Tenho os braços dormentes.
Tenho os braços tão dormentes que nem os sinto.
Parece que estão estranhamente pendurados do lado de fora meu corpo
e doem.
Doem-me tanto que me apetece chorar. Mas chorar de alegria.
E doi tanto chorar de alegria, doi tanto que quase te sufoca.
Mas antes sufocar a chorar de alegria do que sentir toda uma vida os braços,
sem saber nunca que se os sente,
quando se sente que o amor voltou de novo à nossa vida.
Graças a Deus que não os sinto.
Por mim não precisava sequer de saber como me chamo
nos momentos em que choro, ou que sinto vontade de sufocar
a chorar de alegria.
São de prata porque a paixão os corrói,
porque só a sinto quando não se sentem.
São de prata porque são paixão
e podiam continuar assim para todo o sempre.
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