são para sempre. Não são até que a morte nos separe. Podem ser. Tem de se acreditar que são. E é nesta ínfima parte de que pode ser para sempre que quem ama investe. Acredita. Senão não vale a pena. Senão é só um affairzito sem importância que o tempo um dia varrerá da nossa memória.
Os compromissos são um símbolo de vontade. Um símbolo de trabalho, de empenho. Uma aposta num amor imenso que se sente. São um investimento de tempo, de carinho em alguem que é o mundo para nós. Acima de tudo um compromisso é dividir o nosso coração e oferecer metade ao outro para cuidar.
Num compromisso apostamos tudo no outro. Investimos os nossos amigos e esperamos que eles se adorem mutuamente. Entregamos tardes de conversas duras sobre a vida, que é tão assustadora quando sós.
Mas também dividimos horas, dias meses de deliciosas gargalhadas, de descobertas mutuas e cumplicidade.
O comprometido por natureza, aposta no futuro sem medo, sem temor que ele seja curto. Acredita profundamente na palavra para sempre. O comprometido consegue olhar o seu amor sem medo do mundo. Sem medo de condicionantes ou obstáculos.
O compromisso é dar o nosso melhor ao nosso número um. Porque quando se é comprometido temos uma prioridade na nossa vida: Nós! Eu e tu!
Ser comprometido é assumir que somos dois a trabalhar para o mesmo fim.
Não existe eu, não existes tu, existimos nós. O compromisso precisa de coragem. De dois seres corajosos dispostos a batalhar, a travar guerras e a lamber as feridas.
O compromisso não tem idade. Não tem maturidade. Basta existir amor. Está escrito em todos os livros e impresso em todos os filmes. Quando amamos comprometemo-nos. Quando não amamos vamos levando!
Como tudo na vida o Compromisso tem um negativo: O descompromisso è o inimigo do coração; do amor!
O Descompromisso por oposição ao Compromisso é pobre é vazio. É solitário e angustiante. Para ambas as partes.
O descomprometido não promete. Não combina. Não se mete em obrigações para não ter que seguir plano nenhum, a não ser o seu. Aliás, não faz planos para não criar expectativas. E qualquer plano que um descomprometido faça pode mudar a qualquer hora e/ou em qualquer altura. No seu coração livre o descomprometido só tem uma prioridade: Ele!
O Descompromisso pode ter varias causas. Traumas. Medos. Ou simplesmente incapacidade de dar! De estar ou ser.
Num Descompromisso o descomprometido é livre. Tem 360º de opções, basta a sua vontade. O seu desejo.
O comprometido espera. Ajusta-se. Molda-se.Tenta criar espaço na sua vida para o descomprometido. Porque ele tem sempre tanto que fazer! Por norma um descomprometido está sempre cheio de coisas que fazer!?!
Quando um comprometido se junta com um descomprometido é como fechar um Japonês e um Zulu numa sala e dar-lhes um dicionário de português/alemão na esperança que se entendam.
O descomprometido não vê futuro na relação. Muitas vezes nem reconhece a relação, vai levando.
O comprometido, esse, vive cheio de sonhos. Ilusões próprias de quem ama. Próprias de quem acredita que o amor muda tudo e quem sabe o dele salve os dois.
Meus amigos, isto tudo para dizer o quê? Anda muita boa gente por ai comprometida com gente descomprometida. Anda muita gente á espera do que não vem. Anda muita gente cada vez mais só. Anda muita gente comprometida a criar espaço para alguem que não o vai ocupar nunca com o seu descompromisso.
Para o descomprometido tudo é mais importante e prioritário que a sua relação desde do ginásio ao sono. Para o descomprometido é impossivel falhar a quem quer que seja. Só pode dizer que “não” ou “logo se vê” ao comprometido, afinal, ele até é compreensivo!
O “combinamos depois” é normalmente a frase preferida do descomprometido que sangra o coração ao comprometido com este desapego.
Por norma o comprometido é forte. Acredita que um dia… Acredita no poder do amor e fica á espera. Aguardar a sua vez. Um dia ele será a prioridade!
É enquanto dura a esperança do comprometido que a relação dura. Quando a esperança deste acaba. Acabam-se as esperas. Acaba-se a compreensão. Acaba-se a relação (que era unilateral por norma). Mas sobretudo acaba-se o respeito por aquilo que não passava de falta de respeito pelos seus sentimentos.
O descompromisso é uma solidão opcional em que se procura conforto quando se precisa. Tipo gato: “faz-me festas, agora, porque preciso! Chega até logo!”
Já o comprometido vive numa solidão (emocional) constante em que raramente se tem conforto, porque o outro não vem. Não pode. Ou tem outras coisas que fazer!
Ao contrário do descomprometido que é livre como um gato. O comprometido é como um Golden, precisa e gosta de carinho e amor incondicional a tempo inteiro. Nem merece menos do que dá.
Caros comprometidos ganhem coragem e digam basta! Sós ou a dois, mas façam planos. Comprometam-se nem que seja com vocês mesmos. Todos nós merecemos planos, futuro, apostas e sobretudo amor full-time! Alguem disposto a dar tudo por nós.
Afinal viver com um descomprometido é viver á espera. E viver à espera é coisa de relógio."



Autoria de: Jota @ www.sapatosdeblog.blog.com

Sunday, October 03, 2010

One. Too many things to say.

Queria dizer, mas não posso.
Maybe some One other time.


Sunday, October 18, 2009

E depois?

O amor... os sentimentos, são incêndios descontrolados com que as pessoas gostam de brincar, reduzidos á dimensão de fósforos... *
E depois? ... Depois apagam-se.
Ponto final.
Parágrafo.

http://www.mranger.blogs.sapo.pt/

Saturday, October 03, 2009

Havia mais quem mos desse... E já sonhei demasiado tempo contigo.

Fui a Fátima deixar umas velas, pedir uma coisa e falar Contigo.
Não preciso de lá ir, porque falo Contigo onde quer que esteja, sob que forma estejas, quando acho que tenho e preciso de falar.
Mas fui lá deixar umas velas, tinha prometido.
Surpreendentemente, quando o faço acabo sempre por pedir por alguém especial, por alguém que no momento que calha lá ir me está a pesar demasiado no coração e por quem sinto que tenho que pedir.
Por essa pessoa a quem quero tanto, e por mim... para aliviar o peso.
Desta vez deixei uma vela por ti pai. Sim por ti. Deixei uma vela e pedi por ti, pela tua saúde, felicidade e outras coisas que tais, ao mesmo tempo que assumi que te perdoava por tudo, hoje e todos os restantes dias da minha vida.
Sim, perdoei-te. Acabou.
Esperei que isso me desse alguma sensação de alívio, pedi por outras pessoas, por outras coisas mais, acho que tentei deixar ali parte do peso que levava.
Mas não, não me pareceu ter sentido absolutamente nada diferente do que sentia antes.
Curioso é que agora quando parei e me sentei em casa, depois de mais de 400kms e desta viagem a sabe-se lá onde... percebi finalmente o que mudou.
É que só agora vi que não pedi por Ti... Não pedi por ti porque simplesmente nem me lembrei de pedir. E isso sim era o que me pesava no coração. Tu.
Ao contrário do que seria de esperar de mim, que tenho por norma seguir sempre o mesmo padrão de acções, verifico que desta vez foi diferente. Completamente diferente.
Porque eras tu que me pesavas, e eu não me lembrei de pedir por ti.
Parece então que pedi pela pessoa que menos merecia, mas por aquela que precisava perdoar. Perdoà-lo a ele e perdoar-me a mim. Não vale a pena andar a remoer no que não tem solução, porque solucionado está.
E ja que estamos nisto, estás tu perdoado também, e eu, uma vez mais.
Para a próxima vou-me lembrar de pedir por ti, noutros moldes, naqueles que devem ser pedidos como têm que ser.
Nem me lembrei... E tantos anjos ali à volta...
Desculpa.
Mas acho que isso é bom, a partir de agora não me lembrar...
Acho que é assim... como deve de ser.

So live it like you'll never live it twice... cause you can't rewind a moment in you life




My best friend gave me the best advice
He said each day's a gift and not a given right
Leave no stone unturned, leave your fears behind
And try to take the path less traveled by
That first step you take is the longest stride

If today was your last day
And tomorrow was too late
Could you say goodbye to yesterday?
Would you live each moment like your last?
Leave old pictures in the past
Donate every dime you have?
If today was your last day

Against the grain should be a way of life
What's worth the prize is always worth the fight
Every second counts 'cause there's no second try
So live like you'll never live it twice
Don't take the free ride in your own life

If today was your last day
And tomorrow was too late
Could you say goodbye to yesterday?
Would you live each moment like your last?
Leave old pictures in the past
Donate every dime you have?
Would you call old friends you never see?
Reminisce old memories
Would you forgive your enemies?
Would you find that one you're dreamin' of?
Swear up and down to God above
That you finally fall in love
If today was your last day

If today was your last day
Would you make your mark by mending a broken heart?
You know it's never too late to shoot for the stars
Regardless of who you are
So do whatever it takes
'Cause you can't rewind a moment in this life
Let nothin' stand in your way
Cause the hands of time are never on your side

If today was your last day
And tomorrow was too late
Could you say goodbye to yesterday?

Would you live each moment like your last?
Leave old pictures in the past
Donate every dime you have?
Would you call old friends you never see?
Reminisce old memories
Would you forgive your enemies?
Would you find that one you're dreamin' of?
Swear up and down to God above
That you finally fall in love
If today was your last day


Nunca é demais recordar...
Aqui não há ensaios do que podia ser, é isto and that's it.
No chance to live it twice.

Monday, September 21, 2009

Gone... let it sink in.

See what we can be if we press fast foward
Just one more round...
keep staring me right in my eyes,
and blame it on whatever you want,
just not on my a a a a a a a a alcohol.

Monday, August 24, 2009

Há dias em que acontecem coisas...

que me tiram todas as dúvidas e me deixam com as certezas.
Agora sim não acho, mas tenho tenho a certeza, que ainda conseguiria reconhecer a tua voz... a hundren years after and million miles away.
Shame on me.

Monday, August 17, 2009

Dj's playing the same song... I have so much to do, I have to carry on



I suppose I could just walk away
But I'll disappoint my future if I stay
It's just a day that brings it all about
Just another day and nothing's any good

The DJ's playing the same song
I have so much to do, I have to carry on
I wonder will this grief ever be gone
Will it ever go?


I'm crying everyone's tears
I have already paid for all my future sins
There's nothing anyone can say to take this away
It's just another day and nothing's any good...

Saturday, August 01, 2009

As mulheres... Por MST

08.03.2009, Miguel Esteves Cardoso

Só quando os homens chegam a uma certa idade é que podem dizer com certeza que as mulheres são melhores do que eles em tudo - mesmo na bola, a carregar pianos, a lutar com jacarés ou nas outras coisas em que ganhávamos quando éramos mais novos e brutos e fortes.
Quando se é adolescente, desconfia-se que elas são melhores. Nos vintes, fica-se com a certeza. Nos trintas, aprende-se a disfarçar.
Nos quarentas, ganha-se juízo e desiste-se.
Nos cinquentas, começa-se a dar graças a Deus que seja assim.
Os homens que discordam são os que não foram capazes de aprender com as mulheres (por exemplo, a serem homenzinhos), por medo ou vaidade ou estupidez. Geralmente as três coisas.
Desde pequenino, habituei-me que havia sempre pelo menos uma mulher melhor do que eu. Começou logo com a minha linda e maravilhosa mãe, cuja superioridade - que condescendia, por amor, em esconder de vez em quando - tem vindo a revelar-se cada vez mais.
As mulheres são melhores e estão fartas de sabê-lo. Mas, como os gatos, sabem que ganham em esconder a superioridade. Os desgraçados dos cães, tal como os homens, são tão inseguros e sedentos de aprovação que se deixam treinar. Resultado: fartam-se de trabalhar e de fazer figuras tristes, nas casas e nas caças e nos circos. Os gatos, sendo muito mais inteligentes, acrobatas e jeitosos, sabem muito bem que o exibicionismo vão levar à escravatura vil.
Isto não é conversa de engate. É até um tira-tesões. Mas é a verdade. E é bonita.


Subscrevo...
É incrivel o tamanho respeito que se pode sentir por uma mulher.
É ser-se, desfazer-se, dar-se e refazer-se durante uma vida inteira.
Não é bonito... É lindo.

Friday, July 31, 2009

Uma já está...

E outra também...
Depois vem outra, e outra...
Vamos?

Wednesday, July 22, 2009

Filhos (I)legítimos

III

Dizia-se que o casamento era uma tragédia em dois actos, ao contrário da clássica que se desenrolava em três, o casamento parecia ter um fim mais trágico e rápido, vulgarizando-se numa tragédia com lugar para apenas um acto civil e um religioso.
O que não se contava nas tragédias eram as pequenas variâncias que a maior parte descurava e que uma outra grande parte tendia por esquecer.
Ficava então sempre por contabilizar a tragédia sentimental, a tragédia pessoal, a de descendentes e por fim a tragédia do desconhecido.
O antigo melhor amigo dos homens passava agora gradualmente a ser também o melhor amigo das mulheres, embora sob outra forma o cão engarrafado podia tomar a forma de gato, de livro, de revista, de compras ou de qualquer outra coisa que cada vez mais e mais mulheres iam substituindo pela bebida, e embora a predilecção dos homens fosse o whisky, já as mulheres tanto bebiam desse novo melhor amigo, como de qualquer outra bebida, desde que contivesse a percentagem de esquecimento ilusório correcta.
No Alfa vermelho estacionado à beira da praia, de vidros completamente embaciados ainda cheirava horrivelmente a whisky apesar de já passarem das nove da manhã, mas no banco do lugar do morto estava ainda muito viva uma garrafa de rolha mal apertada que ia vertendo algumas gotas para o chão, divididas entre a passagem do tempo, numa tentativa inútil de contrariarem a lei da gravidade.
Debruçado sobre o volante dormia um homem ainda jovem de cabelo claro com as mãos estendidas ao longo do corpo, tortas no sentido do banco, uma retraída no estofo e a outra suspensa para o chão.
Parecia exausto, completamente descontextualizado e perdido naquele cenário quase idílico, não fosse a cinza espalhada pelos bancos, a dita garrafa que vertia no chão e os maços de tabaco vazios espalhados no tablier, com toda aquela sensação de cenário de tranquilidade desfeita, mesmo ali na orla da praia.
- ACORDA!
O vidro quase estalara com o soco que tinha levado.
- Acorda ainda não ouviste? Já passa das nove da manhã... Lá porque não dormes em casa não é para mandriar.
O barulho das maõs no vidro da janela do lado do condutor ainda continuaram alguns segundos, seguidos pelos gritos imperceptíveis de um homem bastante mais velho de feições completamente iradas. Tinha também cabelos claros, já mais brancos pela passagem do tempo e uns olhos igualmente muito claros.
- Já ouvi, já ouvi… Estou a caminho…
Dentro do carro, Ricardo tinha acordado atordoado, ainda cego pela bebedeira e também surdo do sono e dos gritos.
- Acho bem que sim porque os clientes não esperam. Se fizesses as coisas como te digo não andavas nestas vidas. Vamos embora, atrás de mim e é já.
Dera mais um soco no vidro e gritara-lhe que se despachasse antes de se voltar e entrar apressadamente no carro que tinha deixado estacionado do outro lado da estrada.
Ao olhar o pai atravessar a estrada e sentar-se no carro, sentiu que dentro dele pareciam ecoar murmúrios de lamento, sons imperceptíveis de cansaço e tristeza que nem ele próprio sabia distinguir por terem já sido tantas as vezes, por não ver sequer como poderia ele mudar toda aquela situação.
Já dentro do carro o Pai ainda gesticulava, soltando uns quantos gritos mudos que pela distância ele não conseguia ouvir, a não ser dentro da sua própria cabeça.
- Já sigo pai, pare lá de gritar. Estava só à procura da chave.
Custara-lhe ainda a encontrar a chave que tinha caído entre a porta e o banco, e ainda mais a fazê-la entrar na ignição. Mas lá arrancara finalmente, ainda com a cabeça meia tonta e num frenético pestanejar de olhos, na tentativa desesperada de conseguir focar a estrada que se abria à sua frente.

- Sabes ler?
- Acho que sim…
- Achas… Então será que me consegues dizer o que está escrito na folha à tua frente?
- Tu não…
- Sim, é isso mesmo.
- Onde é que pensas que vais? E que tal explicares-me o que isso quer dizer?
- É exactamente isso que está aí escrito, e é agora. Não é daqui por dois meses nem é para pensares. É só isso que quer dizer.

A estrada quase desapareceu. À sua frente já quase não havia faixas e o carro aproximava-se a um monte de pedras. Virou o volante de repente e por sorte entrou de novo na estrada sem bater em nenhum outro carro. Àquela hora a maioria das estradas naquela zona ainda estavam vazias.
Foi então que decidiu abrandar na berma da estrada. Abriu o vidro e deitou fora a garrafa de whisky pela janela. Esperou o tempo necessário para ouvir o líquido estilhaçar-se no meio dos vidros. Logo compro outra, pensou, ou não… pouco importa, arrancando depois a toda a velocidade.
Já era a segunda vez e tinha sido pior do que a primeira. Sabia ler… Se sabia ler… Era talvez a última que deixava que ela gozasse com a sua cara e fizesse dele o que queria. Casos perdidos dissimulados de importância a abusarem da sua bondade e da sua paciência. Talvez nisso o pai tivesse razão e fosse melhor não se meter com putas que vinham dissimuladas de mulheres. Mas o pai não era nenhum exemplo e a referência tinha sido escassa, daí a maior parte do tempo lhe ter parecido ter andado a viver enganado.
Daí não ter visto, nem ter acreditado. Não tinha nada para dizer, não fazia questão que nada fosse dito. Tinha sido um vazio só, uma fraqueza… Mas não pelo dinheiro. O dinheiro… era sempre e só o dinheiro que lhes interessava. Quanto mais melhor e algumas já sabiam que ele tinha muito. Ela sabia, mas ele não, e só agora se tinha capacitado que ela sempre o soubera. Talvez tivesse sido por isso. Tinha sido, mas ainda lhe custava muito a conseguir aceitar.
No entanto começava agora a pensar que talvez fosse o contrário, que talvez ele tivesse andado cego e não tivesse conseguido distinguir o interesse dissimulado das que não faziam parte do estrato do interesse puro, das que no fundo tinham muito mais a perder.
Não conseguia, não sabia ainda ver nada disso com clareza. A mãe sempre lhe dissera, filho, casa-te com alguém com quem gostes de conversar, assim um dia mais tarde vão sempre ter alguma coisa para dizer um ao outro.
E tentara fazer o que a mãe lhe pedira, se tentara. Porém, agora sabia que tudo isso não passava de uma daquelas ilusões que se mantêm. Agora sabia ele que as coisas não eram bem assim, porque os homens e as mulheres casados efectivamente não conversavam.
E os anos iam passando. Iam passando sem que houvesse muito já para dizer um ao outro, mas aqui não se prendia o não haver mas sim o facto de que nunca houvera.
A questão não era no entanto o que se dizia, mas talvez o que não se dizia, aquilo que simplesmente ficava, suspenso em tudo o que muitas e boas novas palavras não conseguiam apagar.
De tão requintado o gosto e o toque, o sublime da velocidade de raciocínio e a cadência da conversa, mais se cravava o espinho no coração.
Era fácil, todos diziam. Mas só quem dele bebia é que sabia que não.
E agora já não fazia sentido, era ele quem exigira, quem tivera necessidade de por um ponto final.

- Sabes ler?
- Desculpa… o que é que?
- Humilho-te agora como me humilhaste há tempos, como me tens humilhado até aqui… E pergunto, sabes ler?
- Sei.
- Se sabes… acho que me consegues dizer o que está escrito nessa folha.
- Tu não…
- É isso mesmo. E não tem volta atrás.
- Sabes bem que isto não é para ficar assim.
- É exactamente assim mesmo que é para ficar. E agora. Sem ameaças, sem subterfúgios. Levas o que tens direito, que nem sei ao certo o que é. Devia ter pensado nisso quando casámos mas não pensei, portanto é só isso que quer dizer.
Quero o divórcio. Agora.

Quando atendeu o telefone, a única frase que não lhe saía da cabeça era o típico “I told you so…”, mas depois de o ouvir e lhe custar a fazer sair as palavras, desligou.
"Um dia, dissera-lhe. Um dia talvez tenhamos tempo e espaço para conversar."
- Não penses mal de mim, acho que compreendes.
- Não penso, não tenho porquê. Mas um dia talvez. Agora não.



Como tinha lido uma vez, fazia agora perfeito sentido…

"Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber...
(…)Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo. O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão.
Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria…
(…)O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática.
O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.
(…)Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço…
…Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?
(…)O amor é uma coisa, a vida é outra….
…Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo.
O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. È uma questão de azar.
O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra.
A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina.
O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima.
O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente.
O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.
O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser.
O amor é uma coisa, a vida é outra.
A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre.
Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente.
O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.
Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz.
Não se pode ceder. Não se pode resistir.
A vida é uma coisa, o amor é outra.
A vida dura a Vida inteira, o amor não.
Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."

Miguel Esteves Cardoso


Não percebo, não sei se consigo perceber. Ou se quero.
Mas é assim que vivemos, a emendar os erros que cometemos instantaneamente ou há vários anos atrás.
Fiquei contente de saber que estás a emendar o teu.
Sempre soube, mas custou, ainda custa.
É triste saber que só aprendemos a bater com a cabeça com tanta força...
E dói tanto.
Mas só sei que acerto sempre, no fundo tudo faz sentido…e com esta treta toda só me ocorre e apetece dizer que realmente só não me sai o euromilhões...

Sunday, July 12, 2009

Se a saudade...

pudesse falar, diria o teu nome
se tivesse cor, teria a cor dos teus olhos...

mas se a saudade tivesse cheiro, ele seria o cheiro do teu perfume.

Sunday, July 05, 2009

Queres lutar com quem? Pra doer aonde? Pra ser o quê?

Achas que ninguém vê...

Thursday, July 02, 2009

Achas que ninguém vê...

Perguntas, e eu respondo:

"Não tenho medo de nada"

Mas tenho... de poder encontrar de facto aquilo que procuro e por medo não o agarrar...
E que me deixe encontrar por aquilo que não procurei, e me deixe destruir... por querê-lo tanto, mas tanto e com tanta força e nem sequer saber porquê.

Saturday, June 27, 2009

Más Amor :)

A primeira Kizomba dos 24 dancei com o Exmo. Professor e Dançarino Cabo Verdeano, Zé Barbosa. Confesso que foi uma honra e ainda teve um sabor mais doce pela primeira Kizomba da noite ser a minha preferida... Há óptimas coincidências!
E é assim, Nos dá más Amor... Que venham sempre todos com tamanha ou mais quantidade!

Friday, June 26, 2009

Assim é a efemeridade da coisa...

Do you remember the time?

Pois que cantava umas coisas muito loucas este senhor.
Cresci com muitas músicas dele no repeat enquanto fazia palhaçadas no tapete da sala. Já nessa altura tentava obrigar toda a gente a dançar comigo.
E lembro-me que ainda falava mal inglês como o caraças mas já cantava sem vergonha nenhuma que a Billie Jean...

"Is Not My Lover
She's Just A Girl Who Claims That I Am The One
But The Kid Is Not My Son...
She Says I Am The One, But The Kid Is Not My Son"




E esta... Esta é que eu gostava de dançar...
Do you remember? I remember the time.



We are the World...
Esta escolhi eu faz agora um ano para ensinar aos meus alunos o que significava noutra língua dizer que nos preocupamos com alguma coisa, através da música, desta música que eles aprenderam, ensaiaram e cantaram até me fazerem chorar na festa do fim de ano para os pais e professores. Valeu o esforço, porque eu sim lembro-me que foi com esta letra que comecei a aprender a falar inglês à séria.
Passado quase um ano quando os visitei ainda vieram muitos a correr cantar-me esta música. Queriam frisar que se lembram, mas eu não esqueço...



Last but not least...
Uma das minhas favoritas, esta sim já eu mais velhinha.




E deixo as palavras do que acho que muitas vezes ele devia sentir, fosse ele quem fosse durante a sua estranha vida.
Sei o que ele foi para mim, e espero que tenha ido em paz.
Fica o poder da dança, da música, da genialidade. Ninguém, mas ninguém se mexia ou cantava como este homem.
Assim é... e como no fim todos somos iguais, take his name and just let him be.


Stranger in Moscow

I was wandering in the rain
Mask of life, feelin' insane
Swift and sudden fall from grace
Sunny days seem far away
Kremlin's shadow belittlin' me
Stalin's tomb won't let me be
On and on and on it came
Wish the rain would just let me

How does it feel (How does it feel)
How does it feel
How does it feel
When you're alone
And you're cold inside

Here abandoned in my fame
Armageddon of the brain
KGB was doggin' me
Take my name and just let me be
Then a begger boy called my name
Happy days will drown the pain
On and on and on it came
And again, and again, and again...
Take my name and just let me be

How does it feel (How does it feel)
How does it feel
How does it feel
How does it feel
How does it feel (How does it feel now)
How does it feel
How does it feel
When you're alone
And you're cold inside

How does it feel (How does it feel)
How does it feel
How does it feel
How does it feel
How does it feel (How does it feel now)
How does it feel
How does it feel
When you're alone
And you're cold inside

Like stranger in Moscow
Like stranger in Moscow
We're talkin' danger
We're talkin' danger, baby
Like stranger in Moscow
We're talkin' danger
We're talkin' danger, baby
Like stranger in Moscow

I'm living lonely
I'm living lonely, baby
Stranger in Moscow


Rest In Peace :)

Tuesday, June 23, 2009

Si tú estás bailando,si tú estás besando,tu te darás cuenta que estos tan gozando.Lo baila Teresa,también Josélito,quimbara quimbara quimbambím bambám

Como está quase, vai daí a perguntarem-me noutro dia o que queria para os meus anos, quando dei pelos sorrisos de cumplicidade e as gargalhdas seguidas do... "Não, isso não te posso dar... pudera".
E como ninguém pode, já sei eu finalmente o que me vou oferecer a mim própria este ano, bombásticamente, entre outras coisas, tudo, mas tudinho aquilo que tenho direito.

Começamos pelo simples, a bombástica da viagem a Cuba, regada com os meus mojitos e os meus daiquiris, all day long, seguidas da minha Salsa que não deixa ninguém dormir em Havana pela madrugada. E como em Cuba não há kizomba vai daqui a minha oportunidade de brilhar à séria na minha verdadeira arte.
Lá fica á minha espera a areia quente das praias mais belas pela tarde dentro, os mares de horizontes mais longínquos ao pôr-do-sol, as paixões mais assolapadas, as aventuras mais estranhas, os dias mais preenchidos, as alegrias mais simples.
Sigo, a tudo o que tenho direito e menos ao resto. Acho que é mesmo assim, o que não tenho não me faz falta e como já me disseram e agora sei que é verdade, se consigo ter sempre tudo aquilo que eu quero, nada que não tenha não me faz falta de certeza.
É uma boa para os 24.
So what the hell am I waiting for?
Só do barco... do meu barco para Miami, para Cuba, para isto TUDO.
Tudo, porque todos devemos ter fome e sede de viver. E é esse sim... sempre o meu único vício. De todas as maneiras possíveis e imaginárias.
Vamos emboraaaaaaaaaaa, e apanhamos já este...

Fui ;)

Wednesday, June 17, 2009

Friday, June 12, 2009

Acho que é das coisas mais tristes...

quando duas pessoas se cruzam e aparentemente já não têm nada a dizer uma à outra.
Especialmente quando um dia foi exactamente o oposto.
Isso sim... é das coisas mais tristes.

Tuesday, June 09, 2009

É isso mesmo...

Monday, June 08, 2009

Lamentavelmente vergonhoso

Pode não servir para nada, pode não ser assim tão importante ou não dar origem às mudanças que são realmente necessárias, como se ouve sair aí de muita boca, mas uma taxa de abstenção nos 60% é realmente vergonhosa. Cada vez mais neste país.
Porque as pessoas querem lá saber, porque dá muito trabalho.
Mas depois todos se sabem queixar e lamuriar por tudo e mais alguma coisa.
Um conselho: não se queixem a menos que façam alguma coisa ou tomem alguma iniciativa para pelo menos tomar nas mãos aquilo que podem e devem fazer por direito, quando têm direito.
Sim toda a campanha foi uma vergonha também... e sim ainda mais pobre deste país com esta sua classe política.
Vamos lá ver o que vão dizer as próximas. E o que vão trazer.
Para já regozijo-me com o pequeno vento de mudança da pequena grande vitória que sinceramente gostei de ver.
Por algum lado se começa.
E é para continuar porque o trabalho de alguns anos dá frutos e devagar se vai ao longe.

Thursday, June 04, 2009

Há tanta mulher linda neste país...

Não tendo nada a ver com nada, a verdade é que se uma pessoa reparar há mesmo muita mulher linda neste país.
E não deixando de ser ridículo aproveito também para dizer que há igual quantidade de homem inseguro, cobarde e ignorante aqui mesmo também. Mas isso já não tem nada a ver com isto. Ou até tem.
É que uma pessoa começa a reparar ou melhor começa a pensar no ridículo que isto é e dá com ela com as ideias todas trocadas.
Tem tudo a ver com os círculos em que uma pessoa se movimenta e é lindo de observar.
Fiquei rendida e ainda estou para saber como...
É que noutro dia dei comigo a pensar "não vale mesmo a pena". E depois dei comigo nisto...
Por mais ridículo que possa ter sido, é incrível como se podem dispersar as ideias.
E pronto é oficial: acho que me vou virar para as mulheres. LOL.
Mas mesmo...
É como digo, há cada uma neste país...e os homens, pronto, disso nem vale a pena falar.
Tremendamente espantoso como se dispersam as ideias, não?!

Friday, May 29, 2009

Nunca é demais... 29/05/09

"Nunca se deve dizer nunca".
Não existe, porque efectivamente nunca é demais dizer a uma pessoa o quanto se gosta dela, o quanto a amamos ou apenas o quanto ela é importante para nós.
Nunca.
Se gostamos, se é importante, não vale a pena ficar com ele cá dentro porque mais ninguém o vai receber e quem perde é a pessoa que precisa de o ouvir, ou bem mais, somos só nós que verdadeiramente perdemos a deixarmos tudo isso aqui bem engarrafado.
Se gostamos, se é importante diz-se a alto e bom som, sem medos nem arrependimentos, se soa bem ou mal, se faz sentido ou eventualmente custa.
Se gostamos, se é importante, dizemos porque podemos simplesmente perder a oportunidade de o poder dizer, ou podemos virar a cara para o lado e sermos privados dessa pessoa de quem gostávamos ou que considerávamos ser importante para nós.
Simplesmente deixamos sair...

- Gosto muito de ti.
- És muito importante para mim.


Hoje percebi que realmente NUNCA é demais. Porque eu não o digo muitas vezes, apesar de o sentir, porque custa talvez, porque não me soa quem sabe. Sinto-o, mas não quero que a oportunidade passe a quem precisa de o ouvir...
Não sabia o que dizer, não sabia o que fazer, estava ali em pé a olhar para ti sem querer fazer demais nem de menos, mas nisso cheguei perto do teu ouvido e disse-te, que gosto muito de ti. Gosto muito de ti, muitas vezes.
Ajoelhei-me à beira da tua cama e ali fiquei com a mão a passar no teu cabelo até não sentir mais as pernas e até muito, muito depois disso. Fiquei porque sabia que mesmo muito ausente tu sabias que eu estava ali.
Repeti-o muitas vezes a passar a mão no teu cabelo e antes de sair pedi:
- Não te esqueças que gosto muito de ti vó, eu gosto muito de ti, por favor não te esqueças. Não te esqueces pois não...
E foi aí que ouvi um sussurado não que me disseste.
- Não.
Acho que agora sei que sim, que para onde quer que vás não te vais esquecer que um dia gostei muito de ti e ainda bem que to pude dizer e me pudeste também ouvir.

Por isso nunca é demais dizer o que se deve dizer, quando se deve dizer.
Digam, porque eu ás vezes não digo...
Sem arrependimentos, digam só. É importante para quem recebe e nunca, nunca é demais.
Só de menos.

Parabéns, vó.
É mais um ano que sou abençoada com a tua presença na minha vida.
Gosto muito de ti. Sempre.

Sunday, May 24, 2009

All I want is you



Apetece-me gritar, e muito. Isso mesmo que ele diz.