Monday, August 24, 2009

Há dias em que acontecem coisas...

que me tiram todas as dúvidas e me deixam com as certezas.
Agora sim não acho, mas tenho tenho a certeza, que ainda conseguiria reconhecer a tua voz... a hundren years after and million miles away.
Shame on me.

Monday, August 17, 2009

Dj's playing the same song... I have so much to do, I have to carry on



I suppose I could just walk away
But I'll disappoint my future if I stay
It's just a day that brings it all about
Just another day and nothing's any good

The DJ's playing the same song
I have so much to do, I have to carry on
I wonder will this grief ever be gone
Will it ever go?


I'm crying everyone's tears
I have already paid for all my future sins
There's nothing anyone can say to take this away
It's just another day and nothing's any good...

Saturday, August 01, 2009

As mulheres... Por MST

08.03.2009, Miguel Esteves Cardoso

Só quando os homens chegam a uma certa idade é que podem dizer com certeza que as mulheres são melhores do que eles em tudo - mesmo na bola, a carregar pianos, a lutar com jacarés ou nas outras coisas em que ganhávamos quando éramos mais novos e brutos e fortes.
Quando se é adolescente, desconfia-se que elas são melhores. Nos vintes, fica-se com a certeza. Nos trintas, aprende-se a disfarçar.
Nos quarentas, ganha-se juízo e desiste-se.
Nos cinquentas, começa-se a dar graças a Deus que seja assim.
Os homens que discordam são os que não foram capazes de aprender com as mulheres (por exemplo, a serem homenzinhos), por medo ou vaidade ou estupidez. Geralmente as três coisas.
Desde pequenino, habituei-me que havia sempre pelo menos uma mulher melhor do que eu. Começou logo com a minha linda e maravilhosa mãe, cuja superioridade - que condescendia, por amor, em esconder de vez em quando - tem vindo a revelar-se cada vez mais.
As mulheres são melhores e estão fartas de sabê-lo. Mas, como os gatos, sabem que ganham em esconder a superioridade. Os desgraçados dos cães, tal como os homens, são tão inseguros e sedentos de aprovação que se deixam treinar. Resultado: fartam-se de trabalhar e de fazer figuras tristes, nas casas e nas caças e nos circos. Os gatos, sendo muito mais inteligentes, acrobatas e jeitosos, sabem muito bem que o exibicionismo vão levar à escravatura vil.
Isto não é conversa de engate. É até um tira-tesões. Mas é a verdade. E é bonita.


Subscrevo...
É incrivel o tamanho respeito que se pode sentir por uma mulher.
É ser-se, desfazer-se, dar-se e refazer-se durante uma vida inteira.
Não é bonito... É lindo.

Friday, July 31, 2009

Uma já está...

E outra também...
Depois vem outra, e outra...
Vamos?

Wednesday, July 22, 2009

Filhos (I)legítimos

III

Dizia-se que o casamento era uma tragédia em dois actos, ao contrário da clássica que se desenrolava em três, o casamento parecia ter um fim mais trágico e rápido, vulgarizando-se numa tragédia com lugar para apenas um acto civil e um religioso.
O que não se contava nas tragédias eram as pequenas variâncias que a maior parte descurava e que uma outra grande parte tendia por esquecer.
Ficava então sempre por contabilizar a tragédia sentimental, a tragédia pessoal, a de descendentes e por fim a tragédia do desconhecido.
O antigo melhor amigo dos homens passava agora gradualmente a ser também o melhor amigo das mulheres, embora sob outra forma o cão engarrafado podia tomar a forma de gato, de livro, de revista, de compras ou de qualquer outra coisa que cada vez mais e mais mulheres iam substituindo pela bebida, e embora a predilecção dos homens fosse o whisky, já as mulheres tanto bebiam desse novo melhor amigo, como de qualquer outra bebida, desde que contivesse a percentagem de esquecimento ilusório correcta.
No Alfa vermelho estacionado à beira da praia, de vidros completamente embaciados ainda cheirava horrivelmente a whisky apesar de já passarem das nove da manhã, mas no banco do lugar do morto estava ainda muito viva uma garrafa de rolha mal apertada que ia vertendo algumas gotas para o chão, divididas entre a passagem do tempo, numa tentativa inútil de contrariarem a lei da gravidade.
Debruçado sobre o volante dormia um homem ainda jovem de cabelo claro com as mãos estendidas ao longo do corpo, tortas no sentido do banco, uma retraída no estofo e a outra suspensa para o chão.
Parecia exausto, completamente descontextualizado e perdido naquele cenário quase idílico, não fosse a cinza espalhada pelos bancos, a dita garrafa que vertia no chão e os maços de tabaco vazios espalhados no tablier, com toda aquela sensação de cenário de tranquilidade desfeita, mesmo ali na orla da praia.
- ACORDA!
O vidro quase estalara com o soco que tinha levado.
- Acorda ainda não ouviste? Já passa das nove da manhã... Lá porque não dormes em casa não é para mandriar.
O barulho das maõs no vidro da janela do lado do condutor ainda continuaram alguns segundos, seguidos pelos gritos imperceptíveis de um homem bastante mais velho de feições completamente iradas. Tinha também cabelos claros, já mais brancos pela passagem do tempo e uns olhos igualmente muito claros.
- Já ouvi, já ouvi… Estou a caminho…
Dentro do carro, Ricardo tinha acordado atordoado, ainda cego pela bebedeira e também surdo do sono e dos gritos.
- Acho bem que sim porque os clientes não esperam. Se fizesses as coisas como te digo não andavas nestas vidas. Vamos embora, atrás de mim e é já.
Dera mais um soco no vidro e gritara-lhe que se despachasse antes de se voltar e entrar apressadamente no carro que tinha deixado estacionado do outro lado da estrada.
Ao olhar o pai atravessar a estrada e sentar-se no carro, sentiu que dentro dele pareciam ecoar murmúrios de lamento, sons imperceptíveis de cansaço e tristeza que nem ele próprio sabia distinguir por terem já sido tantas as vezes, por não ver sequer como poderia ele mudar toda aquela situação.
Já dentro do carro o Pai ainda gesticulava, soltando uns quantos gritos mudos que pela distância ele não conseguia ouvir, a não ser dentro da sua própria cabeça.
- Já sigo pai, pare lá de gritar. Estava só à procura da chave.
Custara-lhe ainda a encontrar a chave que tinha caído entre a porta e o banco, e ainda mais a fazê-la entrar na ignição. Mas lá arrancara finalmente, ainda com a cabeça meia tonta e num frenético pestanejar de olhos, na tentativa desesperada de conseguir focar a estrada que se abria à sua frente.

- Sabes ler?
- Acho que sim…
- Achas… Então será que me consegues dizer o que está escrito na folha à tua frente?
- Tu não…
- Sim, é isso mesmo.
- Onde é que pensas que vais? E que tal explicares-me o que isso quer dizer?
- É exactamente isso que está aí escrito, e é agora. Não é daqui por dois meses nem é para pensares. É só isso que quer dizer.

A estrada quase desapareceu. À sua frente já quase não havia faixas e o carro aproximava-se a um monte de pedras. Virou o volante de repente e por sorte entrou de novo na estrada sem bater em nenhum outro carro. Àquela hora a maioria das estradas naquela zona ainda estavam vazias.
Foi então que decidiu abrandar na berma da estrada. Abriu o vidro e deitou fora a garrafa de whisky pela janela. Esperou o tempo necessário para ouvir o líquido estilhaçar-se no meio dos vidros. Logo compro outra, pensou, ou não… pouco importa, arrancando depois a toda a velocidade.
Já era a segunda vez e tinha sido pior do que a primeira. Sabia ler… Se sabia ler… Era talvez a última que deixava que ela gozasse com a sua cara e fizesse dele o que queria. Casos perdidos dissimulados de importância a abusarem da sua bondade e da sua paciência. Talvez nisso o pai tivesse razão e fosse melhor não se meter com putas que vinham dissimuladas de mulheres. Mas o pai não era nenhum exemplo e a referência tinha sido escassa, daí a maior parte do tempo lhe ter parecido ter andado a viver enganado.
Daí não ter visto, nem ter acreditado. Não tinha nada para dizer, não fazia questão que nada fosse dito. Tinha sido um vazio só, uma fraqueza… Mas não pelo dinheiro. O dinheiro… era sempre e só o dinheiro que lhes interessava. Quanto mais melhor e algumas já sabiam que ele tinha muito. Ela sabia, mas ele não, e só agora se tinha capacitado que ela sempre o soubera. Talvez tivesse sido por isso. Tinha sido, mas ainda lhe custava muito a conseguir aceitar.
No entanto começava agora a pensar que talvez fosse o contrário, que talvez ele tivesse andado cego e não tivesse conseguido distinguir o interesse dissimulado das que não faziam parte do estrato do interesse puro, das que no fundo tinham muito mais a perder.
Não conseguia, não sabia ainda ver nada disso com clareza. A mãe sempre lhe dissera, filho, casa-te com alguém com quem gostes de conversar, assim um dia mais tarde vão sempre ter alguma coisa para dizer um ao outro.
E tentara fazer o que a mãe lhe pedira, se tentara. Porém, agora sabia que tudo isso não passava de uma daquelas ilusões que se mantêm. Agora sabia ele que as coisas não eram bem assim, porque os homens e as mulheres casados efectivamente não conversavam.
E os anos iam passando. Iam passando sem que houvesse muito já para dizer um ao outro, mas aqui não se prendia o não haver mas sim o facto de que nunca houvera.
A questão não era no entanto o que se dizia, mas talvez o que não se dizia, aquilo que simplesmente ficava, suspenso em tudo o que muitas e boas novas palavras não conseguiam apagar.
De tão requintado o gosto e o toque, o sublime da velocidade de raciocínio e a cadência da conversa, mais se cravava o espinho no coração.
Era fácil, todos diziam. Mas só quem dele bebia é que sabia que não.
E agora já não fazia sentido, era ele quem exigira, quem tivera necessidade de por um ponto final.

- Sabes ler?
- Desculpa… o que é que?
- Humilho-te agora como me humilhaste há tempos, como me tens humilhado até aqui… E pergunto, sabes ler?
- Sei.
- Se sabes… acho que me consegues dizer o que está escrito nessa folha.
- Tu não…
- É isso mesmo. E não tem volta atrás.
- Sabes bem que isto não é para ficar assim.
- É exactamente assim mesmo que é para ficar. E agora. Sem ameaças, sem subterfúgios. Levas o que tens direito, que nem sei ao certo o que é. Devia ter pensado nisso quando casámos mas não pensei, portanto é só isso que quer dizer.
Quero o divórcio. Agora.

Quando atendeu o telefone, a única frase que não lhe saía da cabeça era o típico “I told you so…”, mas depois de o ouvir e lhe custar a fazer sair as palavras, desligou.
"Um dia, dissera-lhe. Um dia talvez tenhamos tempo e espaço para conversar."
- Não penses mal de mim, acho que compreendes.
- Não penso, não tenho porquê. Mas um dia talvez. Agora não.



Como tinha lido uma vez, fazia agora perfeito sentido…

"Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber...
(…)Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo. O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão.
Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria…
(…)O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática.
O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.
(…)Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço…
…Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?
(…)O amor é uma coisa, a vida é outra….
…Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo.
O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. È uma questão de azar.
O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra.
A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina.
O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima.
O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente.
O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.
O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser.
O amor é uma coisa, a vida é outra.
A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre.
Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente.
O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.
Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz.
Não se pode ceder. Não se pode resistir.
A vida é uma coisa, o amor é outra.
A vida dura a Vida inteira, o amor não.
Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."

Miguel Esteves Cardoso


Não percebo, não sei se consigo perceber. Ou se quero.
Mas é assim que vivemos, a emendar os erros que cometemos instantaneamente ou há vários anos atrás.
Fiquei contente de saber que estás a emendar o teu.
Sempre soube, mas custou, ainda custa.
É triste saber que só aprendemos a bater com a cabeça com tanta força...
E dói tanto.
Mas só sei que acerto sempre, no fundo tudo faz sentido…e com esta treta toda só me ocorre e apetece dizer que realmente só não me sai o euromilhões...

Sunday, July 12, 2009

Se a saudade...

pudesse falar, diria o teu nome
se tivesse cor, teria a cor dos teus olhos...

mas se a saudade tivesse cheiro, ele seria o cheiro do teu perfume.

Sunday, July 05, 2009

Queres lutar com quem? Pra doer aonde? Pra ser o quê?

Achas que ninguém vê...

Thursday, July 02, 2009

Achas que ninguém vê...

Perguntas, e eu respondo:

"Não tenho medo de nada"

Mas tenho... de poder encontrar de facto aquilo que procuro e por medo não o agarrar...
E que me deixe encontrar por aquilo que não procurei, e me deixe destruir... por querê-lo tanto, mas tanto e com tanta força e nem sequer saber porquê.

Saturday, June 27, 2009

Más Amor :)

A primeira Kizomba dos 24 dancei com o Exmo. Professor e Dançarino Cabo Verdeano, Zé Barbosa. Confesso que foi uma honra e ainda teve um sabor mais doce pela primeira Kizomba da noite ser a minha preferida... Há óptimas coincidências!
E é assim, Nos dá más Amor... Que venham sempre todos com tamanha ou mais quantidade!

Friday, June 26, 2009

Assim é a efemeridade da coisa...

Do you remember the time?

Pois que cantava umas coisas muito loucas este senhor.
Cresci com muitas músicas dele no repeat enquanto fazia palhaçadas no tapete da sala. Já nessa altura tentava obrigar toda a gente a dançar comigo.
E lembro-me que ainda falava mal inglês como o caraças mas já cantava sem vergonha nenhuma que a Billie Jean...

"Is Not My Lover
She's Just A Girl Who Claims That I Am The One
But The Kid Is Not My Son...
She Says I Am The One, But The Kid Is Not My Son"




E esta... Esta é que eu gostava de dançar...
Do you remember? I remember the time.



We are the World...
Esta escolhi eu faz agora um ano para ensinar aos meus alunos o que significava noutra língua dizer que nos preocupamos com alguma coisa, através da música, desta música que eles aprenderam, ensaiaram e cantaram até me fazerem chorar na festa do fim de ano para os pais e professores. Valeu o esforço, porque eu sim lembro-me que foi com esta letra que comecei a aprender a falar inglês à séria.
Passado quase um ano quando os visitei ainda vieram muitos a correr cantar-me esta música. Queriam frisar que se lembram, mas eu não esqueço...



Last but not least...
Uma das minhas favoritas, esta sim já eu mais velhinha.




E deixo as palavras do que acho que muitas vezes ele devia sentir, fosse ele quem fosse durante a sua estranha vida.
Sei o que ele foi para mim, e espero que tenha ido em paz.
Fica o poder da dança, da música, da genialidade. Ninguém, mas ninguém se mexia ou cantava como este homem.
Assim é... e como no fim todos somos iguais, take his name and just let him be.


Stranger in Moscow

I was wandering in the rain
Mask of life, feelin' insane
Swift and sudden fall from grace
Sunny days seem far away
Kremlin's shadow belittlin' me
Stalin's tomb won't let me be
On and on and on it came
Wish the rain would just let me

How does it feel (How does it feel)
How does it feel
How does it feel
When you're alone
And you're cold inside

Here abandoned in my fame
Armageddon of the brain
KGB was doggin' me
Take my name and just let me be
Then a begger boy called my name
Happy days will drown the pain
On and on and on it came
And again, and again, and again...
Take my name and just let me be

How does it feel (How does it feel)
How does it feel
How does it feel
How does it feel
How does it feel (How does it feel now)
How does it feel
How does it feel
When you're alone
And you're cold inside

How does it feel (How does it feel)
How does it feel
How does it feel
How does it feel
How does it feel (How does it feel now)
How does it feel
How does it feel
When you're alone
And you're cold inside

Like stranger in Moscow
Like stranger in Moscow
We're talkin' danger
We're talkin' danger, baby
Like stranger in Moscow
We're talkin' danger
We're talkin' danger, baby
Like stranger in Moscow

I'm living lonely
I'm living lonely, baby
Stranger in Moscow


Rest In Peace :)

Tuesday, June 23, 2009

Si tú estás bailando,si tú estás besando,tu te darás cuenta que estos tan gozando.Lo baila Teresa,también Josélito,quimbara quimbara quimbambím bambám

Como está quase, vai daí a perguntarem-me noutro dia o que queria para os meus anos, quando dei pelos sorrisos de cumplicidade e as gargalhdas seguidas do... "Não, isso não te posso dar... pudera".
E como ninguém pode, já sei eu finalmente o que me vou oferecer a mim própria este ano, bombásticamente, entre outras coisas, tudo, mas tudinho aquilo que tenho direito.

Começamos pelo simples, a bombástica da viagem a Cuba, regada com os meus mojitos e os meus daiquiris, all day long, seguidas da minha Salsa que não deixa ninguém dormir em Havana pela madrugada. E como em Cuba não há kizomba vai daqui a minha oportunidade de brilhar à séria na minha verdadeira arte.
Lá fica á minha espera a areia quente das praias mais belas pela tarde dentro, os mares de horizontes mais longínquos ao pôr-do-sol, as paixões mais assolapadas, as aventuras mais estranhas, os dias mais preenchidos, as alegrias mais simples.
Sigo, a tudo o que tenho direito e menos ao resto. Acho que é mesmo assim, o que não tenho não me faz falta e como já me disseram e agora sei que é verdade, se consigo ter sempre tudo aquilo que eu quero, nada que não tenha não me faz falta de certeza.
É uma boa para os 24.
So what the hell am I waiting for?
Só do barco... do meu barco para Miami, para Cuba, para isto TUDO.
Tudo, porque todos devemos ter fome e sede de viver. E é esse sim... sempre o meu único vício. De todas as maneiras possíveis e imaginárias.
Vamos emboraaaaaaaaaaa, e apanhamos já este...

Fui ;)

Wednesday, June 17, 2009

Friday, June 12, 2009

Acho que é das coisas mais tristes...

quando duas pessoas se cruzam e aparentemente já não têm nada a dizer uma à outra.
Especialmente quando um dia foi exactamente o oposto.
Isso sim... é das coisas mais tristes.

Tuesday, June 09, 2009

É isso mesmo...

Monday, June 08, 2009

Lamentavelmente vergonhoso

Pode não servir para nada, pode não ser assim tão importante ou não dar origem às mudanças que são realmente necessárias, como se ouve sair aí de muita boca, mas uma taxa de abstenção nos 60% é realmente vergonhosa. Cada vez mais neste país.
Porque as pessoas querem lá saber, porque dá muito trabalho.
Mas depois todos se sabem queixar e lamuriar por tudo e mais alguma coisa.
Um conselho: não se queixem a menos que façam alguma coisa ou tomem alguma iniciativa para pelo menos tomar nas mãos aquilo que podem e devem fazer por direito, quando têm direito.
Sim toda a campanha foi uma vergonha também... e sim ainda mais pobre deste país com esta sua classe política.
Vamos lá ver o que vão dizer as próximas. E o que vão trazer.
Para já regozijo-me com o pequeno vento de mudança da pequena grande vitória que sinceramente gostei de ver.
Por algum lado se começa.
E é para continuar porque o trabalho de alguns anos dá frutos e devagar se vai ao longe.

Thursday, June 04, 2009

Há tanta mulher linda neste país...

Não tendo nada a ver com nada, a verdade é que se uma pessoa reparar há mesmo muita mulher linda neste país.
E não deixando de ser ridículo aproveito também para dizer que há igual quantidade de homem inseguro, cobarde e ignorante aqui mesmo também. Mas isso já não tem nada a ver com isto. Ou até tem.
É que uma pessoa começa a reparar ou melhor começa a pensar no ridículo que isto é e dá com ela com as ideias todas trocadas.
Tem tudo a ver com os círculos em que uma pessoa se movimenta e é lindo de observar.
Fiquei rendida e ainda estou para saber como...
É que noutro dia dei comigo a pensar "não vale mesmo a pena". E depois dei comigo nisto...
Por mais ridículo que possa ter sido, é incrível como se podem dispersar as ideias.
E pronto é oficial: acho que me vou virar para as mulheres. LOL.
Mas mesmo...
É como digo, há cada uma neste país...e os homens, pronto, disso nem vale a pena falar.
Tremendamente espantoso como se dispersam as ideias, não?!

Friday, May 29, 2009

Nunca é demais... 29/05/09

"Nunca se deve dizer nunca".
Não existe, porque efectivamente nunca é demais dizer a uma pessoa o quanto se gosta dela, o quanto a amamos ou apenas o quanto ela é importante para nós.
Nunca.
Se gostamos, se é importante, não vale a pena ficar com ele cá dentro porque mais ninguém o vai receber e quem perde é a pessoa que precisa de o ouvir, ou bem mais, somos só nós que verdadeiramente perdemos a deixarmos tudo isso aqui bem engarrafado.
Se gostamos, se é importante diz-se a alto e bom som, sem medos nem arrependimentos, se soa bem ou mal, se faz sentido ou eventualmente custa.
Se gostamos, se é importante, dizemos porque podemos simplesmente perder a oportunidade de o poder dizer, ou podemos virar a cara para o lado e sermos privados dessa pessoa de quem gostávamos ou que considerávamos ser importante para nós.
Simplesmente deixamos sair...

- Gosto muito de ti.
- És muito importante para mim.


Hoje percebi que realmente NUNCA é demais. Porque eu não o digo muitas vezes, apesar de o sentir, porque custa talvez, porque não me soa quem sabe. Sinto-o, mas não quero que a oportunidade passe a quem precisa de o ouvir...
Não sabia o que dizer, não sabia o que fazer, estava ali em pé a olhar para ti sem querer fazer demais nem de menos, mas nisso cheguei perto do teu ouvido e disse-te, que gosto muito de ti. Gosto muito de ti, muitas vezes.
Ajoelhei-me à beira da tua cama e ali fiquei com a mão a passar no teu cabelo até não sentir mais as pernas e até muito, muito depois disso. Fiquei porque sabia que mesmo muito ausente tu sabias que eu estava ali.
Repeti-o muitas vezes a passar a mão no teu cabelo e antes de sair pedi:
- Não te esqueças que gosto muito de ti vó, eu gosto muito de ti, por favor não te esqueças. Não te esqueces pois não...
E foi aí que ouvi um sussurado não que me disseste.
- Não.
Acho que agora sei que sim, que para onde quer que vás não te vais esquecer que um dia gostei muito de ti e ainda bem que to pude dizer e me pudeste também ouvir.

Por isso nunca é demais dizer o que se deve dizer, quando se deve dizer.
Digam, porque eu ás vezes não digo...
Sem arrependimentos, digam só. É importante para quem recebe e nunca, nunca é demais.
Só de menos.

Parabéns, vó.
É mais um ano que sou abençoada com a tua presença na minha vida.
Gosto muito de ti. Sempre.

Sunday, May 24, 2009

All I want is you



Apetece-me gritar, e muito. Isso mesmo que ele diz.

Friday, May 22, 2009

Ás vezes... bate leve, levemente.

Ás vezes, quando páro e me dedico a ouvir e penso efectivamente no que aqui vai, sinto aquele nó no estômago e aquele peso na espinha de saber realmente como as coisas são, e como deveriam ser.
Parece que sempre que me deixo parar e até mesmo quando isto não pára, acabo por ouvir em repeat aquelas palavrinhas que os amigos nos dizem, sábiamente ou não, que já ouvimos tantas vezes e mesmo que façamos as coisas de maneira diferente, acabam sempre por nos perseguir...

" - Nem vale a pena ires por aí..."
" - Eu bem te avisei."


Mas na verdade, aquilo que me custa mesmo não são estas palavras dos amigos, são outras bem mais ferozes, que vêm sei lá eu de onde mas que eu conheço tão bem quase como me conheço a mim...

" - Pensava que eras mais inteligente do que isso..." -

Isto sim é o verdadeiro e derradeiro pontapé no estômago.
"Pensava que eras mais inteligente do que isso...", isso mesmo, e esta também diz o clássico, eu bem te avisei.
É isto que me deixa sem voz, sem reacção, sem emoção e que deixa o turbilhão andar por aí. É que eu também pensava. Mas ás vezes não sou, segundo parece.
Às vezes...
É nestas alturas que isto simplesmente me bate cá dentro e me cai no colo a idade que efectivamente tenho e que ás vezes me esqueço ter.

Outro pontapé no estômago.
Daqueles.
Mais que ouvir, custa saber. Porque eu não oiço. Eu sei.
Porque quando penso, foram raros os que chumbei... mas realmente há testes muito duros nesta vida.

Wednesday, May 06, 2009

A beleza da obra-prima - Always to look life in the face: happiness, it was the moment, right then


"I remember one morning getting up at dawn, there was such a sense of possibility, you know, that feeling? And I remember thinking to myself that this is the beginning of happiness, this is where it starts. And of course there will always be more. It never occurred to me that it wasn't the beginning... it was happiness. It was the moment, right then."



"Dear .......
To look life in the face. Always to look life in the face and to know it for what it is.
At last to know it. To love it for what it is, and then, to put it away.

....... always the years between us. Always the years. Always the love.
Always the hours."


You cannot find peace by avoing life.
Thank you.


Monday, May 04, 2009

O horário do Padeiro...

Ora vamos lá ver, o que tenho eu a dizer sobre esta dávida da natureza que me caíu no colo, o tão desejado trabalho pela noite dentro até ao raiar do dia...
Podia dizer muita coisa e ainda assim, depois de ter escrito sobre este tema, escolhi apagar tudo o que escrevi pelo simples facto de que escolho desta vez ver o positivo em vez do negativo.
Apesar de poder dizer muita coisa sobre esta semana que passou, de tudo o que foi mau e me custou, prefiro apenas deixar o registo daquilo que de bom ficou.
Afinal de contas, quem poderá ser assim tão privilegiado que consiga testemunhar tanto o pôr como o nascer do sol durante 7 dias seguidos?
Não sei. Mas eu fui.
E soube bem, especialmente vê-lo aparecer no céu durante todo o caminho para casa, às 7h da manhã pela Crel. A luz e o calor dourado a tomarem conta do azul pálido do céu.
Sublime não?
Hoje ainda vai saber melhor.

Thursday, April 30, 2009

Zen

E será que não era mesmo disto que eu precisava?





Pouco foi dito ou pensado. Nada meu.
Ocorreu-me, perguntei, li, confirmei e pensei... Porque não?
Uns dias para acertar pontos, sem second thoughts, nem bem nem mal ou será ques.
Quando entrei disse pouco, o essencial talvez, diriam eles no seu sentido prático.
Pouco perguntei, também não sei se queria ou sequer precisava de saber muito.
Já passando ao outro lado pelos corredores ao ar livre, a sala que encontrei parecia ser feita de luz, mas não daquela que cega a vista, daquela que preenche e acalma a beleza dos olhos.
Cheirava a incenso e em surdina ouviam-se acordes de instrumentos orientais a circular pela sala, mas sem ocupar espaço, nem incomodar como se nem estivessem ali, apenas a preencher a envolvência da luz e do ar.

Suspensos do tecto estavam longos panos brancos que esvoaçavam ao fresco a dividir o que não se via nem ouvia porque ali tudo estava na mais perfeita calma e no mais perfeito silêncio.
Parei quase ao fundo e entrei.


Mandaram-me despir, deitar e relaxar. Mas relaxada já eu estava, desde que ali tinha entrado até que saí.

Ainda me pergunto como foi possível passar mais de três horas sem pensar em absolutamente nada. Nem é que não tivesse pensado porque pensei, mas não houve nenhum pensamento que viesse e me incomodasse ou me perturbasse.
Todos vieram e voltaram como se fizessem parte da luz, do som e dos cheiros que envolviam aquela sala.
Mas foi depois da massagem que começou tudo.









Nas costas... Sim nas costas.

E quando sairam das costas............







"...tu tens é essa tua cabeça muito cheia de coisas...
vamos já tratar de a esvaziar."


E esvaziou.

Nas costas, nas mãos, nos pés, no peito, nas pernas, na cabeça, em todo o lado, por todo o lado e para todo o lado... sem eu conseguir ter qualquer tipo de controlo, ainda que tivesse desesperadamente tentado, veio tudo sem eu saber de onde.

Depois, passado um tempo e algumas agulhas mais ficou uma sensação de calma.

Nunca, mas nunca senti nada assim.

Fechei e abri os olhos tantas vezes, mas apesar de os ter abertos sentia como se os tivesse fechados, de tal que era a plenitude e a calma que rondava por ali.

Nem sei bem porquê. É daquelas coisas... Mas fez-me qualquer coisa de bem que não sentia há mesmo muito tempo aqui dentro.

Quando saí, saí mais leve e senti-me assim, tal como mo haviam descrito.

A questão é... Como raio é que não pensei nisto há mais tempo?
Também não interessa. Para a semana há mais.


Disto :)




Wednesday, April 29, 2009

Hoje é o dia... O Dia Internacional da Dança

Unesco Culture Section: International Dance Day

In 1982, the International Dance Committee founded International Dance Day to be celebrated every year on the 29th of April. The date commemorates the birthday of Jean-Georges Noverre, who was born in 1727 and was a great reformer of dance.
Every year a message from a well known dance personality is circulated throughout the world.
The intention of International Dance Day and the Message is to bring all dance together on this day, to celebrate this art from and revel in its universality, to cross all political, cultural and ethnic barriers and bring people together in peace and friendship with a common language : Dance.

Podia falar do dia em si, mas penso que é melhor é falar do que se sente.
A dança como língua comum poderia definir-se como a língua própria dos corpos que comunicam entre si silenciosamente.
O que uma dança diz de um corpo ao outro é o mesmo do que uma boca diz a outra boca, um espírito a outro espírito ou o que um par de olhos transmite a outro olhar.
Cada um pode dizer tudo ou não dizer nada, mas no entanto podem dizer tanto ou dar tanto nas suas pequenas e sublimes manifestações.
Continuo a dizer, por mim ficava assim para sempre, suspensa no abraço das línguas silenciosas entre a deslocação do ar perdido nas vibrações das notas, que passam...entre os movimentos do corpo de quem dança.

Because Dance... Dance is silent poetry.
"So let us dance to remember, let us dance to forget"





Friday, April 24, 2009

Falta aqui qualquer coisa...

Falta.
Falta.me.

Falta-me o ar.
O chão.
Tem dias.
Mas falta.
Parece que o tempo não passa, mas passou.
E agora teima em não querer passar.

Sim, falta aqui qualquer coisa.
Mas daí talvez seja e só tenha sido... just a dirty little secret.
now there's just some awkward trouble breathing.
sometimes. too many t....


Tuesday, April 21, 2009

Não é todos os dias...

...que se dança não com um, mas com DOIS mestres da Kizomba!
_A-M-E-I_

"eueeeeeeeeeeee fica comigo, ai ueeeeeeeeeeeeeeeeeeee dança comigo, quando não danças comigo meu coração reclama!"

No estrangeiro já lhe chamam "angolan tango"
ai e o que eu amo isto...
aqui foi e aqui fica, dose dupla :)





Thursday, April 16, 2009

De mi corazón... Um dia nunca mais digo um dia.

Já vi dançar melhor... já. Daí talvez não melhor, mas diferente.
Com mais ou menos graça, mais ou menos flow, classe, leveza, mais ou menos sentimento.
Não será este o melhor exemplo, talvez por isso tenha gostado tanto, é muito diferente, mas tem ali qualquer coisa.
Apesar do delay que o video tem na parte da salsa, esta coreografia acaba por ter uma cadência linda, principalmente no início e na parte do cha cha cha.
Do styling não se aprende muito de novo, mas a postura e o flow corporal são bonitos de se ver e a verdade é que ela faz 12 voltas seguidas. 12. Muito direitinha com uma das pernas suspensa numa das mãos.
Já vi fazerem umas 20...
Eu fico com as minhas 4 :)
Toda a parte inicial da acrobática, essa sim já é muito à frente
- reformulo: A salsa acrobática é muito à frente, mas a metade pelo menos, quem sabe chegarei.
E porquê só metade? É que eu cá não gosto de metades.
Já faltou mais... De mi corazón - Porque não sou feita de material que desista de nada, assim aperfeiçoando cada gesto vou lá chegando mais perto a cada dia que passa.
A ela só faltou um pormenor. E daí, talvez não... Até que gostei dos guts pra ir dar o show assim ;)
Aqui fica:
Para quem não dança que aprecie, para quem dança sabe bem do que falo.



Tuesday, April 14, 2009

Hoje cruzei-me com... Previsões para 2009


Caranguejo



Este ano marca o início de uma profunda mudança que decorrerá ao longo dos próximos anos, quer em termos das suas necessidades profundas, quer em termos dos seus relacionamentos com outros a nível íntimo, quer a nível daquilo em que acreditava sobre si mesmo.

Nos próximos tempos, dará por si em conflitos abertos entre o que acredita estar certo e o que acaba por dizer e fazer, e provavelmente o grande palco do crescimento este ano é a esfera dos relacionamentos amorosos. Você está a atrair para a sua vida pessoas poderosas e marcantes, por quem você se sente tão irresistivelmente atraída como dominada e assustada.

Neste cenário e ao longo deste processo, a sexualidade vai desempenhar um papel muito importante, e vai dar por si a questionar profundamente os seus valores - quem sabe, este é o ano em que descobre que é possível ser verdadeiro e quebrar regras com que não concorda sem trair o seu próprio senso ético.

Reconheça que há muito tempo não se sentia assim arrebatada.
Isso fará da viagem às profundezas das emoções e dos sentimentos pessoais um ritual de transição de consciência, purificador e iniciático. Daqui por uns anos, quando regressar a si mesma, descobrirá que já não é a mesma pessoa.


É sempre interessante... Mas deste gostei.
Purificar e iniciar parece-me bem. Evoluir, sempre.
Agora o resto, olha... venha de lá também!
Desde que não venham duques e manuéis vale tudo.

Saturday, April 11, 2009

He's just not that into you

The beginning of our problem:
We're all programmed to believe that if a guy acts like a total jerk that means he likes you.
- How stupid can this be? -
Because it's always about meaning what you say without saying what you mean...
- You're not the exception, you're the rule - So please don't rely on the signs because there're just not there.

Valeram as gargalhadas, da vida real para o ecrã!!
Lindo.
Gracias Tânia ;)


Thursday, April 09, 2009

Estou tipo farta até à ponta dos cabelos...

But then again I realise that I just fucking can't...
And it's so fucking pointless...
So god damn fucking pointless, that I just pray to snap out of it.
Otherwise, and so they say: "heaven's gonna burn your eyes"





Retaliation.
Retaliate.
Because I said so.
And now what?

Friday, April 03, 2009

Vou partir

Talvez Quinta-Feira seja mesmo dia de teatro. De literatura. De artes. Já não o sabia, nem me lembrava, porque talvez tenha escolhido não querer saber. É sempre mais fácil.
Mas afinal ainda sei, e é. Efectivamente, dia de cheiro a páginas de livros por abrir, das tintas envelhecidas dos quadros expostos nos museus e do pó bafiento das cortinas dos teatros. Dia de luz, treva, cores, sons e sabores do que vai preenchendo os espaços vazios sedentos de conforto, de saber e de cumplicidade.
Atirei-me de cabeça a visitar o Al Berto durante A Noite entre os lustres e mármores do velho D. Maria II. E encontrei-o bem. Vivo. Apesar de estar morto, nas vozes e nos gestos de outros corpos que não o seu e que o trazem bem vivo à minha memória.
Acabou por ser um encontro de mestres, estudantes, académicos, colegas e actores, naquele mundo que tinha deixado na prateleira há já alguns anos atrás, num qualquer dia de qualquer ano mas agora com hora marcada, no mesmo átrio do lugar que veio trazer a cultura a ser partilhada.
Com isto houve um doce segundo em que me sentei a beber café na varanda do teatro e ao observar os corredores e as pessoas que passavam viajei um segundo que fosse e reservei-me a reviver um bocadinho daquilo que deixei atrás...
Tomei umas quantas decisões, durante todo o santo dia e depois, quando acordei da minha viagem. Vou voltar a estudar e não há obstáculo que me detenha até onde quero chegar. Onde preciso de chegar. Tenho sede das salas e dos livros, fome das conversas e das dissertações.
E de ter juízo, disso lembro-me, tenho quilos de fome.
Mas as cortinas da varanda esvoaçaram e tudo naquele momento se apagou.


A varanda iluminava toda a sala com as luzes provenientes da praça do Rossio, das fontes, da cidade adormecida e abandonada que tinha vindo cair ali naquele preciso momento. Convidava-a a que ficasse, mas ao espreitar mais a luz que vinha do outro lado das portas de vidro, viu Virginia Woolf sentada num das poltronas antigas do teatro, com o seu tabuleiro de folhas brancas e a caneta torta que ia molhado apressadamente no tinteiro.
Num movimento calmo, quase em câmara lenta, passara as portas e sentara-se no chão ao seu lado enquanto a ouvia murmurar as palavras que ia entrelaçando noutras palavras, de que tirava as frases confusas em que se viajava nos seus livros. Como se um sonho se tratasse à luz da voz da consciência que ela trazia sem sequer saber bem de onde. "To the lighthouse"... Seria? Poderia ser, mas sem conseguir ouvir bem o que ela dizia, porque o murmurava como se estivesse em transe à medida que os sentidos comunicavam com a mão que deslizava as letras para a folha de papel.
Aproximara-se para conseguir ler, ela nem se dera conta da sua aproximação, nem a via. O estranho passara a inacreditável, quase sublime:
"- Mrs. Dalloway said she would buy the flowers herself... I think I'll buy the flowers myself...You cannot find peace by avoiding life, Leonard..."
- Cortei o meu longo cabelo loiro. De uma só tesourada. De uma vez só.
Não me serve de nada, já. Sendo que não é ele que me traz valor, que me dá seja o que fôr, então que o corte. Assim talvez me possa sentar à mesa daqueles homens e participar ou saber, entender que seja, podendo por segundos ser com eles eu homem também.
Não preciso de festas, de fatos e combinações. De batalhar nada com ninguém. Esgotam-se-me as aparências, os dizeres de boca em boca, os fretes, a falta de consciência. As indecisões e sinuosidades da vida mundana... -

" - Dear Leonard. To look life in the face, always, to look life in the face and to know it for what it is. At last to know it, to love it for what it is, and then, to put it away.
Leonard, always the years between us, always the years. Always the love. Always the hours.
You cannot find peace by avoiding life, Leonard.
Love, Virginia."

Não... Era Mrs. Dalloway que Virgínia Woolf escrevia.
Deixara-a. Ouvira vozes animadas no andar de cima, a varanda ainda a convidara a ficar, mas a viagem ia já demasiado avançada.
A meio das escadas encontrara Shakespeare, eufórico a descer o corrimão enquanto balbuciava trechos de canções das suas peças e uma ou outra fala de certas personagens, maravilhado com o leque de pessoas que o rodeavam sem efectivamente o verem, na esperança de conseguir material para uma nova peça.
Ao olhar para trás, vira no fundo da escadaria Tennyson que o olhava com ar de reprovação, como se de uma criança pequena se tratasse, ao vê-lo descer pelo corrimão e voltar a subir, entrelaçando-se entre os casais de mão dada em busca de traços que apontava numas folhas amarrotadas de papel que se apressava a tirar do bolso.
Ao cima das escadas, num átrio escondido atrás de um conjunto de colunas ao redor da pequena mesa de centro estavam sentados Lincoln, Thoreau, Jefferson, Washington, Emerson, Whitman e Roosevelt, que discutiam ainda as raízes e fundações da sua nação arrefecida, as escolhas, as filosofias a que tinham ido beber os seus princípios para as mentalidades que pareciam agora tão deturpadas.
Falava-se dos índios, das guerras e das opções que lhes tinham custado vidas e mortes. Das coisas que tinham vindo dar voltas ao povo que agora se contorcia na amálgama de buracos negros em que tinha caído. Ninguém sabia de quem era a culpa, os argumentos eram muitos e a discussão seguia acesa, cada um com a visão do seu próprio tempo. Falava-se de indiferença, de engano e de valores.
Emerson, no entanto, falava do mundo que deveria ver-se peça a peça, o sol, a lua, os animais, as árvores e que o todo em que todas estas partes brilhavam como um só era a alma. A alma que todos pareciam ter esquecido.
John Kenneny não tinha podido comparecer, não era seu hábito mas as costas não lhe tinham perdoado naquele dia e Jackie tinha insistido para que ficasse em casa ao invés de participar do que chamava as tertúlias filosóficas ou reuniões políticas dos amigos.
Do outro lado da sala, Lord Byron fumava calmamente uma cigarrilha de baunilha, sentado no parapeito da Janela, enquanto recitava versos para a lua que Neruda ia compilando, traduzindo-os imediatamente para espanhol. Simplesmente sublime de observar.
Cá em baixo no Jardim de Inverno Octávio Paz, Sabines, Vargas Llosa, Miguel Angél Asturias e Júlio Cortázar trocavam ideias, atiravam linhas de poemas que se dissipavam no ar como fumo, entre um ou outro bafo de cachimbo. De vez em quando gritavam bocas aos americanos. Barbaridades dizia-se que diziam, outras vezes assentiam simplesmente com a cabeça, entreolhavam-se com ar de acerto e respeito e talvez uma ponta de admiração. Era raro. Mas dessas vezes não gritavam, não diziam nada. Lá em cima eles saberiam que era um sinal de apreço.
Depressa voltavam às linhas inquietas dos seus poemas, às actualidades das suas nações hispano-americanas, sem dar muita importância aos americanos que lá bem no fundo consideravam uns brutos, exploradores de ouro, desprovidos de uma ponta sequer de humanidade. Mas isso era no antes. Agora reuniam-se todos, davam apertos de mão vigorosos e trocavam ideias sobre os trabalhos de cada qual, ao sabor do whisky e dos charutos do final da noite.
Pessoa entrava e saia inquieto. Coisas do ópio talvez. Coisas da vida. Comentava com Paz, ajoelhado ao seu lado na cadeira. Onde andará… Onde andará? Voltando novamente a sair. Ninguém sabia o que procurava mas também ninguém parecia muito preocupado em ajudá-lo a encontrar. Mas ele entrava e voltava novamente a sair da sala com o livro debaixo do braço e olhava esperançado para Paz enquanto dizia incomodado que era uma estupidez, tudo. Uma loucura. Paz olhava-o confuso e encolhia os ombros, sem saber do que falava.
- Tenho que me deixar disto Octávio. Já não tenho idade nem cabeça para estas coisas... E o Mário já chegou velho amigo? Tenho uns poemas para lhe mostrar. Hoje não tenho assunto a discutir com nenhum de vós. Ando incansável e inconsequentemente à procura de uma coisa que não encontro e hoje não estou dado a politiquices ou tão pouco versices se é que se pode dizer assim. No teu portunhol lá me entenderás... É que anda aí outro poeta, um como nós que escreve sem lhe saber de onde. Al Berto parece-me. Tenho que lhe dar uma palavrinha com o Mário que só está cá hoje. Digno de mérito o tal sujeito mas já não é do nosso tempo. Entretanto deixo-vos, o Mário não chega e tenho umas aguardentes a pagar lá em baixo no Martinho. Ainda não perdi a esperança de encontrar aquilo que perdi pelo caminho. Talvez um deles chegue enquanto vou e venho.
Deixara-os entregues cada um a seu assunto, aos seus charutos e ao seu whisky, passando apressadamente pela escadaria de onde Shakespeare tinha caído e Tennyson se ria cá em baixo com todas as forças que tinha.

Foi então que o vi, sentado atrás do cortinado que dava acesso a um dos camarotes daquele andar.
No colo tinha um livro e na mão um copo de Whisky com pouco gelo como era seu hábito.
Aproximei-me sem me querer fazer notar apenas para observar o que fazia, não podia acreditar que tinha estado ali sentado todo aquele tempo, com toda aquela comoção do lado de fora da sala.
- Sei que estás aí, já te vi - disse. Vieste ver o espectáculo foi? Eles não falam de mim, sabes. Falam de coisas que pensam ter sido a minha vida e dizem-nas entrelaçadas nos meus textos e nos meus poemas, como se de uma simples historieta se tratasse.
- Eu sei. Quer dizer não sei, ainda não vi. Mas sei que não podiam falar de si...
- De ti. Falar de ti. Trata-me por tu. Nunca gostei dessas coisas não era agora depois de morto.
- Mas como é que... eles não me vêm e você... desculpa tu.
- É daquelas coisas. Já te tinha visto por aí a olhar para eles, eles é que ainda não me viram, é conforme lhes apetece. O Pessoa até quer falar comigo, nem sei de quê, ele já viu a peça, não traz nada de novo, basta ler o que escrevi todos estes anos e nunca ninguém leu ou deu o devido valor, só agora e nem assim entendem.
- Era para se entender que escrevias?
- Era eu, só. Quem entendesse que quisesse. Que tirassem de lá o que fosse para tirar. Eu sempre escrevi livremente e vivi de igual forma também, mas eu sei que tu sabes disso.
- Sei, ainda me lembro de si.. de ti. um dia, que nos cruzámos muito rapidamente.
- Deveria dizer-te que não lesses os meus poemas. Era mais sensato.
- Devo dizer-te então que não consigo deixar de os ler. Antes deixasse de fazer tantas outras coisas e fosse mais sensata.
- E devias. Não de ler, mas de deixar. És sensata, mas ainda és muito nova para essas coisas, eu lembro-me de ti quando ainda eras nova ainda... mas há coisas que se sabem sempre. E eu sei que tu sabes. Há coisas que nunca mudam, por mais que nos digam ou nos tentem enganar.
- Eu sei e vou.
- Então anda vai, já estão a fechar as portas da sala, depois não entras.
- Mas há tantas coisas que lhe quero perguntar…
- Eu sei, mas não há tempo, nem hora.
- E eles?
- Ficam por aí…
- E tu?
- Ficamos todos, eu também. Sei o que me queres perguntar, mas posso dizer-te que hoje lhes troquei os textos. Sabia que vinhas cá. Procura a Carta da Flor do Sol, eles dizem-na para ti… "Vou partir". Sei que é o teu preferido.
- Eu também vou... partir. Obrigada. É mesmo o meu preferido.
- Até um dia.
- Até um dia...


“vou partir
como se fosses tu que me abandonasses
o último sonho que tive era estranho
via o fundo límpido duma rua estreita
que desembocava num largo iluminado
havia leões empalhados nos passeios em areia solta
já não me lembro bem
parece que uma mulher avançava com um envelope na mão
estendia-mo e gritava
mas eu não conseguia perceber
insultava-me muito provavelmente
tinha a cara escondida por um pano branco bordado
apenas via a sua boca enorme abrir-se
e furiosamente engolir a púrpura do ar
que envolvia as cabeças reclinadas dos leões
ouvia o buzinar nervoso dos carros
exactamente como se ouvem agora
mas não conseguia vê-los
depois
um rapaz apareceu a uma esquina e reconheci-te
uma voz gravada na memória acompanhava-nos
quando nos dirigimos um para o outro
em câmara lenta
ouvíamo-la sussurrar: procuro-te
no interior as penumbras no esquecido sal
das casas abandonadas à beira-mar
procuro-te no perfume excessivo do mel
armazenado pelas abelhas no entardecer das pálpebras
vem
mergulha as mãos no troco das árvores
suspende a noite da longa viagem
estás a naufragar
o espelho quebrou-se e tu já não reconheces as paisagens
o corpo estilhaçou-se...


tinhas a cara mascarada com sangue quando a voz silenciou
a mulher ria
eu corria para ti sem conseguir alcançar-te
sentei-me na cama
veio-me do fundo da idade o momento em que nos conhecemos
resolvi levantar-me a meio da noite e escrever-te esta carta

sabes
por vezes queria beijar-te
sei que consentirias
mas se nos tivéssemos dado um ao outro ter-nos-íamos separado
porque os beijos apagam o desejo quando consentidos
foi melhor sabermos quanto nos queríamos
sem ousarmos sequer tocar nossos corpos
hoje tenho pena
parto com essa ferida
tenho pena de não ter percorrido teu corpo
como percorro os mapas com os dedos teria viajado em ti
do pescoço ás mãos da boca ao sexo
tenho pena de nunca ter murmurado teu nome no escuro
acordado
perto de ti as noites teriam sido de ouro
e as mãos teriam guardado o sabor do teu corpo.

....

caminhamos em direcções opostas
ou melhor
eu caminho enquanto tu não existes.”


Al Berto (1948 – 1997)

O Medo - Antologia 1974 - 1997
23 anos de obra com 23 meus de vida


Obrigada, Al Berto.