Deixei uma mão quente e outra fria
nas pedras do outro lado do rio,
rio esse que lava as pedras que tinha
para atirar nas minhas mãos,
e as ondas agitadas dos barcos que
atiram espuma suja contra as rochas.
No céu funde-se o azul dos teus olhos
que desaprece no horizonte com a imagem cega do Rei.
Desaparece...
e desaparece...
As ondas retraem-se enquanto os barcos zarpam
enquanto o sol se põe e
os comboios passam.
Levo comigo uma mão quente e outra fria.
Uma do teu toque, outra da agonia...
E os teus olhos desaparecem...
porque eu levo uma mão sempre quente,
e a outra
trago sempre fria.
1 comment:
Bem,como eu adoro este poema...é sem duvida o meu preferido de todos os que estão aqui (sim,porque os outros devem estar religiosamente guardados ;)),não sei explicar a razão pelo qual gosto mais deste poema...não vou dizer que é o mais "bonito",porque nem sempre podemos afirmar que o mais belo é aquele que cativa mais...as vezes a simplicade das coisas simples encantam-nos mais que a grandiosidade das coisas belas...o poema tocou-me...e ponto final =) beijos
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