Saturday, December 02, 2006

Amor

Para quem ama, já amou, quer ou não quer amar.
Para quem ama perto, para quem ama distante, para quem ama com prazos e para quem ama cada instante.
Para quem já não ama, para quem ama sem amar.
E especialmente para quem ama, sem porquês nem dados, como diz o poema, todo o tipo de amores não pensados, simplesmente por amar.

Sempre, para sempre

Há amor amigo
Amor rebelde
Amor antigo
Amor de pele

Há amor tão longe
Amor distante
Amor de olhos
Amor de amante

Há amor de inverno
Amor de verão
Amor que rouba
Como um ladrão

Há amor passageiro
Amor não amado
Amor que aparece
Amor descartado

Há amor despido
Amor ausente
Amor de corpo
E sangue bem quente

Há amor adulto
Amor pensado
Amor sem insulto
Mas nunca tocado

Há amor secreto
De cheiro intenso
Amor tão próximo
Amor de incenso

Há amor que mata
Amor que mente
Amor que nada mas nada
Te faz contente me faz contente

Há amor tão fraco
Amor não assumido
Amor de quarto
Que faz sentido

Há amor eterno
Sem nunca talvez
Amor tão certo
Que acaba de vez

Sempre Para Sempre - Donna Maria

2 comments:

Sara M. Felício said...

Este poema do Miguel Majer tem tanto de simples como de belo. Tem em si a trivialidade do ser que ama, mas também a complexidade das relações humanas.
Acho que nunca antes me apercebi dos "amores" que por aí surgem e das várias formas das eternidades às vezes roubadas num único instante.

Boa escolha!

Teresinha said...

Sara, acho que através deste poema se torna mesmo tão visível que o amor tem tantas formas, tantos nomes e tantos caminhos.
Muitas pessoas é que não se apercebem de todos estes amores, e da força que cada um tem à sua maneira, mas todos eles explicam na perfeição a complexidade das relações humanas como tu dizes... no fundo no fundo é esse mesmo o problema. A complexidade desses mesmos amores na integração de cada ser humano.
Acho que nunca vi o amor tão bem explorado como neste poema. Só lhe falta explorar o amor sem nome, porque no fundo todos estes sentimentos não têm nome, sentem-se e as pessoas querem à força pôr-lhes rótulos que acabam com uma coisa que em si não tem designação nenhuma.
Todo o amor é amor, apenas de diferentes tipos ou sensações.
E no fundo nada é para sempre. O que se perde, perde-se de vez quando não se vê toda essa panóplia de momentos que passam e depois nunca mais voltam.