Sunday, December 12, 2010

Beauty Fades...

Hoje parei 5minutos do meu zapping no Câmara Clara da RTP2.
Fala-se de fotografia. Ouve-se a Paula Moura Pinheiro, e um convidado, António Barreto segundo parece.
O zapping segue... porque mais que 5minutos seria milagre, pensei, enquanto me pergunto a mim própria, porque é que deixei de ver programas destes. Porque é que deixei de ler livros desde que saí da faculdade e de fazer tantas outras coisas que agora nem me passam pela cabeça.
Volto à RTP2 para tentar contrariar este bloqueio, mas hoje o tema não me é especialmente interessante porque me parece não conhecer o convidado, apesar de este me ser vagamente familiar, mas apesar de tudo porque sei que tenho muitas outras coisas na cabeça, aliás como sempre nestes últimos tempos.
Mas é daí que a minha atenção se prende na Paula Moura Pinheiro. Na sua voz, na sua postura, na sua cultura e dicção irrepreensível... E agora, tantos anos depois, das suas covas no rosto, as suas rugas e a sua expressão vagamente cansada. Não querendo debruçar-me mais sobre o óbvio exterior relativamente a esta mulher furacão que admirei uma infância e adolescência inteira, entristeceu-me.
Não querendo incorrer na vaidade porque não é disso que se trata... efectivamente entristeceu-me.
Lembro-me de ficar acordada e de me levantar às escondidas e ir espreitar os seus programas quando ainda estava na SIC, a altas horas da noite. E de ouvir, na altura sem realmente ouvir o que ela dizia, ficando pura e simplesmente hipnotizada com a distinção com que aquela mulher primava a tantos níveis.
Os sinais do tempo mostram-me que hoje está muito diferente, mas um diferente em que a voz cativante não muda, e a sapiência se mantém, bem como o profissionalismo com um misto de doçura e idealismo na sua presença quente e confiante que sempre emanou da televisão.
Continua a cativar-me mas, ao olhar, custa-me tristemente porém um pouco a reconhecer.
As it fades. É esse desvanecimento que dói.
Mas a Paula está lá e mesmo quando não estiver continuará a ser a mulher que sempre admirei todos estes anos.
No entretanto, continuarei a recordá-la como uma das mais belas.
Mais completas.
Mais tudo. Pelo marco que nunca deixará de ser.
E continuarei a recodá-la assim...
As what fades is not what is shown on the inside, as only what is on the outside.


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