Em cima da cama haviam ficado apenas as poucas bonecas de porcelana que tinham restado.Nunca tinha gostado especialmente de brincar com aqueles brinquedos de loiça que por vezes lhe tinham oferecido. Eram frios e tinham uns olhos de vidro muito grandes e estranhos.
Ao mínimo descuido, pura e simplesmente partiam-se.
Com os anos haviam acabado por desaparecer uma a uma, até que ao voltar já não encontrara nenhuma no quarto. Sempre lhe tinham dito que não brincasse com elas:
“Partem-se. Deixa-as quietas em cima da cama.”
Agora já não havia nenhuma, eram demasiado bonitas mas os cacos que ficavam eram muito finos:
“Brinca, olha que parte, mas já não se volta a colar.”
E não, realmente bastava perceber.
Aquelas bonecas não serviam para brincar.
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